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André Noel

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Área de T.I. tem grande potencial de promover a inclusão; veja iniciativas

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André Noel

Andre Noel é programador, webcartunista, autor do Vida de Programador, professor universitário (UEM e Unicesumar), youtuber e sabe pregar botões em roupas.

02/10/2021 04h00

Existem palavras que soam de forma igual para todo mundo, mas existem palavras que soam de uma forma muito diferente para diferentes pessoas. A palavra "inclusão" é uma dessas, que pode soar de forma muito diferente caso você seja uma pessoa que precisa dela ou caso não precise.

Nos últimos dias estou começando em uma empresa nova de educação, estou lendo muito e recebendo um grande número de informações. Como dizem carinhosamente, estou "bebendo água de um hidrante". Isso tem me feito tirar um tempo para refletir em vários aspectos de nossa carreira.

Felizmente, é uma empresa bastante preocupada com a inclusão e com a diversidade, mas vai além de apenas questões de contratação. Há uma preocupação grande em empoderar as pessoas para que possam construir o seu futuro e buscarem um espaço no mercado de tecnologia.

Se você parar para observar, a área de T.I., especificamente a área de desenvolvimento de software, é uma área ótima para promover a inclusão. É uma área que inclui as pessoas naturalmente? Não, mas tem um grande potencial e boas pessoas batalhando por isso.

Para criar programas de computador você precisa apenas de duas coisas: um editor para escrever o código e um compilador (ou interpretador) para transformar o código em um programa executável.

É claro que subentende-se que você precisa também de um computador e de conhecimento em alguma linguagem de programação. Portanto, é uma área que exige pouco investimento inicial para você se capacitar.

Também é um conhecimento que não exige nenhuma característica específica das pessoas, podendo ser exercido por pessoas de diferentes corpos, diferentes situações, pessoas com deficiências diferentes e com grande possibilidade de inclusão.

Além disso, é uma área com muito a crescer, porque o número de sistemas que utilizamos em nosso dia a dia, nas empresas, nos governos, nos equipamentos e em diversos aspectos da vida só tende a crescer. É uma área onde a quantidade de vagas de empregos está crescendo e dificilmente será totalmente preenchida.

Isso tem possibilitado a inclusão de pessoas das mais diferentes origens e dos mais diferentes formatos. Tem sido uma opção para pessoas com poucos recursos poderem encontrar boas oportunidades, tem sido uma opção para pessoas com muitos anos de carreira mudarem de área e embarcarem na tecnologia e também tem sido uma boa oportunidade para pessoas de diferentes minorias encontrarem o seu lugar e a sua voz.

Para facilitar essa ponte e criar essa inclusão, existem diversos grupos e iniciativas voltados a minorias para capacitá-los em programação, como iniciativas para ensinar mulheres na programação, iniciativas para negros, iniciativas para pessoas LGBTQIA+, iniciativas para trabalho com periferias, entre outras.

Como são várias as iniciativas, não vou citar aqui, mas vou deixar links no final do texto para vocês conhecerem.

E aqui eu quero voltar ao que comentei no começo, sobre a palavra "inclusão" trazer uma certa estranheza a quem não precisa dela.

No decorrer da minha carreira, eu (que tenho aquele combo homem cis branco classe média) passei por diferentes momentos em relação a essa percepção de inclusão.

Comecei a carreira percebendo que havia poucas mulheres na área e me convenci, rapidamente, que elas não se interessavam por programação. Depois fui descobrindo as dificuldades que o ambiente criava para elas e o quanto elas tinham que batalhar a mais para conquistar seu espaço.

No decorrer da carreira, principalmente pelos contatos e amizades que fiz com o Vida de Programador, conheci pessoas ótimas que batalham pela igualdade de oportunidades e pela diversidade.

Lembro de ver iniciativas para balancear o números de homens e mulheres palestrantes em eventos e tive aquele pensamento tradicional: "mas será que incluir mulheres é mais importante do que focar no lado técnico das pessoas?"

Felizmente, logo percebi que é claro que incluir as pessoas em qualquer contexto é sempre mais importante do que a tecnologia. Pessoas são sempre mais importantes do que a tecnologia. Se não incluirmos todas as pessoas não vale a pena o que estamos criando com a tecnologia.

De tudo isso, sabendo que eu nunca passei pela dificuldade e pelo preconceito que muitas pessoas passam, aprendi que a empatia, mesmo que uma simples tentativa de se imaginar no lugar do outro, é algo poderoso para trazer oportunidades às pessoas.

Trazer mais pessoas a aprender programação e possibilitá-las a trabalhar em um bom mercado de trabalho, junto com pessoas de todos os tipos, é algo que pode impactar muito a sociedade e trazer um pouco mais de igualdade.

Nem entrei muito no sentido de como tratamos as pessoas e como criamos um ambiente inclusivo, mas ainda há muito a se falar sobre isso.

Olhe para o lado, veja o seu time. Se não tem muitas diferenças, batalhe para trazê-las. As diferenças nos fazem bem.

Uma ótima semana a todos.

Conheça as iniciativas de inclusão:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL