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Letícia Piccolotto

Startups evoluem durante a pandemia para levar soluções aos governos

pch.vector/Freepik
Imagem: pch.vector/Freepik
Letícia Piccolotto

Letícia Piccolotto especialista em gestão pública pela Harvard Kennedy School, presidente da Fundação Brava e fundadora do BrazilLAB, primeiro hub de inovação que conecta startups com o poder público. Em 2020, foi a única brasileira na lista das 20 principais lideranças mundiais em GovTech da Creators, laboratório de inovação sediado em Tel Aviv (Israel).

19/12/2020 04h00

Se a transformação digital no setor público era somente uma tendência, com a pandemia de coronavírus ela passou a ser uma realidade inadiável.

A agilidade, precisão e efetividade que o setor público necessitava em um momento de profunda crise só se tornaram possíveis com a incorporação de soluções tecnológicas nas mais diferentes áreas, de saúde a assistência social.

Tendo fundado o BrazilLAB e trabalhando há quase cinco anos com o ecossistema de govtechs no país, já era evidente o potencial que essas empresas de base tecnológica têm para transformar o setor público nos seus desafios mais complexos.

Por isso, não foi surpresa quando pudemos acompanhar as startups de nossa rede desenvolvendo soluções específicas para apoiar os governos locais a enfrentar os efeitos da crise. Foram muitos os casos, como pude relatar aqui na coluna. Mas nós sabíamos que era possível e necessário ir além.

Foi o desejo de potencializar essa força latente e transformadora das startups govtech que nos motivou a criar o Programa Força-Tarefa Covid-19. A iniciativa buscou mapear e acelerar soluções de startups, pequenas e médias empresas que pudessem enfrentar os problemas causados pela pandemia em três principais áreas: educação, inclusão produtiva e digitalização do setor público.

Foram 217 soluções inscritas, vindas de 18 estados do Brasil e quatro países. Tivemos a oportunidade de acelerar 30 delas ao longo de cinco meses de trabalho, em um programa 100% online que envolveu a participação de centenas de especialistas, gestores públicos, mentores e entusiastas da pauta govtech em diversas atividades — de mentorias coletivas, passando por roadshows virtuais até a participação no maior evento de inovação pública da América Latina, a Semana de Inovação 2020 da ENAP.

O programa também foi um marco porque demonstrou a maturidade do ecossistema govtech. Das startups inscritas, 73% já tinham um negócio consolidado ou em escala, enquanto 48% já haviam vendido suas soluções para governos. Esses foram os melhores índices em quase cinco anos de BrazilLAB.

No dia 16 de dezembro, o Força-Tarefa Covid-19 chegou ao fim. As startups finalistas participaram do Demoday, o evento final que tinha como objetivo selecionar as três vencedoras. Hoje, celebro e compartilho com você o resultado desse esforço.

Educação, inclusão e governo digital

A pandemia de covid-19 impactou de diversas formas todas as dimensões de nossa vida. Mas os três temas selecionados para a Força-Tarefa foram os que sentiram os maiores efeitos:

  • Segundo estimativas da Unicef, mais de 95% das crianças estiveram fora da escola na América Latina e no Caribe devido à pandemia de coronavírus;
  • A pandemia destruiu 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil até o mês de maio;
  • e a crise mostrou a relevância de um governo 100% digital, especialmente para garantir a implementação de uma de suas principais medidas, o auxílio emergencial, que, graças ao aplicativo da Caixa Econômica Federal, foi o responsável por garantir que os mais de 65 milhões de brasileiros pudessem receber o benefício governamental.

Seis startups foram as finalistas do programa. Foram elas:

  • A Árvore, que tem o propósito de democratizar e disseminar o acesso à leitura de forma dinâmica, atualizada, sustentável e econômica, por todo o país através da flexibilidade da tecnologia;
  • A LYS Aprendizagem Simplificada, que desenvolve planos de aula com linguagem empática, motivacional e prática, com vídeos curtos (cerca de 3 minutos), incentivando que o jovem reflita e desenvolva projetos de vida;
  • A Shopping do Cidadão, solução integrada de atendimento ao cidadão;
  • A Dados Legais, uma plataforma automatizada para gestão dos direitos dos titulares de dados;
  • A Jovens Gênios, que atua na área da educação e, a partir do uso de algoritmos de inteligência artificial, permite individualizar o aprendizado e a gamificação para torná-lo mais divertido para os alunos;
  • E a Schoolastic, uma Inteligência artificial 100% desenvolvida com finalidade educacional, capaz de gerar indicadores sobre o desenvolvimento de competências e habilidades de estudantes.

No Demoday, elas puderam apresentar suas soluções para uma banca composta por gestores públicos, investidores, especialistas e acadêmicos das áreas de tecnologia e governo. Você pode acompanhar como foi o evento aqui.

Computadas as notas, chegou a hora do anúncio. E as três grandes vencedoras foram: Árvore (1º lugar), Shopping do Cidadão (2º lugar) e Jovens Gênios (3º lugar).

A premiação reconhece a trajetória das startups e, principalmente, os avanços alcançados ao longo do programa de aceleração, mas é importante ressaltar, como bem disse Guilherme Dominguez, cofundador do BrazilLAB, todas as organizações são grandes vencedoras e, principalmente, têm grande potencial para transformar a sociedade brasileira. Ganhamos todas e todos.

O final do ano marca também o fim da Força-Tarefa Covid-19. Mas ele também é só o começo.

E as razões para celebrar são diversas. As startups aceleradas passam a ser embaixadoras da pauta govtech e representam um portfólio de soluções viáveis e de impacto que podem ser incorporadas por cidades de todo o país. Elas mostram como a pauta de transformação digital no governo tem ganhado espaço e não terá mais volta.

Além disso, BrazilLAB completa um ciclo de mais de 100 startups aceleradas e a certeza de que a parceria entre força empreendedora e setor público é capaz de construir uma sociedade mais justa e próspera.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL