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Felipe Zmoginski

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Domínio tech na Terra está por trás do projeto chinês de colonizar Marte

Robô chinês Zhurong inspeciona superfície de Marte - AFP PHOTO / CNSA
Robô chinês Zhurong inspeciona superfície de Marte Imagem: AFP PHOTO / CNSA
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Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.

15/09/2021 04h00

Pesquisadores da Universidade de Beihang, na China, apresentaram esta semana um projeto de colonização para Marte. O programa, liderado pelo professor de ciências aeroespaciais Xu Xu, exibe, passo a passo, como o país pretende construir aeronaves capazes de transportar até 10 mil pessoas a cada ano para o planeta vermelho.

No programa, um engenhoso sistema de uso de combustível feito à base de magnésio, em parceria com pesquisadores japoneses, resolve um antigo problema para pousos na superfície marciana.

Como a atmosfera do planeta é pobre em oxigênio (e rica em dióxido de carbono) os combustíveis usados aqui na Terra são ineficientes para "proteger" grandes espaçonaves da gravidade marciana no delicado momento de pousar no solo vermelho.

O programa é, por óbvio, uma perspectiva de futuro, quase uma carta de intenções. Mas carrega em si o simbolismo de colocar o país ao lado de russos, americanos e europeus na vanguarda das pesquisas espaciais, com a diferença de que a China busca ultrapassar estas nações, já que executa um programa espacial próprio e não um em colaboração com as potências ocidentais, como ocorre entre os sócios da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

O projeto chinês de colonização de Marte aponta para 2045 o ano em que naves estarão prontas e seguras para levar seres humanos para viver fora da Terra.

Os voos hipersônicos, em velocidades superiores a 6 mil quilômetros por hora, vão demorar até seis meses para chegar a seu destino. Um enorme sacrifício, sem dúvidas, a ser enfrentado pelos pioneiros.

O desdobramento destas pesquisas consiste em gerar conhecimento e novas tecnologias aeroespaciais que possam ser usadas, antes, por aqui mesmo, neste planeta.

Na mesma apresentação, o professor líder do projeto exibiu planos para estrear, até 2035, aeronaves capazes de viajar em velocidades hipersônicas, com até dez passageiros, sobre a Terra. Na prática, isto permitiria fazer voos de qualquer local para qualquer local da Terra em, no máximo, 1 hora.

A aplicação hipersônica deve ter pouco uso civil em seus primeiros anos de vida, mas abre espaço, por exemplo, para o desenvolvimento de novos veículos militares.

É verdade que em 14 anos os "rivais" da China também farão muitos progressos. Mas o esforço revelado com o "projeto Marte" reforça o que até as pedras da Grande Muralha já notaram: a China entende que dominar ciclos avançados de tecnologia é sua melhor estratégia para manter-se relevante frente às demais civilizações.

Na condição de mais longeva civilização sobre a Terra (outras, mais antigas, como egípcios e fenícios deixaram de existir como tal), o plano da China é permitir que seu povo e sua cultura existam por, pelo menos, mais 5 mil anos. Nem que para isso seja preciso alojar-se em outro planeta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL