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André Noel

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Galera tenta ditar regras do que o programador deve fazer até com seu corpo

Freepik
Imagem: Freepik
André Noel

Andre Noel é programador, webcartunista, autor do Vida de Programador, professor universitário (UEM e Unicesumar), youtuber e sabe pregar botões em roupas.

03/07/2021 04h00

Eu sou, dentre outras coisas, um programador, aquela pessoa que "programa programas" de computador. De uns tempos para cá, o termo "desenvolvedor" passou a ser mais utilizado, ele dá um sentido mais completo, você desenvolve uma solução e isso envolve mais do que a programação. Na prática, acabam sendo usados como sinônimos.

E é daí que surge o diminutivo "dev", que vem de "developer", inclusive esse diminutivo conta até com uma versão feminina "deva" (que alguns também dizem que é uma junção de "dev" com "diva").

Definição de programador - Vida de Programador - Vida de Programador
Imagem: Vida de Programador

O que eu preciso saber para ser um programador? Bom, não existe um caminho único, não existe uma rota em comum, porque um programador pode trabalhar em muitas áreas diferentes da programação e o conhecimento pode variar muito. Nem mesmo há um curso (superior ou não) exigido para se tornar um programador. Em linhas simples, um programador é alguém que sabe programar.

É claro que quanto mais completa a sua formação e o seu conhecimento na área é melhor, mas você acaba formando a sua carreira pela sua experiência, você aprende as tecnologias que precisa utilizar, você utiliza as tecnologias no dia a dia e os muitos anos de experiência é que te fazem "dominar" aquelas tecnologias.

Por isso, é difícil colocar os "devs" em caixinhas. Não dá para dizer o que um programador tem que saber na vida ou ditar regras e exigir que todos os devs se encaixem.

Nem mesmo o velho estereótipo de programador nerd, barrigudo e viciado em café é unanimidade (apesar de eu me encaixar no estereótipo). Existem devs de todos os tamanhos e formatos.

Basicamente, talvez a única coisa que possamos "exigir" de um dev é que ele saiba programar, consequentemente, que ele saiba a lógica de programação, que é, basicamente, saber pensar de uma forma lógica que é a forma com que os computadores "pensam".

Apesar de tudo isso que foi colocado, quase que diariamente aparecem pessoas (ou empresas) querendo ditar as regras do que um dev deve ou não deve fazer, o que também acaba conhecido como a "treta dev do dia" no Twitter.

Confesso que não acompanho todas e muitas vezes só fico sabendo depois que acabou, mas vi que até com a lógica de programação tentaram implicar nos últimos dias…

Em geral, as pessoas confundem recomendações ou crenças pessoais como regras gerais, acreditando que um programador tem que fazer algo ou não pode fazer algo, simplesmente porque ele ou ela fez (ou não fez) e deu certo.

Vamos tirar os devs das caixinhas, vamos deixar o dev ser feliz!

Na última semana houve um movimento interessante no Twitter que foi iniciado graças a uma tentativa de ditar regras (no Twitter, "ditar regras" tem outro nome).

Sem citar nomes de ninguém, até porque não conversei com os envolvidos sobre a escrita desse texto, uma pessoa implicou com uma "deva" (no caso, "DBA") porque ela postava fotos sensuais dela mesma e tinha orgulho do seu corpo e de suas tatuagens.

Como a deva em questão é bem resolvida e não achou que devia seguir as regras ditadas por um estranho, ela postou esse caso no Twitter e isso desencadeou um movimento que recebeu a hashtag #DevsPelades, onde vários devs e devas postaram fotos suas de seus corpos, da forma em que quiseram (o que já justifica eu não ter colocado o link aqui para não escandalizar ninguém :D).

Nós já demos bons passos para evoluir a área de T.I. como um todo, já conseguimos (em partes) tirar o mito de que é uma área só para homens, que é algo só para quem tem dinheiro, há um bom movimento de inclusão de todos na área, daí não tem razão de criar caixinhas e dizer que os desenvolvedores precisam ser todos do mesmo formato.

Vamos valorizar a profissão, o conhecimento, a ciência, o profissionalismo e vamos aproveitar todas essas diferenças que temos entre nós para trazer um entendimento mais completo sobre a vida e o mundo, sem contar que essas diferenças tornam tudo mais interessante, desde as tediosas reuniões de trabalho até o happy hour (mesmo que online, por causa do distanciamento).

E antes de ditar regras para alguém, lembre-se do que disse Abraham Lincoln em seu perfil do Twitter:

"É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida."

Tá, não tinha Twitter na época, mas ele disse isso. Ou não, porque tem site que diz que não foi ele, mas é uma boa frase.

Cuide-se e tenha uma boa semana (se quiser, não estou ditando regras).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL