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Felipe Zmoginski

REPORTAGEM

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Kwai amplia operação no Brasil e estreia na Argentina, Colômbia e México

A avó do JP Venâncios, no Kwai - Reprodução
A avó do JP Venâncios, no Kwai Imagem: Reprodução
Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.

Felipe Zmoginski

23/04/2021 09h17Atualizada em 23/04/2021 14h16

A Kuaishou, empresa por trás do aplicativo de vídeos curtos Kwai, principal rival do TikTok no mundo, estreou esta semana operações na Argentina, Colômbia e México, além de ampliar sua equipe no Brasil, com contratações para seu escritório em São Paulo. A expansão do Kwai no continente ocorre em um momento em que a empresa está capitalizada, após uma bem-sucedida abertura de capital na bolsa de Hong Kong. Atualmente, a companhia supera os US$ 130 bilhões em valor de mercado.

A popularidade do app no país é crescente, apesar de o segmento contar com um rival já consolidado, o TikTok. Segundo Mariana Sensini, diretora do Kuaishou no Brasil, só entre maio e julho de 2020, período agudo da pandemia de Covid, o app ganhou 20 milhões de novos usuários no país. Segundo Mariana, a pandemia tem estimulado os brasileiros isolados em casa a procurar novas formas de entretenimento digital. "No dia 10 de maio, por exemplo, tivemos 500 mil brasileiros inscritos no Kwai em 24 horas", diz Mariana. No total, a empresa registra uma média de 26 milhões de usuários ativos por mês no país, isto é, o número de pessoas que abriu o app pelo menos uma vez para ver vídeos nos últimos 30 dias.

Atualmente, criadores de conteúdo contam com um modelo de receita chamado de "gorjetas" em que podem receber doações de fãs e seguidores. Alguns criadores usam também a plataforma para fazer publicidade para marcas, modelo consagrado por "influenciadores digitais" de todas as plataformas. No momento, no entanto, não há divisão de receitas publicitárias entre geradores de conteúdo e a plataforma, como existe em outros canais digitais, como o YouTube, por exemplo.

Esta semana, a empresa estreia sua primeira campanha de mídia no Brasil, com comerciais em TV aberta e a cabo. O investimento é uma novidade, já que tradicionalmente empresas de internet da China optam por anúncios digitais, o chamado "marketing de performance", em que se mede continuamente o dinheiro investido versus o número de novos usuários conquistados, por exemplo. Segundo Mariana, para crescer em diferentes áreas do país e tornar o app mais conhecido e popular, no entanto, fez sentido a opção por fazer publicidade na TV.

Entre as estrelas da campanha do Kwai está JP Venâncios, um usuário que amealhou mais de 2,4 milhões de seguidores ao gravar vídeos curtos ao lado de sua avó, Francisca, de 70 anos. A diretora do Kwai no Brasil contesta a ideia de que apps de vídeos curtos são populares apenas entre adolescentes. "Atingimos todas as idades, nosso público é muito diverso, embora haja uma concentração de usuários na faixa etária acima dos 20 anos", diz.

Ao contrário do rival TikTok (chamado de Douyin, na China), o Kuaishou não possui operação nos Estados Unidos, o que tem deixado a empresa a salvo de notícias negativas e ameaças de bloqueio, como ocorreu com o rival em função da tensão na política externa entre Estados Unidos e China. Até por isso, crescer na América Latina parece um caminho preferencial para o Kwaishou.