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Helton Simões Gomes

Apesar da cara de velho, iPhone 12 esconde arma secreta no processador

Divulgação/Apple
Imagem: Divulgação/Apple
Helton Simões Gomes

Jornalista com mais de 10 anos de experiencia na cobertura de ciência e tecnologia, com passagens por Folha, Band e TV Globo. Vencedor do prêmio CNI de Jornalismo de 2013.

Colunista de Tilt

20/10/2020 04h00

Na semana passada, a Apple deu dois saltos durante o lançamento dos novos iPhones 12. No design do aparelho, a empresa regrediu exatos sete anos. No quesito potência do celular, a companhia deixou concorrentes comendo poeira.

Como a primeira coisa que se vê em um celular é o seu visual, você deve ter visto por aí — em Tilt, inclusive — críticas à falta de inovação da empresa. Talvez a impressão mude quando o primeiro aplicativo puder ser visto em funcionamento no iPhone 12. A diferença entre as pedras voando e a chuva de elogios é a revolução microscópica na computação, que chegará ao mundo dentro do celular da maçã.

Para quem não viu, a Apple apresentou sua nova linha de smartphones que incluem:

  • Quatro versões: iPhone 12 Mini (5,4 polegadas), iPhone 12 (6,1 polegadas), iPhone 12 Pro (6,1 polegadas), iPhone 12 Pro Max (6,7 polegadas). De cara...
  • ... Você pode ver que o chassi, antes arredondado, ficou quadradão, parecido com o iPhone 5s, de 2013. Ainda assim...
  • ... Os novos modelos são mais finos e menores do que o iPhone 11. Fora isso...
  • ... A capacidade de se conectar ao 5G finalmente foi incluída nos iPhones. Eles vêm com pelo menos duas câmeras -- na versão Pro, são três. O trunfo dos sensores, porém...
  • ... É o scanner LiDAR, que melhora a capacidade dos celulares de mapear a profundidade de uma cena. Mas...
  • ... O que deixou applemaníacos sem condições de defender a Apple foi a decisão de não incluir fone de ouvido e carregador na caixinha do iPhone, sob o pretexto de reduzir o impacto ambiental do lixo eletrônico.

A revolução mesmo, porém, é o que está dentro dos iPhones 12.

O processador dos aparelhos é o primeiro de 5 nanômetros do mundo. É algo tão pequeno que os transistores têm apenas 25 átomos de largura. E isso aumenta e muito o poder do aparelho.

A Apple promete, por exemplo, que os iPhones serão capazes de editar vídeos em 4K sem que isso assassine a bateria. Há poucos anos, a simples ideia de um chip desses era algo impraticável para especialistas em computação.

Era tão impensável que tinha muita gente dizendo que a incapacidade da indústria reduzir ainda mais o tamanho dos chips colocava em risco a Lei de Moore, aquela de que o poder dos processadores dobra a cada 18 meses. Empresas como a Microsoft e IBM já estavam às voltas com um mundo pós-Lei de Moore, tanto que andavam apostando em novas arquiteturas de processamento. Aí veio a Apple.

Não é bem assim, mas está quase lá

Okay, não dá para dizer que empresa da maça vai salvar sozinha um dos pilares da computação. Mas ela está lutando fortemente para ser uma das salvadoras.

Acontece que os chips de 5 nanômetros são confeccionados por uma máquina que usa um complicado processo de corte a laser. E essa engenhoca é feita só por uma única empresa no mundo, a holandesa ASML. E, entre seus acionistas, estão Apple, Samsung e Intel.

É possível que esses processadores ridículos de pequenos sejam cruciais para aparelhos da Internet das Coisas, como relógios e outros sensores diversos, ficarem pequenos a ponto de se incorporarem à paisagem. Por isso, já é possível prever que o iPhone 12 esconde um pouquinho do poder de computação que estamos por ver no futuro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.