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Pergunta pro Jokura

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Qual foi a primeira pandemia? Caso pode até ser de uso de arma biológica

Kusal Darshana/ Pixabay
Imagem: Kusal Darshana/ Pixabay
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Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

24/05/2021 04h00

Qual foi a primeira pandemia? - Pergunta de Luara Torres, de General Carneiro (MT) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Tudo começou um tempo atrás —no século 14 antes de Cristo— onde atualmente fica a Turquia, cara generalcarneirense.

Conta a história antiga que os hititas —também chamados de heteus— foram acometidos por um surto infeccioso que ficou conhecido como a Praga dos Hititas.

Como há variados relatos de pragas na Antiguidade, esta coluna se baseou na definição de pandemia da Associação Internacional de Epidemiologia (IEA, na sigla em inglês), para cravar a Praga dos Hititas como a mais antiga.

De acordo com o Dicionário de Epidemiologia da IEA, pandemia é "uma epidemia que ocorre em todo o mundo, ou em uma área muito ampla, cruzando fronteiras internacionais e geralmente afetando um grande número de pessoas".

Há também controvérsia sobre qual teria sido a doença que se espalhou por regiões que hoje correspondem aos territórios de Egito, Chipre, Iraque, Israel, Síria e da própria Turquia.

As hipóteses são das mais variadas: varíola, peste bubônica, catapora e até uma enfermidade menos conhecida, a tularemia.

O que se sabe da doença, basicamente, está escrito em tabletes de argila que reproduzem as preces do soberano que liderou os hititas após muito tempo do surto: Mursilli II clamava aos deuses que revelassem a ele o motivo de tantas mortes entre seu povo ao longo dos últimos 20 anos— e como interrompê-las.

Tudo teria se originado a partir de uma bem-sucedida campanha militar do pai dele, Suppiluliuma, sobre o que hoje é o Líbano, mas que à época fazia parte do império egípcio.

Após a vitória, o patriarca levou vários egípcios cativos para seu reino. Os prisioneiros foram vetores da misteriosa doença. No fim das contas, o próprio Suppiluliuma foi vitimado pela Praga dos Hititas, assim como seu sucessor direto Arnuwanda, irmão de Mursilli II.

Uma tese curiosa, levantada pelo paleobiólogo italiano Siro Trevisanato, é que o que estamos considerando aqui como a primeira pandemia também pode ter sido o primeiro uso de armas biológicas da história.

Trevisanato propõe que a Praga dos Hititas fosse mesmo a tal tularemia, que causa feridas na pele, inflamação nos gânglios e até falência respiratória. Como a doença ocorre também em outros mamíferos, suspeita-se que os hititas tenham contaminado povos inimigos espalhando carneiros por territórios vizinhos hostis— não se sabe se propositalmente ou por acaso.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL