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Felipe Zmoginski

Do sol artificial ao 5G, veja 5 tecnologias que bombarão na China em 2021

HL 2ª Tokamak, reator chinês de fusão nuclear chinês - Reprodução/Xinhua
HL 2ª Tokamak, reator chinês de fusão nuclear chinês Imagem: Reprodução/Xinhua
Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.doras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas.

30/12/2020 04h00

Ao longo de 2020, este blog descreveu como o reconhecimento facial revolucionou o mercado de pagamentos na China, como os carros e robôs autônomos substituíram humanos em funções críticas no auge da pandemia de covid-19 ou como a disputa comercial entre americanos e chineses afetou nosso dia a dia no consumo de itens de tecnologia.

Neste que é o último post do ano, gostaria de pontuar cinco tecnologias chinesas que devem registrar forte expansão ao longo do próximo ano —período em que (espera-se) nossas vidas voltarão a algo mais próximo do que chamamos de "normalidade".

Blockchain eliminará burocracia e desafiará padrão-dólar

O Banco do Povo da China estreou, em 2020, sua criptomoeda soberana, o renminbi digital, que gradualmente vem sendo adotada por sua população habituada com pagamentos digitais, um item onipresente no país. Diversos órgãos públicos, como prefeituras, hospitais e escolas passaram a trafegar documentos em blockchain para validar plantas de imóveis, aprovar a concessão de benefícios ou validar contratos. Esta tecnologia —mais rápida, barata e segura— deve diminuir radicalmente a burocracia que o cidadão chinês enfrenta em seu dia a dia, elevando sua produtividade.

Na economia, o uso de criptomoeda com lastro, aos poucos, deve se tornar o padrão entre quem faz comércio internacional com a China, já que o método elimina taxas de bancos e tem compensação imediata. Na prática, isto retira dos Estados Unidos o poder de manipular seu câmbio para defender seus interesses econômicos antes uma China cada vez mais competitiva.

Novas fontes de energia incluirão até "sol artificial"

Fábrica do mundo, a China é, paradoxalmente, o maior poluidor e maior investidor global em energias limpas. O país lidera, por exemplo, o uso de automóveis movidos a energia elétrica e tem metrópoles, como Shenzhen, em que todos os ônibus e táxis movem-se sem usar uma gota de petróleo. Tem a maior hidroelétrica do mundo (Três Gargantas é maior que Itaipu) e a maior produção de energia eólica.

Este ano, o país concluiu com sucesso a criação de seu primeiro "sol artificial", isto é, seu gerador de energia por fusão nuclear. Não confundir com fissão nuclear, usada em usinas como Angra, no Brasil, ou Fukushima, no Japão. A fusão do núcleo de átomos gera maior quantidade de energia que outras formas já descobertas pelo homem e não deixa resíduos tóxicos ou radioativos, como a fissão nuclear ou queima de hidrocarbonetos. O primeiro reator do tipo, em caráter experimental, o HL 2ª Tokamak, funciona na província de Sichuan.

As máquinas vão conversar com você. Se você falar chinês, claro

Linguagem natural não é exatamente uma tecnologia nova. Já falamos com o Google, a Siri e a Alexa diariamente. Esta tecnologia, porém, ainda vive sua infância, uma vez que há muitas falhas de comunicação e o repertório de respostas e dados, obtido por aprendizado de máquina, ainda é modesto. Na China, parte em função da grande população e da baixa proteção à privacidade dos dados, estes mecanismos evoluíram mais rapidamente e se disseminaram por mais lugares, como lojas de varejo, redes de serviço e, claro, robôs de atendimento ao consumidor.

Tecnologias imersivas para consumo, saúde e educação

A pandemia de covid e a dificuldade em reunir as pessoas presencialmente ajudou a fazer decolar soluções imersivas, que consistem no uso de óculos de realidade virtual ou equipamentos completos para permitir sensação tátil, térmica, sonora e, claro, visual.

Para muitos especialistas, a China tornou-se um "laboratório" do uso destes recursos em soluções para educar crianças. Elas ensinem, por exemplo, a "caminhar" por dentro do corpo humano, em uma aula de ciências, ou permitem que consumidores visitem virtualmente um imóvel que pretendem comprar. O método é visto como o "passo seguinte" da onda de "live commerce", fenômeno que varreu o país em 2020.

Conectividade 5G será motor de digitalização chinesa

Principal detentora das patentes para construção de redes 5G, a China deve fechar 2020 com 50 milhões de usuários acessando diariamente as redes ultrarrápidas e uma cobertura que já supera 200 milhões de pessoas. O planejamento das teles chinesas é que, em mais três anos, 1 bilhão de consumidores assinem planos do tipo. Mais do que dar conforto aos usuários, a expansão do 5G está permitindo a popularização de veículos autônomos, robótica de lojas de varejo e um boom de internet das coisas que conduz a digitalização da economia local.