PUBLICIDADE
Topo

Ricardo Cavallini

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Não manja de códigos? IA vai permitir linguagem do dia a dia para programar

Arif Riyanto/ Unsplash
Imagem: Arif Riyanto/ Unsplash
Conteúdo exclusivo para assinantes
Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

02/06/2021 04h00

Plataformas de baixo código (low code) estão permitindo que qualquer pessoa crie aplicações sem precisar aprender programação.

Com muito pouco código é possível criar sistemas para web (acessados pelo browser) e para smartphones (iOS e Android).

Usar plataformas amigáveis para criar soluções complexas não é necessariamente novo, mas elas estão cada vez mais próximas de quem não tem facilidade com tecnologia. Algo que já é comum na hora de se produzir sites ou lojas virtuais. Muita gente usa plataformas e serviços como Wordpress, Wix ou UOL Meu Negócio sem precisar entender sobre HTML, CSS ou Javascript.

Já existem dezenas de plataformas de low code usando interface gráfica e ferramentas simples para criar aplicações que antes precisariam de um programador experiente.

Algumas utilizam um sistema de programação baseado em blocos, muito similar a linguagem Scratch, hoje ensinada em muitas escolas pelo mundo e no Brasil. É o caso do Cronapp, um serviço brasileiro que permite criar apps para celular (Android e iOS).

Ser muito mais fácil que programar não quer dizer que seja exatamente fácil para quem não tem paciência de aprender ou tem muita dificuldade com questões técnicas. Existe uma curva de aprendizado. Acho que uma boa analogia seria comparar com um Wordpress, muito usado para blogs e outros sites. Apesar de ser simples e visual, ainda demanda que alguém aprenda a ferramenta e tenha paciência para entender suas limitações e possibilidades.

De qualquer forma, o low code viabiliza que empresas de todos os portes criem times ágeis para criar aplicações. Isso vale para todos os departamentos, de vendas ao RH, do marketing ao financeiro. E se você não tem tempo ou vontade de aprender a ferramenta, um profissional de TI (interno ou externo) no seu time seria capaz de usar estas soluções para viabilizar suas ideias e protótipos.

Usando a solução da Microsoft Power Apps, a Suzano padronizou a coleta de dados em florestas de cultivo de eucalipto. A coleta de dados que antes era manual passou a ser automatizada e o aplicativo começou a recomendar o uso de herbicidas ou nutrientes específicos.

Low code também facilita muito a criação de protótipos e MVPs, o que deve ajudar não apenas empresas tradicionais, mas também as startups.

Na verdade, por seu histórico ágil, esse tipo de plataforma não é novidade para as startups, segundo Wellington José da Silva, diretor de produtos digitais da Amaro. "Usamos low code há anos na Amaro para acelerar muitos processos internos. Esta agilidade nos permitiu automatizar mais e os times foram aprendendo que as soluções podiam ser mantidas e melhoradas por integrantes das próprias áreas. Hoje todos os times já contam com soluções. São processos desde o atendimento ao cliente, a logística, criação de produtos, estúdio e a gestão da cadeia de fornecedores".

Do "low code" para o "no code".

Com a evolução da inteligência artificial, o caminho natural foi evoluir para o "no code", ou seja, criar aplicações apenas escrevendo (e no futuro, falando) usando linguagem natural. Você diz o que precisa e a ferramenta faz o resto.

Na frente desta corrida, no dia 26 de maio a Microsoft revelou que está integrando o GPT-3 a sua ferramenta. Usando linguagem coloquial (apenas em inglês, por enquanto) poderemos pedir para o nosso aplicativo achar em uma planilha Excel "os produtos que tenham 'infantil' em sua descrição" ou algo como "me mostre os consumidores do Rio de Janeiro que fizeram compras em dezembro de 2020 e pagaram com boleto".

Segundo Fernando M. Lemos, CTO da Microsoft, "o Power Platform traz a democratização através de uma abordagem Low Code / No Code para Aplicações (Mobile e Web), automação de processos (automação e RPA), análises avançadas (BI e big data) e chatbots de interação humana, com inteligência artificial de forma prática e simples em todos os elementos da plataforma, incluindo agora a programação por linguagem natural com funções de negócios, fruto da parceria Microsoft com a Open AI e plataforma GPT3."

Na minha opinião, aprender a programar continua sendo bastante útil para qualquer profissão. Se trata de entender o que e como podemos melhorar as tarefas do dia a dia e resolver problemas atuais. É libertador. A boa notícia é que o low code dará muito poder para quem ainda não tem essa habilidade e, talvez, estimular o surgimento de novos programadores no futuro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL