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Prefeitura de SP produz equipamentos contra coronavírus em oficinas maker

EPIs produzidas pela Prefeitura de São Paulo - Divulgação/ Prefeitura de São Paulo
EPIs produzidas pela Prefeitura de São Paulo Imagem: Divulgação/ Prefeitura de São Paulo
Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

03/04/2020 13h53

Os que me acompanham na coluna sabem do esforço que makers no Brasil inteiro estão fazendo para produzir máscaras faciais, outros equipamentos de proteção individual (EPI) e até iniciativas mais complexas como projetos de respiradores.

E, como todos sabemos também, mesmo com estas iniciativas, estão faltando equipamentos.

A Prefeitura de São Paulo tem 12 centros com vários equipamentos para o cidadão aprender a ser um maker e desenvolver seus protótipos. São impressoras 3D, cortadoras laser, fresadoras, plotters, ferramentas manuais (serra tico-tico, lixadeiras, furadeiras etc.), máquinas de costura e outros equipamentos. Um aparato muito rico.

São 12 espaços, sendo quatro deles maiores. Acredito ser uma iniciativa tão importante que, quando lançaram, fiz um texto dizendo que existem mais pessoas em São Paulo com acesso a helicóptero do que a um ferramental como esse. Ainda mais importante por estarem dispostos em comunidades carentes como Heliópolis, Cidade Tiradentes e Vila Itororó.

Acredito demais no movimento maker. Nos últimos anos treinei mais de cinco mil pessoas, de crianças de cinco anos a altos executivos de 70. Como eu disse em outro texto, com mais makers, iríamos fomentar a inovação como nunca antes no país. Isso vale inclusive para as empresas, que terão que se reinventa depois da crise.

Não consigo imaginar a pressão que os líderes estão sentindo neste momento, mas me incomodava demais ver os espaços da Prefeitura fechados. Nesta pandemia, cada semana conta, cada dia conta. Comentei sobre isso nas minhas redes e hoje recebi um WhatsApp do prefeito Bruno Covas.

A Prefeitura está, mas palavras de Covas, em "carga máxima" usando as oito impressoras e a cortadora laser da Galeria Olido (no Centro) para produzir EPIs para os profissionais de saúde das UTIs.

Impressora 3D prefeitura - Divulgação/ Prefeitura de São Paulo - Divulgação/ Prefeitura de São Paulo
Impressora 3D usada nos centros administrados pela prefeitura
Imagem: Divulgação/ Prefeitura de São Paulo

Parabéns pela iniciativa. Fico feliz que o prefeito esteja aberto a sugestões e espero que a iniciativa seja um sucesso e que se amplie para os outros centros. Se todas as impressoras estiverem funcionando, juntando os equipamentos de outros centros a produção poderia se multiplicar por quatro ou cinco.

A abertura pode ser organizada para apenas alguns makers, para evitar aglomeração. Caso necessário, existem vários makers organizados e dispostos a ajudar.

O próximo passo será fabricarmos nossos próprios respiradores. Já existem algumas iniciativas. Algumas inclusive na cidade de São Paulo, mas como a maioria será aberta, também podemos usar projetos de fora, caso do respirador criado pelo MIT.

A importância desse tipo de iniciativa ser coordenada pelo governo (municipal, estadual ou federal) é que um equipamento mais complexo como o respirador demanda envolver várias frentes diferentes (médicos, makers, hospitais, indústria e certificadores), para garantir que o projeto atenda todas as necessidades e seja seguro para o uso dos pacientes. Boa parte dos projetos que conheci é simples demais para atender a necessidade atual.

Sairemos dessa crise maiores, e com todos sabendo que qualquer pessoa pode mudar o mundo a sua volta para melhor, basta entender que todos podemos ser makers.

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