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Pedro e Paulo Markun

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quem jogou boliche na vida real se dá melhor no jogo em realidade virtual?

No boliche, ter pernas e calçados é fundamental, mas o que acontece no metaverso onde seu avatar não tem nada da cintura para baixo? - Divulgação
No boliche, ter pernas e calçados é fundamental, mas o que acontece no metaverso onde seu avatar não tem nada da cintura para baixo? Imagem: Divulgação
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Pedro Markun e Paulo Markun

Pedro Markun é hacker e ativista pelos dados abertos, pai da Maria e da Tereza e trabalha com transparência e participação política. Criou o Laboratório Hacker, o Ônibus Hacker e o Jogo da Política. É autor dos livros para crianças "Quem Manda Aqui?" e "Eleição dos Bichos", além de desenvolvedor Python, fuçador de Arduino e um entusiasta do futuro. Paulo Markun é jornalista e escritor, tem três filhos e quatro netas. Nasceu em 1952 e é jornalista desde 1971. Já fez de tudo um pouco (jornal, revista, rádio, televisão e internet), criou veículos de comunicação, dirigiu outros tantos. Agora, na casa dos 70 anos, Oculus no rosto, busca as portas de entrada para a terra prometida pela tecnologia que, espera, não será apenas dos nativos digitais.

Colunistas do UOL

19/03/2022 16h52

Quem gosta de boliche tem uma alternativa curiosa nesses tempos de pandemia: jogos em Realidade Virtual, disponíveis para quem dispõe de um Oculus Quest.

Há vários aplicativos. Pedro e Paulo testaram o ForeVR Bowl. A empresa foi fundada pelos dois veteranos da indústria de games, que conseguiram 1,5 mlhões de dólares de financiadores e em dez meses montaram o jogo com uma equipe de dez pessoas.

A dupla acha que o mercado de realidade virtual está entrando num novo estágio, graças à popularização dos Oculus e quer traduzir os jogos mais populares e clássicos da "vida real" para o mundo virtual.

Começaram justamente com um jogo em que pernas, pés e calçados são fundamentais e transplantaram a experiência para um terreno onde avatares não tem nada abaixo da cintura.

Mas é preciso reconhecer: a experiência funciona. O aplicativo custa cerca de 20 dolares, que é também o preço que Pedro pagou para jogar por uma hora, em uma pista real com outras 6 pessoas, em um shopping de São Paulo.

No mundo virtual, cada jogador precisa do seu próprio aplicativo - e do seu Óculos - embora exista um modo onde pessoas no mesmo ambiente podem compartilhar o Òculos, cada um jogando na sua rodada.

Entrando no app é possível juntar os amigos, usar uma sala particular e bater papo durante o jogo. Uma jukebox virtual nada mais é do que uma interface para o Youtube repleto de clássicos dos anos 80.

Paulo teve alguma dificuldade. Primeiro porque seu espaço em Lisboa tem cômodos diminutos, se comparados com os padrões brasileiros ou americanos e ao desenhar o guardião, isto é o espaço em que é possível se movimentar no mundo físico quando se está com os Oculus no rosto e portanto, incapaz de evitar cadeiras, mesas e outros objetos, as restrições cobraram seu preço. Foi preciso entender melhor a lógica do teletransporte, que todo avatar pode utilizar, antes de alcançar as bolas e lançá-las rumo aos pinos.

Há um tutorial bem fácil, mas quem consegue completar o tutorial, se o barato é jogar...

Paulo jogando ForeVR Bowl - Acervo Pessoal - Acervo Pessoal
Paulo jogando ForeVR Bowl
Imagem: Acervo Pessoal

No jogo você começa com três bolas distintas, com pesos e propriedades diferentes que fazem elas 'rolar' de maneira distinta pela pista virtual. Além das três iniciais, existem centenas de outras que podem ser encontradas ou trocadas por pontos no próprio jogo conforme você avança.

O jogo é ao mesmo tempo mais fácil e mais difícil que um boliche de verdade - embora cada bola se comporte de uma maneira, não há peso e a força dispendida ao lança-las importa pouco. O que não quer dizer que não seja necessário habilidade e destreza para fazer os lançamentos.

Na partida, Pedro levou a melhor, embora só tenha feito um único Strike. Talvez porque na semana anterior, ele tenha ido a um Boliche para apresentar o jogo para sua filha de 10 anos, com direito a sapato e batata frita.

Paulo chegou a frequentar um salão de boliche em Santo Amaro, o Gran Boliche, que tinha 20 pistas e os pin boys - rapazes que arriscavam o couro recolocando os pinos entre um lance e outro - e por vezes, alvo da incompetência dos jogadores.
O salão, que começou nos anos 60, durou até 1996. Antes dessa época, o esporte era pouco praticado no Brasil. Mas sua origem é antiga. Uma versão não confirmada diz que um arqueólogo inglês teria encontrado na década de 1930, uma tumba de 3.200 a.C. de uma criança egípcia com pinos e bolas que poderiam ser de um jogo, talvez até um tipo de boliche primitivo.

Outra lenda diz que guerreiros de tribos antigas divertiam-se após as batalhas, usando os ossos das coxas de seus inimigos como alvos a serem atingidos. Os crânios eram lançados, colocando-se o polegar e outros dedos nas cavidades dos olhos.
Na Polinésia existe um jogo chamado "ula maika", que é um dos mais antigos esportes de bolas arremessadas, sendo considerado um irmão do bocha - este sim, um esporte enrsaizado no Brasil, graças à imigração italiana.

No campo da ficção, tanto os Flintstones quanto os Jetsons jogavam boliche, numa demonstração clara de como o esporte é difundido nos Estados Unidos. Nos últimos anos, diminuiu o número de salões de jogo, mas ainda assim, havia 2791 no ano passado.

Existem, claro, muitas diferenças entre a experiência real e a virtual, mas a impresao é que fica é que de existe espaço para as duas - sobretudo para quem como, Pedro e Paulo, estão separados por um oceano de distância.