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Ricardo Cavallini

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em vez de Facebook ou Google, você logará nos apps usando blockchain

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Imagem: stories/ Freepik
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Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

04/04/2021 04h00

Há quatro anos, a Microsoft divulgou que estava trabalhando em um sistema de identificação digital descentralizado usando blockchain. No último dia 25 de março, eles divulgaram o lançamento da solução ION Digital ID Network.

A iniciativa, que contou com ajuda de outras empresas conhecidas do ecossistema descentralizado como a Transmute, SecureKey, Mattr e Consensys, entrou em sua fase beta. Mas o que seria um sistema de identificação digital descentralizada?

Se você já usou o Facebook ou sua conta do Google para fazer login em algum site já usou um sistema desses, mas com uma enorme diferença. A solução da Microsoft é descentralizada, ou seja, ela existe sem a própria Microsoft. Assim como o bitcoin, ela responde à comunidade.

O sistema é atrelado a rede bitcoin, mas utiliza uma segunda camada para garantir velocidade e baixo custo.

A Microsoft já prometeu trabalhar uma versão light para aparelhos com necessidade de baixo consumo de energia, importante para internet das coisas.

Será que a Microsoft conseguirá desbancar Google e Facebook? Quais seriam os prós e contras da solução?

As vantagens

Por ser descentralizado e não dividir as informações de sua navegação, a solução tem chances de ir bem além de Google e Facebook e ser adotada por toda a internet.

Outra grande vantagem: por aberta (open source) e descentralizada, a identidade digital só pode ser cancelada pelo seu proprietário, evitando qualquer abuso por parte de autoridades ou empresas privadas.

Imagine que, se o Facebook banir sua conta, você perderá acesso em todos os sites que fez login usando a plataforma.

O desafio

Assim como as criptomoedas, a solução precisa ser suportada por uma grande quantidade de pessoas. Uma rede descentralizada depende que muitos computadores espalhados pela internet instalem um nó da rede, ou seja, uma cópia do sistema que vai ajudar a validar as operações, transações ou certificações. Quanto mais gente instalando, mais robusta e segura será a solução.

Muita gente que suporta o bitcoin instalando nós da rede fazem isso por ideologia ou filantropia, por acreditar que é uma solução necessária para o mundo. Porém, muita gente também faz isso por ter interesse financeiro.

Empresas que utilizarão ION para permitir que seus usuários se autentiquem em seus sistemas serão uma parte relevante, mas insuficiente para garantir volume. Portanto, no caso da ION dependeremos da adoção em massa por pessoas comuns.

Os serviços pela web também precisam adotar a solução, se apenas meia dúzia de sites usarem esta forma de autenticação, ela não fará sentido para as pessoas comuns. Precisaremos que muitas pessoas instalem nós da rede para a solução ficar mais segurança e, por último mas não menos importante, que os usuários comuns adotem a solução.

Mas o benefício é enorme e cada vez melhor compreendido pelas pessoas, que começam a desgostar de deixar seus dados com uma única empresa, como o Facebook.

Sucesso para o ION, e parabéns as empresas participantes pela iniciativa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL