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Qual é o elemento mais "inútil" da tabela periódica?

Já ouviu falar dos elementos superpesados? - Getty Images
Já ouviu falar dos elementos superpesados? Imagem: Getty Images
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

24/06/2019 04h00

Pergunta enviada por Guilherme Taylor, em Campinas (SP)

"Inútil" é um pouco forte, né, Taylor? Como me disse Henrique Eisi Toma, do Instituto de Química da USP, "não existe elemento inútil, pois a limitação não está no elemento; está em nossa capacidade de entendê-lo para saber onde aplicar".

Que tal falarmos, então, de elementos "menos solicitados para finalidades práticas"? Assim conversamos num tom mais política e quimicamente correto.

Se você tiver uma tabela periódica aí pertinho, dê uma olhada em tudo que está depois do califórnio. Os elementos cujo número atômico (que indica a quantidade de prótons no núcleo de um átomo) é maior que 98 têm tantos prótons, que são conhecidos como elementos superpesados.

Eles praticamente não são encontrados na natureza. O mais comum é serem criados em aceleradores de partículas por meio da colisão de átomos de outros elementos. Essa não ocorrência na natureza se dá por serem muito instáveis, com meias-vidas que variam de alguns minutos a frações de segundos --a exceção é o dúbnio, que pode durar mais de um dia sem decair.

Ou seja, do einstênio ao oganessônio, são 20 elementos químicos artificiais, que só são observados em laboratório - produção em larga escala nem pensar. "Se formos pensar em preços, provavelmente estes seriam os elementos mais caros do planeta, pelo custo envolvido em sua produção", completa o professor Toma.

Todas essas dificuldades acabam fazendo dos elementos superpesados, por ora, um fim em si mesmo: são produzidos para serem estudados. Tanto eles bastam a si mesmos, que sugiro que o próximo elemento a ser criado, com número atômico 119, seja batizado de narcísio em vez de ununênio - nome que já está reservado para quando ele nascer.

Mas não há inutilidade nenhuma nisso, repito. Quem me ampara nesse pensamento é o professor Peter Tiedemann, do Instituto de Química da USP, ao afirmar que, "embora os superpesados sejam apenas curiosidades para químicos, são muito interessantes para físicos, pois permitem compreender aspectos importantes da estrutura da matéria". Elementar, meu caro Taylor.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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