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Amor? Sabia que existe a relação ideal entre programador e suas ferramentas

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Imagem: Freepik
André Noel

Andre Noel é programador, webcartunista, autor do Vida de Programador, professor universitário (UEM e Unicesumar), youtuber e sabe pregar botões em roupas.

19/09/2020 04h00

Todo profissional de T.I. assina um termo invisível, no começo da carreira, onde ele concorda em se manter para sempre atualizado e estudando, sob o risco de ficar fora do mercado, ou pior, se tornar gerente.

Nas diferentes áreas de T.I., utilizamos diferentes ferramentas e elas são muito importantes para o nosso trabalho. Essas ferramentas podem mudar, de acordo com o problema ou mesmo de acordo com o momento. Por isso, queria ressaltar dois aspectos do uso dessas ferramentas.

1. Conheça as suas ferramentas

Em partes, esse texto de hoje foi inspirado pela lembrança dessa tirinha abaixo que me enviaram há um tempo e eu traduzi.

O profissional de T.I. e as suas ferramentas - CommitStrip.com - CommitStrip.com
O profissional de T.I. e as suas ferramentas
Imagem: CommitStrip.com

Utilizamos muitas ferramentas no dia a dia: ferramentas de comunicação, de escritório, de edição de imagens, de programação, etc. É importante conhecer bem as ferramentas que você usa no cotidiano. Além disso, como diz a tirinha, o seu computador como um todo é uma grande ferramenta que você precisa dominar.

É claro que não vamos saber tudo sobre todas as ferramentas, mas as mais utilizadas devem ser conhecidas e exploradas, para não te deixar na mão e também para te dar mais agilidade em seu trabalho.

Faz nove anos e meio que trabalho desenhando tirinhas no Vida de Programador. Eu sempre tive uma dificuldade grande para desenhar, mas com o tempo fui melhorando no próprio conhecimento das ferramentas. Atualmente, as pessoas comentam que gostam de me ver desenhando nas lives por ser rápido e utilizar bem a ferramenta de desenho. A prática e o aprendizado de diferentes recursos me deixou muito mais rápido do que eu era no começo.

Quando falamos especificamente em programação, você tem as linguagens e as IDEs como ferramentas. É importante conhecer as funcionalidades e os recursos de cada um, isso para não ficar toda vez reinventando a roda. Muitos recursos estão ali para te fazer economizar tempo e esforço. Você não precisa, por exemplo, reimplementar a estrutura de listas encadeadas se a sua linguagem já lhe fornece a implementação.

2. Não se apegue tanto a uma ferramenta

Programar é uma das coisas mais legais que existem. Quando você entra de cabeça em um código e começa a digitar as maravilhas que estão passando pelo seu cérebro, você entra em uma espécie de transe como um poeta escrevendo um lindo poema ou um pintor criando uma obra de arte. Isso faz com que a programação seja algo apaixonante.

Quando vemos, acabamos nos apaixonando também pelas nossas ferramentas, pela linguagem, pela IDE? Até pelo gerenciador de versões. E como acontece em toda paixão, nos causa uma enorme estranheza quando o outro não consegue enxergar a perfeição que estamos vendo.

Então, o desenvolvimento de uma paixão platônica (porque a sua ferramenta não o ama de volta) gera a criação de fã-clubes, discussões acaloradas e até mesmo brigas passionais. Note que há uma diferença grande entre comunidades ou grupos de usuários para fã-clubes, não é a mesma coisa.

Isso, na verdade, não é algo totalmente ruim, é algo que muitas vezes ajuda a realçar os pontos fortes de uma ferramenta e a divulgação dela. Mas, como sempre, o ruim é o exagero.

As ferramentas servem como um apoio para o seu trabalho, elas não são o objetivo final. Eventualmente, elas podem ser substituídas. Fica fácil de pensar se compararmos com o trabalho de um marceneiro: ninguém o contrata para usar o martelo e o serrote, o contratam para criar um móvel, por exemplo.

Imagine esse mesmo marceneiro com seu serrote favorito. Ele o usou por 20 anos e tem um carinho todo especial pelo serrote. Mas o serrote não corta mais, mesmo depois de muitas amolações e restaurações. Ele vai continuar tentando usar o mesmo serrote ou vai trocar por um novo? E ele pode ganhar muito mais produtividade ao usar uma tico-tico ou uma serra de mesa (não sei ao certo o nome dessa serra).

Vez ou outra ouvimos a história de profissionais que deixaram a T.I. porque se especializaram muito em uma ferramenta, mas hoje ela não é mais tão relevante. Fique aberto a conhecer novas ferramentas. Voltando ao exemplo do marceneiro, ele não consegue construir um guarda-roupas somente com um serrote.

Para ajudar, vou deixar aqui um vídeo que falei a respeito disso, mas especificamente sobre as linguagens de programação.

Cuide da sua carreira, conheça bem suas ferramentas e seja feliz!

E, se puder, fique em casa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.