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Pergunta pro Jokura

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Por que o espaço sideral é escuro se há tantas estrelas emitindo luz?

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Imagem: Pexels
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Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

12/07/2021 04h00

Por que o espaço sideral é escuro se há tantas estrelas emitindo luz? - Pergunta de Ramiro Nero, de Mira Estrela (SP) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Caro mira-estrelense, para esclarecer essas questões óticas, astrofísicas e afins, costumo convidar o professor Cláudio Furukawa, do Instituto de Física da USP. Na aula de hoje, ele elucida, com a clareza de sempre, mais essa profunda e obscura questão do vasto espaço que rodeia nosso planeta.

"Uma região do espaço parece escura quando de lá não chega luz visível com intensidade suficiente para sensibilizar os nossos olhos. Mas, por que não chega luz visível até nós se no espaço há infinitas fontes de luz vindas por exemplo de galáxias e estrelas? Esta questão chamada de 'Paradoxo de Olbers', sempre intrigou os cientistas e ainda continua causando controvérsias", afirma Furukawa.

Ele explica que alguns fatores são decisivos para tornar o céu escuro durante a noite terrestre.

A maioria das galáxias e estrelas está muito longe daqui e a intensidade da luz que chega é muito pequena. A intensidade da luz decai com o inverso do quadrado da distância entre a fonte e o receptor de luz.

"Por exemplo, podemos ver a luz de um vagalume a dezenas de metros de distância, mas não a quilômetros de distância. Além disso, essa fraca luz é ainda mais atenuada quando atravessa as camadas da atmosfera da Terra", diz Furukawa.

Aliás, é justamente a atmosfera terrestre que torna o céu azul durante o dia por meio do fenômeno chamado de espalhamento da luz, que já explicamos aqui na coluna, também com a ajuda do professor.

De noite, porém, sem o espalhamento da luz solar na atmosfera, podemos ver o céu escuro e a luz vindo das estrelas, planetas etc. Por isso, se não houvesse a presença da atmosfera, o céu seria escuro mesmo durante o dia. É o que ocorre, por exemplo, na superfície lunar, que não tem atmosfera como a nossa. "O céu visto da Lua continua escuro mesmo durante a incidência da luz solar", diz o físico.

Além disso, apesar de haver infinitas galáxias e estrelas no espaço, os nossos olhos nos permitem ver um número finito desses pontinhos de luz. A densidade de galáxias e estrelas visíveis no cosmos é suficientemente baixa para termos regiões escuras no céu noturno.

Outro aspecto que contribui para a escuridão do espaço sideral é a expansão do Universo.

"As galáxias estão cada vez mais longe umas das outras. Não porque elas mesmas ou os corpos celestes estejam se expandindo, mas porque o tecido espaço-tempo está em expansão. Isto quer dizer que o espaço vazio entre as galáxias se expande em todas as direções, não tendo um centro ou periferia. As galáxias se afastam igualmente para todas as direções, não importando o referencial de observação", descreve Furukawa.

"E quanto mais longe está uma galáxia ou estrela daqui, mais rápido ela se afasta de nós."

Este afastamento causa outro fenômeno: o aumento do espaço "estica" o comprimento de onda da luz que se propaga nele.

"Por exemplo, uma estrela distante emitindo luz amarela, quando se afasta de nós em altas velocidades por causa da expansão do espaço, parecerá avermelhada ou talvez nem seja mais visível, pois o comprimento de onda será tão 'esticado' que poderemos estar recebendo ondas eletromagnéticas mais longas, na faixa do infravermelho, micro-ondas ou ondas de rádio, que são invisíveis para nós", acrescenta o físico.

"Por isso, além dos pontinhos claros visíveis na escuridão do céu terrestre noturno, há muitas outras radiações ou ondas eletromagnéticas vindas do espaço sideral que os nossos olhos não são capazes de detectar", conclui.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL