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Letícia Piccolotto

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em 2021, govtechs consolidaram papel no combate a desafios globais e covid

Lara Jameson/ Pexels
Imagem: Lara Jameson/ Pexels
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Letícia Piccolotto

Letícia Piccolotto especialista em gestão pública pela Harvard Kennedy School, presidente da Fundação Brava e fundadora do BrazilLAB, primeiro hub de inovação que conecta startups com o poder público. Em 2020, foi a única brasileira na lista das 20 principais lideranças mundiais em GovTech da Creators, laboratório de inovação sediado em Tel Aviv (Israel).

01/01/2022 04h00

Há três anos escrevo no Tilt e já se tornou uma feliz tradição registrar aqui um balanço sobre a agenda govtech a cada ano que se encerra. Trago para esse espaço um hábito de toda uma vida: refletir sobre o que passou como uma forma de me preparar para o que ainda virá. Escrever sobre o ano de 2020 foi extremamente desafiador e posso dizer que o mesmo acontece agora, ao falar sobre o que vivemos em 2021.

O segundo ano da pandemia foi igualmente intenso, surpreendente e memorável. Fico feliz em dizer que, ao contrário de seu antecessor, ele foi também mais esperançoso: a vacinação contra a covid-19 se tornou uma realidade para o Brasil e, com ela, tivemos a oportunidade de vislumbrar um futuro no qual a pandemia possa não mais existir.

Esse feito monumental —produzir uma vacina eficaz e segura em pouco mais de um ano— talvez seja o primeiro registro desse ano que se encerra. Afinal, vivemos tempos de profundas transformações, mas também de grandes avanços para a ciência que, mesmo com tantos insistindo em desqualificá-la, segue sendo nosso guia frente às incertezas.

E diante do avanço exponencial da tecnologia e inovação, o dilema do século cada vez se torna mais evidente: não nos faltará capacidade para criar novas soluções, mas sim ética e justiça para aplicá-las.

Afinal, sabemos que a pandemia é um fenômeno global e que o seu fim só acontecerá quando todos os países tiverem à sua disposição vacinas em quantidade suficiente, mas isso ainda não é uma realidade. Segundo a plataforma "Our World in Data", em dezembro de 2021, apenas 8,1% das pessoas em países de baixa renda haviam recebido uma dose da vacina.

O ano de 2021 também nos trouxe a urgência climática e ambiental. Especialistas apontam que estamos em uma encruzilhada: se nada for feito agora, os resultados podem ser catastróficos e nossa chance de existir no planeta se torna comprometida.

Ao longo do ano, foram diversos os fóruns e eventos para discutir o tema, sendo que a COP26, ou Conferência do Clima das Nações Unidas, foi o principal deles.

O evento reuniu milhares de lideranças, pesquisadores e ativistas e teve desdobramentos fundamentais —falei sobre a minha participação na COP26 aqui.

Não há dúvidas de que estamos cada vez mais sensibilizados sobre a urgência do tema; resta saber o quanto a perspectiva de um futuro tão sombrio se converterá em potência para que possamos agir, rever nossas práticas e firmar um compromisso efetivo em defesa do planeta.

As transformações no mundo do trabalho foram um outro legado trazido pelo ano de 2021. A forma de trabalhar, que já havia sido revista pela pandemia, com a inclusão do trabalho remoto, foi a primeira dessas mudanças.

Com ela, surgem também questionamentos sobre qual deve ser o futuro do trabalho: que profissões devem surgir, que habilidades serão essenciais e, principalmente, como podemos nos preparar para o que ainda virá.

Ainda estamos longe de encontrar todas as respostas, é verdade, mas também nunca antes falamos tanto sobre o tema, inclusive, refletindo sobre como essas novas tendências devem impactar os servidores públicos.

De uma coisa podemos estar certos: a tecnologia será uma certeza e as habilidades humanas —ética, empatia, resiliência e cooperação— seguirão sendo fundamentais.

Não poderia terminar esse texto sem registrar que o ano que se encerrou foi absolutamente transformador para as govtechs.

O primeiro grande acontecimento do ano certamente foi a aprovação do Marco Legal das Startups, uma legislação há muito aguardada e que, mesmo com suas limitações, traz novas possibilidades para a aquisição de soluções produzidas por startups pelo setor público.

As govtechs também se consolidaram como importantes aliadas no combate aos desafios globais deste século, com suas soluções sendo aplicadas no combate à pandemia e no enfrentamento à mudança climática.

Foram vários os exemplos de como o empreendedorismo de impacto pode ser um caminho frutífero para um futuro no qual devemos buscar desenvolvimento compartilhado ao invés de crescimento exacerbado.

Começamos 2022 com os legados do ano que se encerra. Que possamos ser melhores, fazer o melhor e progredir, juntos. Feliz ano novo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL