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Alessandra Montini

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Tem um profissional que as empresas querem muito, mas não acham. É você?

fauxels/ Pexels
Imagem: fauxels/ Pexels
Alessandra Montini

Apaixonada por dados e pela arte de lecionar, a professora doutora Alessandra Montini tem muito orgulho de ter criado na FIA cinco laboratórios para as aulas de Big Data e Inteligência Artificial. Mestre em estatística aplicada pelo IME-USP e doutora pela FEA-USP, já ganhou mais de 60 prêmios de excelência acadêmica e possui mais de 20 anos de trajetória nas áreas de Data Mining, Big Data, IA e Analytics. Hoje é diretora do LABDATA-FIA, orienta alunos de mestrado e doutorado na FEA-USP, coordena grupos de pesquisa no CNPq e é parecerista da FAPESP.

24/03/2021 04h00

Estamos lidando com uma situação inédita do mercado: nunca houve tantos dados e informações disponíveis, dos quais precisamos interpretar, entender, destrinchar, dominar e ter controle. Tudo isso faz parte do dia a dia de qualquer empresa que busca se destacar.

No entanto, em meio ao volume de dados que as companhias têm nas mãos, os executivos estão saindo à caça de profissionais que saibam entender as potencialidades dos dados disponíveis. O que eles não esperavam é que, mesmo com a constante procura, não há talentos para ocupar os cargos que estão em aberto.

Essa não é uma particularidade do Brasil, mesmo com o anúncio há alguns anos de que profissionais de big data e inteligência artificial faziam parte das carreiras que estariam em alta no futuro, pelo mundo afora há uma falta latente desses talentos.

Em 2018, só nos Estados Unidos, estava previsto um déficit de cerca de 190 mil profissionais com conhecimento e competência para atuar com exploração de dados, de acordo com pesquisa do McKinsey Global Institute (MGI).

Um levantamento realizado pela GeekHunter, startup de consultoria, referência em recrutamento de profissionais de TI, mostrou que o total de vagas abertas no setor de tecnologia da informação em 2020 teve um aumento de 310%. E, de acordo com dados do Banco Mundial, até 2024 haverá a criação de, aproximadamente, 420 mil novas vagas de emprego na área.

De acordo com a pesquisa, o cientista de dados será uma das grandes apostas para os próximos anos, com formação específica em várias faculdades do país.

Nesse cenário, as habilidades técnicas contam muito para exercer o cargo, mas para lidar com dados, ainda é preciso ir além.

Este profissional precisa ser proativo para resolver os problemas complexos que sempre vão aparecer e assumir uma posição de parceiro do negócio. Caberá a ele apresentar as informações lapidadas aos tomadores de decisão, para que sejam definidas as estratégias a partir desses resultados.

O cientista de dados trará previsões para criar, melhorar ou descontinuar um produto ou serviço. Com a ajuda desse profissional, todas as decisões não serão mais realizadas com "achismos", aposta ou feeling, mas sim baseada em dados. Assim, dá para entender o motivo que essa profissão se tornou uma das mais requisitadas.

Vale lembrar que muitas empresas acabam utilizando apenas a inteligência artificial para interpretar os dados. No entanto, um robô não substitui a análise e interpretação de um profissional.

A capacidade analítica de um talento somado aos esforços da IA são essenciais e é exatamente o que falta atualmente. Essa é a conclusão de pesquisa feita pela PwC. Ao todo, foram entrevistados para a elaboração da "22nd Annual Global CEO Survey", 1.378 presidentes de empresas (CEOs), em mais de 90 países.

Atualmente, cerca de três quartos dos CEOs (74%) ao redor do mundo concordam que a inteligência artificial (IA) é positiva para a sociedade. No entanto, uma fatia ainda maior (84%) defende que decisões baseadas em inteligência artificial precisam ser explicáveis para serem confiáveis.

A pesquisa da PwC aponta, ainda, que oito em cada 10 CEOs (85%) acreditam que, nos próximos cinco anos, a inteligência artificial mudará significativamente a maneira como eles fazem negócios.

É sempre bom destacar que enquanto alguns profissionais estão com receio de perder seus postos para um robô, empresas estão a procura de quem tenha uma boa habilidade analítica.

De acordo com o mesmo estudo, 54% dos CEOs entrevistados apontam a capacidade de análise como uma dificuldade real na atualidade.

Com o mercado mais competitivo e a crise que atinge diversos setores, é hora dos profissionais se reinventarem, potencializarem suas habilidades e apostarem em áreas do futuro que já estão em nosso dia a dia.

O que não falta são cursos disponíveis e empresas dispostas a contratarem esse profissional.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL