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Alessandra Montini

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O funcionário é feliz no emprego? Dados ajudam empresas a gerenciar pessoas

Pixabay
Imagem: Pixabay
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Alessandra Montini

Apaixonada por dados e pela arte de lecionar, a professora doutora Alessandra Montini tem muito orgulho de ter criado na FIA cinco laboratórios para as aulas de Big Data e Inteligência Artificial. Mestre em estatística aplicada pelo IME-USP e doutora pela FEA-USP, já ganhou mais de 60 prêmios de excelência acadêmica e possui mais de 20 anos de trajetória nas áreas de Data Mining, Big Data, IA e Analytics. Hoje é diretora do LABDATA-FIA, orienta alunos de mestrado e doutorado na FEA-USP, coordena grupos de pesquisa no CNPq e é parecerista da FAPESP.

21/11/2021 04h00

Já falei diversas vezes aqui na coluna em como os dados são hoje o novo petróleo. Não sabemos mais viver, tomar decisões, lançar novos produtos e serviços sem interpretar uma quantidade valiosa de informações que são coletadas diariamente.

Só conseguimos isso por conta da transformação digital que nos trouxe uma série de soluções tecnológicas que nos beneficia. E posso afirmar ainda que ela mudou até mesmo a gestão de pessoa dentro das empresas.

Estou falando de people analytics, um processo de coleta, organização e análise de dados sobre o comportamento dos colaboradores, com o intuito de contribuir para a tomada de decisão em uma empresa, antecipando tendências e aprimorando a estratégia.

As organizações estão, cada vez mais, se conscientizando que os seus colaboradores são os recursos mais valiosos que elas têm. Portanto, é necessário entender o que torna cada pessoa motivada, produtiva e feliz no ambiente de trabalho.

Depois de quase dois anos de home office, os dados podem dizer muita coisa sobre a possibilidade da retomada. Já parou para pensar nisso?

Se ainda não, é hora de rever.

O people analytics funciona da seguinte maneira. Primeiro, a empresa colhe, organiza e analisa os dados de cada pessoa da empresa de forma estratégica. Essas informações serão usadas na tomada de decisão, com o objetivo de melhorar o desempenho da equipe e, consequentemente, aumentando o valor da organização.

Dessa maneira, fica mais fácil identificar quem são os colaboradores que vem se destacando, os que possuem determinadas habilidades, aqueles que têm espírito de liderança e também os que precisam de uma mãozinha para se desenvolver profissionalmente.

Além disso, qualquer problema com a equipe ou até mesmo uma insatisfação dentro das empresas são melhores resolvidos pela área de recursos humanos quando há informações valiosas em mãos.

Apesar de todas essas vantagens, existe muito a ser explorado com essa inovação.

Em 2017, a consultoria mundial PwC divulgou o resultado de uma pesquisa com 183 empresas a respeito do uso do people analytics em seu contexto. Somente uma minoria (18%) afirma que sua alta administração está adotando os dados para a tomada de decisão.

Outra pesquisa relevante na área é a Tendências Globais de Capital Humano 2018 da consultoria Deloitte, feita com mais de 11 mil líderes de RH e gestores.

O relatório revela que o people analytics é considerada uma tendência muito importante de ser seguida (ficando em segundo lugar entre os citados, com 85% de respostas). Entretanto, 45% das organizações ainda não se sentem prontas a implementar essa estratégia em sua realidade.

Sendo assim, percebemos que o people analytics ainda não caiu totalmente no gosto da maioria das empresas. No entanto, ele será uma ferramenta cada vez mais necessária, principalmente, no cenário atual que estamos vivendo.

Com a pandemia e o distanciamento social, perdemos a convivência com os colaboradores, o que torna o retorno presencial ainda mais desafiador. Por isso, usar os dados para entender cada pessoa poderá ser muito benéfico nesse período. As empresas não podem ignorar uma ferramenta tão importante.

Nos próximos meses, acredito que essa ferramenta será uma grande tendência dentro das organizações. Ela será usada cada vez mais para entender a retomada dos colaboradores ao modelo presencial, híbrido ou até mesmo para dar continuidade ao home office. Além disso, para reter talentos, usar o people analytics será o caminho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL