PUBLICIDADE
Topo

Pergunta pro Jokura

Qual foi o ano mais longo da história? E não, não foi 2020

Pch.vector/freepik
Imagem: Pch.vector/freepik
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

04/01/2021 04h00

Pergunta de Januária Lima, de Nova Roma (GO) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Parece, mas não foi 2020, cara novarromana. O ano mais comprido de todos os tempos aconteceu há mais de 2.060 anos, mais exatamente em 46 a.C, por obra e trapalhadas do Império Romano. Tanto que o período foi batizado de annus confusionis ("ano da confusão", em latim).

Herdamos do calendário de Roma o esquema de dividir em 12 meses o tempo que a Terra leva para dar uma volta ao redor do Sol —naquele tempo, eles achavam que era o Sol quem girava ao redor de nós. Este calendário era, até o governo de Júlio César, baseado nas fases da Lua.

Isso dava um desencontro danado conforme os anos passavam. Ao final dos 365 dias (e algumas horas) do ano solar, sempre havia um descompasso em torno de 10 dias entre o calendário lunar de Roma e o ano solar. Por isso, de tempos em tempos, os sacerdotes romanos adicionavam o mês intercalaris (ou mercedônio), entre fevereiro e março, para sincronizar os calendários, garantindo que as estações do ano ocorressem sempre na mesma época, por exemplo.

É mais ou menos como fazemos com os anos bissextos, adicionando um dia a cada quatro anos —tipo o pandêmico 2020. Ah, os anos com mercedônio tinham 377 ou 378 dias.

Só que a época que antecedeu a ascensão de Júlio César ao comando do império foi tão turbulenta que o tempo fechou e ninguém ajustou os calendários. A coisa desandou tanto que o imperador —que também era o pontífice máximo do império, o sacerdote dos sacerdotes— apelou para matemáticos e astrônomos gregos para inaugurar um novo calendário. O calendário juliano, com 12 meses, 365 dias e um ano bissexto a cada quatro anos, é a base do gregoriano, que usamos até hoje.

Júlio César deu o reset de uma vez só, acrescentando três meses ao bendito 46 a.C. e adotando as novas regras a partir de 45 a.C. E foi assim que, em vez dos 365 dias que nos acostumamos a contar, o ano mais longo já visto teve inigualáveis 455 dias.

Tem alguma pergunta? Deixe nos comentários ou mande para nós pelo WhatsApp.