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Quem inventou o canivete suíço?

Ilustração de canivete suíço da Wenger, que hoje faz parte da Victorinox - AP Photo/Wenger North America
Ilustração de canivete suíço da Wenger, que hoje faz parte da Victorinox Imagem: AP Photo/Wenger North America
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

23/09/2019 04h00

Quem inventou o canivete suíço?
Roger Oliveira, de São Paulo (SP)

Doutor, se eu não me engano, os bisavós da ideia foram os soldados do Império Romano, que inventaram de dobrar a lâmina de suas facas sobre o cabo para ficar mais fácil carregar. Foi só no século 18 que ingleses e franceses deram o salto evolutivo e começaram a desenvolver facas portáteis com vários instrumentos embutidos.

Mas nem sempre o pai é quem cria, e os suíços assumiram a paternidade dos canivetes multifuncionais a partir de 1897. Foi quando o cuteleiro Karl Elsener patenteou um modelo com seis ferramentas e ofereceu o invento para o exército de seu país - que já era cliente de Elsener e de outros colegas. As forças armadas recusaram a oferta, mas Elsener seguiu fabricando o seu "canivete para oficiais".

Em 1908, os militares suíços dividiram o fornecimento de facas entre a companhia de Elsener (futura Victorinox) e a Wenger, que também passou a fabricar o canivete multifuncional. Havia uma linha para uso militar, os Soldatenmesser, e outra que, mesmo sendo comercializada para civis, foi batizada como "facas do exército suíço" (swiss army knives, em inglês). Marketing afiado que fez sucesso desde o começo. A diferença é que a Victorinox oferecia o canivete suíço "original" e a Wenger, o "genuíno".

Em 1909, para evitar a pirataria, o governo suíço autorizou o uso do brasão de armas do país - um escudo com a cruz-símbolo da bandeira nacional - nos canivetes da Victorinox e da Wenger. A ideia deu certo e as duas marcas ganharam popularidade década após década, até conquistar fama global a partir da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Em 2005, a Victorinox comprou a Wenger e manteve as fábricas separadas até 2013, quando a produção dos canivetes "originais" e dos "genuínos" foi integrada.

Hoje, outros países fabricam canivetes com mais funções e até com estilos mais arrojados que os suíços, mas nem assim ameaçam comercialmente os modelos originais. "O canivete suíço virou lenda por causa do incomparável corte do seu aço inox (utilizado a partir de 1921), da racionalidade do repertório de ferramentas e da extrema funcionalidade da maioria delas", explica o arquiteto Carlos Alexandre, ex-professor da FAU-USP e colecionador deste símbolo da terra de seu xará Federer, doutor Roger.

Um exemplo da praticidade do canivete suíço: o SwissChamp, um dos clássicos da Victorinox, tem 33 utilidades. Se você comprasse separadamente todas as ferramentas dele, teria que carregar cerca de 3 kg, contra 185 g do canivete. E olha que estamos falando de um modelo modesto. Há canivetes suíços com muito mais funções - o recorde é de 141 -, alguns deles com relógio, altímetro e até maçarico.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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