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Felipe Zmoginski

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Por que caminhão autônomo está se desenvolvendo mais do que carro na China?

Caminhões autônomos da Inceptio: investimentos mais fáceis de justificar - Divulgação/Inceptio
Caminhões autônomos da Inceptio: investimentos mais fáceis de justificar Imagem: Divulgação/Inceptio
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Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.

11/08/2021 04h00

Andar em um carro autônomo está longe de ser uma experiência futurista na China. Em grandes cidades como Pequim e Xangai, a empresa líder em transporte solicitado via app, a Didi, opera uma centena de carros que dispensam motoristas.

Os veículos de passageiros autônomos não têm autorização para rodar por toda a cidade, mas desde 2019, podem fazer percursos com passageiros de verdade, se a rota não envolver avenidas centrais das duas metrópoles.

Na sede do Baidu, big tech líder em buscas na web e detentora de uma tecnologia de automação de carros chamada Apolo, em Pequim, qualquer turista ou pessoa mais atenta pode ver os carros autônomos da empresa circulando pelos quarteirões próximos.

Apesar do avanço técnico e da mídia que atraem, os carros autônomos voltados para passageiros são considerados uma "tecnologia em atraso" no país, já que tanto as vendas comerciais quanto o avanço da legislação local de trânsito não permitiram, ainda, que tais veículos deixassem o status de excentricidades tech na paisagem para se tornarem parte do cotidiano chinês.

Segundo um relatório divulgado esta semana por um órgão federal equivalente ao ministério dos Transportes, a tecnologia de automação no transporte está avançando mais rapidamente no setor de caminhões e transporte de carga. Há um ano, havia no país 5 mil veículos autônomos de grande porte autorizados a circular. Agora, já são 11 mil caminhões de carga sem motorista.

O avanço —comparativamente mais rápido que o progresso no uso de veículos de passeio autônomos— deve-se a motivos técnicos e econômicos. Do ponto de vista técnico, justifica o relatório, é mais fácil liberar veículos que possuem uma trajetória linear previsível. Ou seja, sairá do terminal A, na cidade X, por exemplo, e estacionará no pátio B, da cidade Y.

Ao contrário de carros de passeio, que podem fazer percursos variados pelas cidades, os caminhões possuem rotas muito bem definidas. Este critério permite programar o algoritmo de direção para tomar as decisões necessárias de forma mais controlada.

Do ponto de vista financeiro, os valores envolvidos no transporte de cargas pesadas são muito maiores, portanto, justificam mais facilmente os investimentos necessários para tornar "autônomo" um caminhão.

Na maior parte dos casos, os caminhões partem de terminais de carga de forma autônoma e seguem sem motorista até o destino final, caso o transporte também termine em um terminal fora dos perímetros urbanos. Quando a carga precisa trafegar em perímetros urbanos, um motorista humano entra no caminhão, por exigência legal.

Segundo o relatório, a adoção de caminhões autônomos tem elevado a eficiência no transporte - -á que as máquinas não precisam parar para descansar— e diminuído o número de incidentes, como desrespeito a leis de trânsito e a ocorrência de acidentes.

Os dados positivos empolgaram fundos de investimento e grandes empresas de logística a colocar mais recursos em empresas que desenvolvem "robotrucks", como são apelidados no país. Nesta semana, a startup Inceptio anunciou o aporte de US$ 270 milhões feito pela JD Logistics, a segunda maior empresa de logística da China.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL