Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
Ficou mal sem WhatsApp ou Facebook? Então reavalie quem é você sem as redes
A gente sempre se pergunta: o que aconteceria se o mundo parasse? Até tivemos uma amostra grátis dessa sensação com a pandemia do novo coronavírus devastando todos os países, o que fez com que o mundo físico desse uma pausa.
Mas e se o universo online também parasse? Tenho certeza que reinaria a bagunça e o caos. Essa constatação não é só minha, mas é o que de fato aconteceu quando, recentemente, o WhatsApp, o Facebook, o Messenger e o Instagram sofreram uma pane interna e ficaram fora do ar por aproximadamente 7 horas.
Juntas, essas redes sociais somam mais de 3 bilhões de usuários ativos que sofreram e se lamentaram por não conseguirem acessar suas contas, seja para colocar uma foto ou enviar uma mensagem durante esse episódio. Tudo isso mostra o tamanho do estrago.
Afinal, a crise causada pelo covid-19 fez com que a gente passasse ainda mais tempo na internet e, inclusive, nas redes sociais. Segundo uma pesquisa da Kantar, marca especializada em pesquisa de mercado, Facebook, WhatsApp e Instagram tiveram um crescimento de uso de 40% durante a pandemia.
Se não podíamos sair para ir a um shopping, por exemplo, estava ali um influencer que daria as principais dicas de moda, traria algumas tendências e ainda poderíamos causar qualquer aglomeração nas conversas pelos chats.
Acontece que o mundo paralelo, de repente, nos viciou e, às vezes, nem sabíamos que estávamos tão dependentes. Mas bastou uma "queda" das redes para que a gente percebesse isso.
Para ter uma ideia, um levantamento feito pela consultoria Arquimedes, a pedido da CNN, mostra que pelo menos 2,5 milhões de brasileiros mencionaram o nome do WhatsApp, no Twitter, durante a pane. Ou seja, esse público, assim como eu, estava em desespero sem esses aplicativos.
Isso é normal?
Na verdade, tal acontecimento escancarou a magnitude da nossa dependência. Essas redes são quase tudo para muita gente. Não sabemos mais viver um minuto ou algumas horas sem esses serviços, já que perdemos a noção de como nos comunicamos.
Aliás, isso vale, inclusive, para as empresas que confiaram toda a troca de mensagem com seu público por meio dessas redes. Muitas empresas perderam vendas, receberam inúmeras reclamações e não atenderam com o devido cuidado os seus clientes. Tudo isso porque apostaram apenas nesses canais de comunicação.
Vale destacar que as tecnologias devem ser nossas aliadas e usadas para nos servir. A partir do momento que nós é quem a servimos, é hora de acender o sinal de alerta. Afinal, tudo que é em excesso pode trazer prejuízos significativos.
Já percebeu que algumas pessoas já não sabem fazer um simples passeio sem postar uma foto no Instagram, um trajeto sem usar o Waze ou anotar seus compromissos sem o auxílio da inteligência artificial do smartphone? Nestes casos, o uso do smartphone não é uma conveniência, mas sim uma questão de sobrevivência.
Essa dependência pode causar vários efeitos colaterais. Além de não conseguir realizar tarefas antes feitas sem o auxílio dos aplicativos, a pessoa pode ficar mais suscetível a apresentar episódios de ansiedade, depressão, insônia e impulsividade.
Ouvi relatos de colegas que não conseguiram fazer mais nada enquanto o Facebook, o Instagram e o WhatsApp ficaram fora do ar. Outros tiveram episódios de fúria.
Se você se sentiu assim, é hora de repensar seu papel com a tecnologia e, principalmente, com essas redes. Existem hoje aplicativos gratuitos que mostram quanto tempo você gasta na internet ou nas redes sociais. Este é um dos primeiros "tratamentos" para esse tipo de vício. Limitar o uso pode ajudar a não se sentir totalmente dependente.
Ficar algum tempo sem o celular ou desativar as notificações também ajudam. Afinal, nessas horas, é possível fazer outra atividade e, caso tenha outro episódio em que tudo fique fora do ar, saberá que existe outras possibilidades.
Não há fórmula mágica, já que estamos experimentando o universo online cada vez com mais intensidade.
O segredo está em equilibrar os prazeres que as ferramentas tecnológicas proporcionam com o mundo real. Aproveite os recursos para tornar o dia a dia mais prático, fácil e divertido, mas use o bom senso.
Do que adianta ter tudo isso e virar escravo de uma convivência social que, vez ou outra, pode falhar e te deixar na mão?
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