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Virada digital virou questão de vida ou morte, mas nos ajudou a evoluir

Alessandra Montini

Apaixonada por dados e pela arte de lecionar, a professora doutora Alessandra Montini tem muito orgulho de ter criado na FIA cinco laboratórios para as aulas de Big Data e Inteligência Artificial. Mestre em estatística aplicada pelo IME-USP e doutora pela FEA-USP, já ganhou mais de 60 prêmios de excelência acadêmica e possui mais de 20 anos de trajetória nas áreas de Data Mining, Big Data, IA e Analytics. Hoje é diretora do LABDATA-FIA, orienta alunos de mestrado e doutorado na FEA-USP, coordena grupos de pesquisa no CNPq e é parecerista da FAPESP.

17/04/2020 04h00

Já fazíamos previsões de que 2020 seria o ano em que a área de tecnologia teria um grande marco. No entanto, mal sabíamos que o mundo viraria de cabeça para baixo e que em cada canto o assunto seria a pandemia do coronavírus. Não, não estávamos esperando por isso, mas o imprevisível aconteceu e sem dúvida acelerou um processo que já acontecia aos poucos no Brasil, mas ainda era algo futurista: a tal da transformação digital.

Do dia para noite, a transformação digital deixou de ser tema de aulas, palestras, revistas e artigos para ser algo real. Uma questão de vida ou morte e que as empresas precisavam tirar da lista de pendências para colocar em suas prioridades. De repente, com a subida abrupta de novos infectados no país pela Covid-19, a curva de pessoas que estavam trabalhando remotamente também crescia exponencialmente.

Nunca vi tantas mudanças tecnológicas acontecendo em um curto espaço de tempo. À medida que o isolamento social virava regra, a tecnologia foi se tornando questão essencial de sobrevivência. Todos foram obrigados a sair da zona de conforto e pensar de maneira mais estratégica para que a roda da economia continuasse girando. Pessoas de todas as idades, crianças, jovens e idosos, precisaram entrar numa adaptação forçada. E o que ganhamos com isso? Uma sociedade mais digital, sem dúvida.

O teletrabalho estava há cerca de uma década na agenda das empresas, avançando a passos bem curtos. Agora, todos os setores que conseguem manter seus colaboradores em casa para evitar a disseminação do vírus, aposta e agiliza ferramentas tecnológicas para manter os negócios de maneira digital.

As escolas precisaram tomar medidas rápidas, já que a grande maioria das instituições não trabalhava com metodologia ou plataformas para ensinar de maneira remota. O que vimos foram professores engajados e dispostos a manter os estudos dos alunos. Agora, vídeoaulas acontecem diariamente em várias escolas, além de materiais digitais enviados pelos professores.

Religiosos de toda parte do mundo, que viram suas igrejas sendo esvaziadas de repente, começaram a transmitir seus cultos pelas redes sociais. A intenção era chegar à casa daquelas pessoas que tinham os templos como sinal de esperança.

E por falar de redes sociais, não poderíamos de mencionar os shows online que surgiram timidamente por alguns cantores com objetivo de manter as pessoas em casa e que agora já existe uma agenda lotada e com artistas de peso.

Estamos em processo de aprendizado

É perceptível que nesse momento de crise, estamos aprendendo muito. Ficamos mais estratégicos, mais práticos e temos mais tempo para estar com a nossa família. Os pais, que muitas vezes ficavam ausentes, entenderam a importância da professora e os filhos buscam ajuda com os pais para manterem suas rotinas.

Além disso, as empresas já estão percebendo que muitas reuniões são desnecessárias, que problemas podem ser resolvidos por mensagem, email, Whatsapp e que não precisamos ir ao trabalho todos os dias para dizer que estamos trabalhando. Em muitos momentos, o home office é extremamente eficaz e estamos tendo essa prova no dia a dia, o que nos faz perceber também que a maneira de trabalhar se transformará daqui para frente. Podemos ganhar por produtividade e não por hora como é nos dias atuais.
E não é só isso! Esse tempo de transformações também está despertando o que temos de melhor como seres humanos: a solidariedade. Estamos usando a tecnologia para reunir pessoas que queiram ajudar entidades, comunidades carentes e aqueles que perderam os seus empregos.

Quando vejo esse movimento, surge uma pergunta: Por que não fizemos tudo isso antes? Talvez, estávamos apenas pensando no futuro, sem perceber que ele já estava batendo a nossa porta. Agora, finalmente estamos olhando para a tecnologia e usufruindo de tudo o que ela pode nos oferecer.

O mundo pós-pandemia será bem diferente, já que teremos uma sociedade mais digital, empresas mais equipadas de tecnologia, home offices bem mais estabelecidos, escolas preocupadas com metodologias remotas e entretenimento oferecido de várias maneiras e em diversos canais.

A transformação digital chegou e está em nosso presente mais ativa do que nunca. Ela está transformando a maneira com que agimos, nos relacionamos e vemos o mundo. Por meio dela, também estamos mudando como seres humanos. E em tempos de crise, isso é muito bom!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.