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Pergunta pro Jokura

Quem é o cara que ficou rico em um país socialista ao criar o cubo mágico

Pixabay
Imagem: Pixabay
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

21/12/2020 04h00

Quem inventou o cubo mágico? - Pergunta de Isabel Pita, de Cubati (PB) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Foi o arquiteto e escultor húngaro Erno Rubik, cara cubatiense. O cara inventou este, que é o brinquedo mais vendido da história, aos 30 anos de idade, em 1974.

Em magiar (nome do idioma húngaro), aliás, o nome da engenhoca é rubik-kocka —pronuncia-se mais ou menos como "rúbi-côtsca"—, que significa nada mais do que "cubo de rubik", como ele é conhecido na maioria dos países.

Nos anos 1970, Rubik era professor de design de interiores em Budapeste e teve a ideia de combinar 26 cubinhos formando um cubo maior para usar nas aulas, trabalhando com os alunos sobre uma estrutura que permitia rotacionar e recombinar seus módulos sem desabar.

Ele pintou cada face de uma cor para visualizar as combinações possíveis e só foi se dar conta de que tinha criado um quebra-cabeças quando misturou as cores pela primeira vez e tentou reuni-las de volta, com uma cor em cada face. Sem saber, o húngaro criou um objeto com mais de 43 quintilhões de combinações possíveis (43.252.003.274.489.865.000, para ser mais exato). Se tivéssemos um cubo mágico para cada combinação, daria para cobrir a superfície da Terra 275 vezes. Não à toa, Rubik demorou algumas semanas para remontar seu cubo original, mas valeu a pena.

Em 1975, ele patenteou o brinquedo como "cubo mágico" e só em 1977 as primeiras unidades chegaram a algumas lojas de brinquedos de Budapeste.

Em 1979, o cubo de Rubik foi exibido em uma feira de brinquedos de Nuremberg, na Alemanha, e de lá já saiu com um contrato para ser distribuído internacionalmente. No ano seguinte, o puzzle foi exposto em feiras de Londres, Paris e Nova York e ganhou o mundo.

O sucesso de vendas e de popularidade foi estrondoso. No início dos anos 1980, o brinquedo vendeu centenas de milhões de unidades —a estimativa mais otimista é de 300 milhões— e virou um ícone: foi exposto no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), virou capa de revista, desenho animado na TV americana, objeto de estudos matemáticos avançados e tema de livros com métodos para solucioná-lo que também venderam milhões de cópias.

Naturalmente, Rubik enriqueceu, tornando-se um dos poucos indivíduos a se tornar milionário por meio de um empreendimento pessoal no antigo bloco socialista, de países aliados à União Soviética, durante a Guerra Fria. O cubo mágico foi uma espécie de unicórnio antes de o termo ser consagrado pelas startups tecnológicas.

Por fim, no auge da febre, houve também o primeiro campeonato de cubo mágico, organizado pelo Guinness Book, em Munique, Alemanha, em 1981. Os vencedores foram Ronald Brinkmann e Jury Fröschl, que resolveram o cubo em 38 segundos. No ano seguinte, Budapeste acolheu um campeonato mundial, vencido pelo vietnamita Minh Thai com o tempo de 22,95 segundos.

Quase 40 anos depois, a velocidade de resolução do cubo evoluiu de maneira espantosa. O recorde mundial atual é de 3,47 segundos, estabelecido em 2018 pelo chinês Du Yusheng, e você pode assistir a seguir. Só não pisca para não perder —leva menos tempo do que para ler essa frase completa...

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