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Pergunta pro Jokura

REPORTAGEM

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É verdade que as baratas sobreviveram à extinção dos dinossauros? Mas como?

Como uma barata seria capaz de sobreviver à queda de meteoro e suas consequências que levaram ao extermínio dos dinossauros? - Erik Karits/ Pexels
Como uma barata seria capaz de sobreviver à queda de meteoro e suas consequências que levaram ao extermínio dos dinossauros? Imagem: Erik Karits/ Pexels
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Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

11/04/2022 04h00Atualizada em 11/04/2022 16h15

É verdade que as baratas sobreviveram à extinção dos dinossauros? - Pergunta de Pietra Rocha, Magalhães Barata (PA) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

É muito verdade, cara magalhães-baratense. Em 2020, um grupo de cientistas encontrou as baratas mais ancestrais já conhecidas. A duplinha, descoberta bem preservada em âmbar —lembra de "Jurassic Park"?— em cavernas de Mianmar, teria vivido há 99 milhões de anos e, portanto, convivido com os dinos, sim.

As características morfológicas que tornaram Crenocticola svadba e Mulleriblattina bowangi (estes são os nomes que os pesquisadores deram para as tatatatataravós de todas as baratas) exímias escavadoras foram as responsáveis pela sobrevivência de suas descendentes quando o asteroide Chicxulub atingiu o planeta 66 milhões de anos atrás.

Como você já deve saber, a queda do Chicxulub se deu na península de Yucatán, no México, mas impactou toda a Terra. O extermínio dos dinossauros não-aviários —e de 75% de todas as espécies animais e vegetais do globo— não se deu somente pela força do impacto da colisão, que causou terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas. Essa hecatombe toda lançou tantos gases e fragmentos de rocha na atmosfera que uma densa nuvem se formou provocando uma escuridão mortal no planeta.

Estima-se que a luz do Sol ficou dois anos sem dar o ar da graça, inviabilizando o crescimento de plantas que eram fundamentais para a dieta de muitas espécies. Não era o caso das baratas, que comem de tudo, de pele morta até cocô. E restos mortais não faltaram depois da carnificina meteórica.

Mas antes de poder escolher que restos mortais degustar depois da catástrofe, elas tiveram que sobreviver ao calor gerado pelo evento. E é aí que a habilidade de escavar, herdada das tatatatataravós cavernosas recém-descobertas, salvou desde as cucarachas vizinhas à zona de impacto até as mianmarenses.

De acordo com o biólogo Brian Lovett, da West Virginia University (EUA), em artigo publicado no The Conversation, além de comer de tudo, a primeira característica fundamental para a sobrevivência das baratas à colisão do Chicxulub é o corpo achatado, que permite ao bicho atravessar frestas diminutas e se manter em minibolsões isolados termicamente.

E o design vem de berço (até antes disso): até os ovos das baratas vêm embalados numa espécie de estojo, que protege a prole ainda por nascer de impactos, predadores, água, seca, temperaturas extremas etc.

Por essas e outras, as baratas sobreviveram ao maior desastre natural conhecido neste planeta e vivem até hoje pelos quatro cantos dele —e nos recantos das casas também.

A imortalidade delas só não é páreo para uma chinelada certeira, com precisão e potência superiores aos de asteroides gigantes colidindo com a Terra.

Quando a morte é morrida, porém, e ela aparece no chão misteriosamente sem vida, já reparou que as baratas sempre morrem de barriga para cima? Clique aí e descubra por quê.

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