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Ricardo Cavallini

Coronavírus: 8 razões para esperar o pior experimento de trabalho remoto

Pixabay
Imagem: Pixabay
Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

23/03/2020 04h00Atualizada em 23/03/2020 14h06

Na expectativa de extrair algo bom da pandemia de coronavirus, tenho visto algumas pessoas falando que a boa notícia é que as empresas irão experimentar e comprovar as benesses do trabalho remoto.

Não queria jogar um balde de água fria, mas este será o maior, mas também o pior experimento de trabalho remoto da história. Enumero alguns motivos abaixo.

1. Ninguém se preparou

Começando pelo mais óbvio, ninguém se preparou para isso. Nem as empresas, nem as pessoas. Ninguém arrumou um canto de uma hora para outra. Nem todo mundo tem boa conexão de internet, computador ou até mesmo uma mesa e cadeira decente em casa. E no meio do caos, será mais difícil botar tudo isso de pé.

2. Tudo novo

Muita gente estará usando um computador alugado, um software de vídeo conferência que nunca usou, uma VPN que a TI da empresa implementou às pressas, um software de trabalho em grupo etc. Enfim, a maioria das pessoas leva um bom tempo para se adaptar, e tudo isso terá que ser feito com help desk remoto também.

3. Não reflete o cenário padrão

Não reflete o cenário tradicional de trabalho remoto, pois parceiros e crianças estarão em casa o tempo todo. Muitos estão precisando cuidar dos pais, fazendo tarefas como ir ao supermercado por eles.

4. Não é para todo mundo

Um ponto que talvez alguns não concordem. Trabalhar remoto não é para todo mundo. Nem todo mundo gosta, nem todo mundo quer, nem todo mundo se adapta.

5. Não é para ser radical

Estamos sendo obrigados a fazer uma transição radical para o trabalho remoto. Em condições normais ninguém faria isso. Sabe por quê? Porque a chance de dar errado é enorme.

6. O mundo parou

Não é possível ser produtivo neste período, pois o mundo parou. Não foram apenas os eventos presenciais que foram cancelados, praticamente tudo foi. Contratações congelaram, investimentos também. Ninguém sabe o que será depois que vencermos o vírus, mas a maioria espera uma onda de recessão e quebradeira por tanto tempo parado.

7. Ninguém é produtivo quando está com medo

Muitas empresas já entenderam que a segurança psicológica impacta diretamente na produtividade. Está todo mundo inseguro, pessoas com medo, a palavra coronavírus está presente em todas as conversas, em todos os canais, em todos os veículos. Só não está na conversa de bar porque não tem mais conversa de bar.

8. Ninguém relaxa

Independente do medo, as pessoas não pararam apenas de ir trabalhar. Elas pararam de fazer sua caminhada para o trabalho, de ir na academia, de jogar seu futebol, de ver seus amigos, de fazer o happy hour.

Mas, porém, contudo, todavia

Mesmo com todos esses pontos negativos, boa parte das empresas talvez já tenha percebido que, pelo menos em alguma escala, terá que adotar o trabalho remoto daqui para frente. As inteligentes estão aproveitando o experimento para tirar seus aprendizados.

Este texto não é para desanimar ninguém, é para alinhar expectativas. Seja qual for o resultado desse experimento, acredite, quando sua empresa e seus funcionários se prepararem para fazer isso direito, de forma estruturada, organizada, planejada, os resultados serão muito melhores.

Quando a crise acabar, você não precisa botar 100% dos funcionários 100% do tempo em casa. Você pode começar com 30% dos funcionários ficando 25% do tempo em casa. Um dia por semana, por exemplo. E aí ir ampliando até chegar no ponto certo.

Entender que, em momentos de crise, o trabalho remoto é a única opção, em momentos normais, é uma ótima opção.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.