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Felipe Zmoginski

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Veja quanto a Huawei cobra para cada celular usar sua patente 5G

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Imagem: Freepik
Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.doras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas.

São Paulo

25/03/2021 04h00Atualizada em 25/03/2021 13h29

Você já disse, em uma mesa de bar, que os produtos chineses são cópias baratas e que as empresas de lá não respeitam os royalties e a propriedade intelectual das companhias estrangeiras? Bem, dependendo do ano em que você fez tal afirmação, você disse uma verdade. Mas se ela foi feita nos últimos anos, muito provavelmente é falsa.

Há um mês, por exemplo, a Huawei abriu um processo contra a americana Verizon por quebra de patentes. A telecom americana é acusada de embarcar em seus dispositivos ao menos 12 tecnologias criadas e patenteadas pela desenvolvedora chinesa que, aliás, é a líder mundial em conectividade 5G.

De todas as patentes reconhecidas pela UIT, um órgão internacional subordinado às Nações Unidas que regula telecom, mais de 3 mil foram criadas pela Huawei.

Esta semana, o diretor de propriedade intelectual da Huawei, Ding Jian, anunciou que a companhia cobrará US$ 2,50 por dispositivo que embarcar suas patentes 5G.

É claro que os fabricantes podem escolher não usar as tecnologias da Huawei, mas, de acordo com consultorias independentes, ao menos 18% dos recursos mínimos para o 5G funcionar adequadamente são da empresa chinesa.

A Huawei pretende buscar acordos amplos, em que a compra do direito de usar "tecnologias essenciais" e "todas tecnologias" 5G da empresa não terá preços muito distintos.

Na prática, no atual câmbio, é como se nos milhares de reais que você paga por um iPhone ou Galaxy S20 com conectividade 5G, você destinasse uns R$ 13 ou R$ 14 para a Huawei.

Com a cobrança, a empresa chinesa deve arrecadar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão a cada 12 meses, até as patentes caírem em domínio público ou, mais provável, entrarem em desuso graças a ascensão de uma nova tecnologia. O valor compensa os anos de investimento em pesquisa e desenvolvimento financiados, sob o risco de não dar certo, pela Huawei.

Mesmo assim, considerando que todo custo ao final é repassado para nós, consumidores, US$ 2,50 parece muito, não?

Bem, vejamos.

A Nokia comunicou, no início deste ano, que planeja cobrar 3 euros por dispositivo que embarque suas tecnologias 5G, o que dá uns US$ 3,57.

Já a Ericsson planeja pedir algo entre US$ 2,50 em mercado emergentes (como o Brasil e a China) e até US$ 5 em mercados avançados, como a Suécia, sede da empresa.

Os preços cobrados pelo uso das patentes 5G em smartphones e dispositivos conectados são apenas um pedaço da história. Na outra ponta, grandes empresas de telefonia também devem pagar royalties.

Eis aí um dilema para as autoridades brasileiras que planejam os leilões 5G em nosso país. Devemos optar pela tecnologia mais barata e eficiente ou por fornecedores de boa qualidade, é verdade, mas que não são líderes e não têm as features mais avançadas, além, é claro, de cobrarem mais caro?

Se fosse você, na hora de escolher seu novo smartphone, qual opção você marcaria?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL