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Você pode não conhecê-las, mas união de Nvidia e ARM vai sacudir mundo tec

Placa gráfica da Nvidia - Nana Dua/ Pixabay
Placa gráfica da Nvidia Imagem: Nana Dua/ Pixabay
Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

15/09/2020 04h00

Muitos de vocês talvez não conheçam as duas empresas, mas esta semana a Nvidia anunciou a compra da ARM por US$ 40 bilhões. Essa compra pode mudar para sempre a indústria da tecnologia.

A Nvidia talvez seja um pouco mais conhecida por produzir placas gráficas, componente bem relevante da vida dos gamers.

A ARM fabrica processadores, também chamados popularmente de cérebros dos aparelhos. Diferente de seus concorrentes como Intel e AMD, que fabricam chips para empresas comparem e usarem em seus produtos, a ARM projeta os chips para licenciar essa arquitetura para os fabricantes. Desta forma, empresas como Apple, Samsung ou Microsoft podem desenvolver chips próprios customizados para a sua necessidade usando a inteligência da ARM.

Apesar de muito pouco conhecida para quem não trabalha na área de tecnologia. ela está presente em 95% dos smartphones do mundo. Os iPhones usam arquitetura ARM. O Microsoft Surface Pro X já usa ARM. Este ano saíram boatos de que a Samsung estaria desenvolvendo sua nova linha de processadores em parceria com a ARM.

Uma das premissas da ARM é trabalhar com todos os players, ou seja, vender suas soluções para todas as empresas. Com a compra pela Nvidia, a ARM poderia restringir o uso de sua tecnologia para algumas empresas.

Segundo Jensen Huang, CEO da Nvidia, isso não vai acontecer e a empresa continuará sendo neutra. Simon Segars, CEO da ARM reforçou a ideia para analistas, dizendo que irão manter a neutralidade e um nível de independência. É esperar para ver.

Estes processadores originalmente produzidos para mobile podem ser uma vantagem incrível para notebooks, cuja bateria poderia durar muito mais.

A Apple já anunciou que irá adotá-los também nas novas gerações de laptops, que hoje utilizam processadores da Intel.

Usando o mesmo tipo de processador que o iPhone tornaria os computadores da empresa mais compatíveis com o iPhone. Imagine a quantidade de aplicativos e jogos feitos para iPhone rodando nos Macs nos próximos anos. Pode ser uma vantagem competitiva bem além das características do hardware.

A arquitetura ARM é perfeita para equipamentos móveis pois tem menor custo, menor consumo de energia e maior dissipação de calor, três vantagens enormes não apenas para smartphones mas também para as dezenas de bilhões de devices de internet das coisas que irão aparecer na próxima década.

A compra gera atenção não apenas pelo montante de dinheiro, mas também pelo fato da Nvidia ser o maior fabricantes de GPUs. Usadas em placas gráficas (por isso a atenção dos gamers), esses processadores também são ideais para processamento paralelo, ideal para soluções de inteligência artificial.

Com a IA cada vez mais presente nos devices, dos assistentes de voz como Amazon Echo a várias outras aplicações em celulares. Este pode ser um casamento que pode mudar o futuro dos devices para sempre.

Mesmo com o advento do 5G, uma boa parte desse processamento deve começar a ser realizado localmente, principalmente em soluções de internet das coisas para agricultura inteligente e carros autônomos. Neste sentido, a compra da Nvidia e ARM pode ser o começo do maior líder de hardware das próximas décadas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.