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Renato de Castro

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quer saber se você vive em uma smart city? Veja se estas 6 áreas funcionam

Sawyer Bengtson/ Unsplash
Imagem: Sawyer Bengtson/ Unsplash
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Renato de Castro

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh, etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.

12/10/2021 04h00

Hoje, exploraremos certamente um dos pontos mais polêmicos do conceito das cidades inteligentes: como estratificar a cidade para melhor compreendê-la. Estudiosos e pesquisadores pelo mundo vêm tentando apresentar teorias acadêmicas que visam mapear nossas cidades para facilitar o próprio entendimento e aplicação dos conceitos de smart city.

Como já discutimos anteriormente em diversos textos, cidades são ecossistemas dinâmicos, estruturas vivas e complexas. Toda vez que tentamos simplificar para um entendimento mais universal, caímos na falácia de perder a visão do todo.

As conexões entre os diversos elementos da cidade não acontecem de forma matricial como pensávamos, mas sim no formato de redes neurais. The Neural, lembram?

Lembrem-se: estamos aqui tentando explicar por que nossas gloriosas e ilustres cidades inteligentes caíram durante a pandemia.

Nosso ponto de partida nessa jornada foi o DNA da cidade, que exploramos no texto anterior. Agora, precisamos estratificar nossa cidade para começarmos a entender o funcionamento dessas conexões neurais, assim como ocorre no nosso cérebro, onde temos 180 regiões em cada hemisfério, cada uma com sua função, mas funcionando juntas e com um nível altíssimo de interdependência.

No caso de nossas cidades, por incrível que pareça, uma das teorias mais completas na minha opinião é a chamada "The Smart City Wheel", originalmente desenvolvida pelo grupo europeu de pesquisas em cidades inteligentes da Universidade de Tecnologia de Viena.

Segundo o conceito, para serem considerados realmente inteligentes, os municípios precisam avançar em seis campos: governo, economia, ambiente, vida, mobilidade e pessoas inteligentes.

Dentro deles, um conjunto de soluções precisa ser criado, adaptado ou replicado e a colaboração e inovação inteligentes entre os principais stakeholders —governo, empresas privadas, instituições de ensino, terceiro setor e a sociedade civil organizada (principalmente os cidadãos)— são considerados fundamentais para o sucesso dos indicadores.

Conhecida mundialmente pela revisão e interpretação feita pelo meu colega professor PhD. Boyd Cohen, alguns projetos emblemáticos de cidade inteligente, como os de Hong Kong e de Cingapura, foram fortemente influenciados por essa teoria que tem a simplicidade como seu caráter mais relevante.

De forma brilhante, os seus idealizadores conseguiram expressar todas as possíveis áreas funcionais de uma cidade em somente seis dimensões, e vamos brevemente explorar cada uma delas aqui.

smart city Boyd Cohen - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Smart People (Pessoas)

Temos que lembrar que as cidades inteligentes são feitas para as pessoas e, por isso, é claro, elas estão no centro de qualquer estratégia desse tipo.

No "The Smart City Wheel", a abordagem humana cobre diversas fases da vida, da escolha de carreira e oportunidades de trabalho ao aprendizado em diferentes faixas etárias e grupos demográficos.

Participação, mente aberta e criatividade são pontos cruciais no desenvolvimento pessoal, que também tem grande associação ao desenvolvimento econômico de determinada região.

Smart Living (Convivência)

A inclusão social e digital de todos é fundamental para que as ferramentas disponíveis sejam utilizadas de forma adequada e, assim, colaborem na melhoria da saúde, cuidados para idosos, segurança, condições de habitação e edifícios inteligentes.

O uso em conjunto de novas tecnologias e metodologias visa torná-las mais acessíveis e melhores, impactando a experiência do cidadão em todas as áreas.

Smart Government (Governo)

Trata sobre a conexão e interação entre todos, corporações e indivíduos, e os órgãos governamentais. Quanto mais conectados, mais dados de análise as autoridades têm para rever e aprimorar, se necessário, a abrangência, qualidade e escopo dos serviços que oferecem aos cidadãos e empresas.

A ideia de "cidade como serviço", conceito que tem sido largamente aplicado nos serviços de tecnologia como Software-as-a-Service (SaaS), pode ser um importante aliado no aumento da eficiência, eficácia e transparência, o que reflete na confiança que diferentes stakeholders têm na municipalidade.

Smart Economy (Economia)

Tornar a economia mais forte é importante para todo o ecossistema. Assim, ao atrair investidores, empresas e talentos qualificados, a tendência é que a economia fique mais sólida e siga rumo ao crescimento e desenvolvimento.

Este pilar visa definir estratégias que suportem tais objetivos.

Smart Environment (Ambiente)

Além das pessoas, uma outra dimensão de extrema relevância é o ambiente inteligente.

O planejamento urbano que visa a melhoria da eficiência, diminuição do impacto ambiental e aumento da resiliência ganha destaque ao tratar corretamente da redução de emissões, bem como o gerenciamento dela, gerenciamento de água, redução de uso de resíduos e alcance de eficiência energética com o objetivo de diminuir o impacto ambiental.

Smart Mobility (Mobilidade)

O deslocamento é um fator relevante tanto para os indivíduos em trânsito, que são impactados diretamente pelo tempo de deslocamento, por exemplo, quanto para a sociedade como um todo, afinal, ter uma mobilidade mais barata, rápida e ecológica acaba afetando diversos outros setores.

Ademais, o transporte multimodal integrado ainda é um desafio para as cidades e apoiar esse tipo de iniciativa, seja ela pública ou privada, é importante para que novas formas de transporte, como veículos movidos a hidrogênio e veículos autônomos, se desenvolvam e agreguem mais a todo ecossistema.

Não é interessante notar que em algum momento todos os campos do "The Smart City Wheel" estão conectados de alguma forma? E é justamente isso que o The Neural aborda de forma objetiva ao defender a inter-relação entre as diversas verticais da cidade, ou pilares urbanos como chamamos no modelo, que compõe a quarta camada do modelo com as dimensões da teoria do professor Cohen.

Para entender em mais detalhes todas essas conexões, em nosso próximo texto, falaremos sobre a terceira camada do The Neural, as tecnologias fundamentais (ou de base), que é composta por hiperconectividade, infraestrutura distribuída e a capacidade computacional, essenciais para a construção de qualquer cidade inteligente.

Até lá, caso queira saber mais sobre nosso conceito, deixe seu comentário aqui.

Nos vemos semana que vem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL