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Akin Abaz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mulheres mandam bem na tecnologia em um mundo que vê gênero como estigma

Aqui sou eu trabalhando nos equipamentos que chegam na InfoPreta - Divulgação
Aqui sou eu trabalhando nos equipamentos que chegam na InfoPreta Imagem: Divulgação
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Akin Abaz

Akin Bakari D'Angelo dos Santos é fundador da InfoPreta e homem trans. Um curioso nato e um amante do desconhecido, sempre se interessou por montar, desmontar e entender o funcionamento dos eletrônicos. Fez cursos técnicos na adolescência e, aos 15 anos, já atuava na área da indústria com manutenção eletrônica de maquinário pesado. Em 2011, começou a consertar computadores em seu quarto e dois anos depois fundou a InfoPreta, empresa de serviços de manutenção que tem por objetivo inserir pessoas negras, LGBTQI+ e mulheres no mercado tech, aliando lucros a projetos sociais de grande impacto.

Colunista do UOL*

11/03/2021 04h00

Dar início a InfoPreta foi muito difícil, levando em consideração as circunstâncias apresentadas pela vida. Eu era "buh", uma mulher negra, lésbica, totalmente fora do padrão, nerd e, ainda por cima, tentando entrar em uma área na qual muita gente não me via.

Desde o começo, meu sonho era ser da indústria e aprender os processos, para depois migrar para a área da tecnologia. Eu planejava entender e desenvolver melhor a parte de UX (experiência do usuário) porque desde criança eu observava a dificuldade de algumas pessoas em utilizar a tecnologia.

A InfoPreta foi criada com o objetivo de ser um espaço de valorização das mulheres. Além disso, foi idealizada como um lugar para focar em mulheres negras, sendo base de um crescimento em terreno fértil. Sempre foi e sempre será uma empresa de e para essas figuras.

Mas algumas coisas mudaram no caminho. Ou melhor, enquanto eu e a IP caminhávamos, me encontrei e me entendi.

Sempre me vi como Akin, e estar em um corpo que não correspondia com quem eu era foi uma grande luta. Após a transição de gênero, entrei em um limbo gigante chamado "como a sociedade me vê?", porque para a maioria das pessoas sou visto como um homem negro, periférico, rústico, agressivo e sem conhecimentos básicos.

E, então, encontrei mais um desafio. Como romper essa lógica da sociedade em relação à maneira a qual me vejo e como quero ser visto? Como mostrar à sociedade que o gênero é muito mais do que masculino e feminino?

Sou um homem trans não-binário e isso significa que, para mim, as pessoas são seus nomes e suas personalidades, e não o sexo biológico que elas apresentam. Porém, não é assim para toda a sociedade.

Constantemente somos colocados em caixinhas, espaços nos quais esperam que cada pessoa assuma um modo de ser, de agir, gostos, hobbies e tudo mais que se refere a sua existência de acordo com o gênero que lhe é imposto.

Tecnologia também é coisa de mulher

Vários estereótipos em relação aos gêneros já foram quebrados. A sociedade muda constantemente e a luta pela igualdade é cada vez mais forte e presente em diferentes esferas.

Mesmo com algumas mudanças significativas na minha trajetória, uma coisa em mim nunca mudou: o desejo de fazer da InfoPreta um lugar que valoriza e promove o trabalho e o empoderamento das mulheres.

O que move a IP é tornar a tecnologia um espaço para todes. E, na verdade, as mulheres sempre estiveram presentes na área, sendo pioneiras em invenções e protagonistas em várias descobertas que fizeram história. Mas, ao longo dos anos, a participação feminina diminuiu, e a hostilidade, a falta de perspectiva na carreira e o constante isolamento são algumas das causas.

O trabalho das mulheres na ciência e na tecnologia revolucionou o mundo, por isso acreditamos que é importante falar sobre como as questões de gênero se tornam barreiras para que elas ocupem determinados espaços. E, para celebrar a trajetória feminina nessas áreas, selecionamos cinco mulheres e seus trabalhos e descobertas que impactaram a história. Confira!

Ada Lovelace

Ada Lovelace - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Augusta Ada Byron King nasceu em 1815. Matemática e escritora, é reconhecida por ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina. Desde a infância, Ada foi direcionada pela mãe a se interessar por matemática e lógica. Durante sua juventude, tornou-se amiga e colega de trabalho do matemático Charles Babbage. Foi para a máquina analítica de Charles que Ada desenvolveu os algoritmos, permitindo ao artefato computar valores de funções matemáticas. Por esse trabalho, ela também é considerada a primeira programadora da história.

Joy Buolamwini

Joy Buolamwini - Shaniqwa Jarvis - Shaniqwa Jarvis
Imagem: Shaniqwa Jarvis

Joy Adowaa Buolamwini é cientista da computação e ativista digital. Pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, é pioneira nas técnicas que conduzem pesquisas sobre o uso da tecnologia de análise facial. Com apenas 32 anos, a "poeta do código", como ela mesmo se intitula, é mestre pela Universidade de Oxford e doutora pelo MIT.

Lynn Conway

Lynn Conway - Marcin Szczepanski - Marcin Szczepanski
Imagem: Marcin Szczepanski

Lynn Ann Conway é cientista da computação, engenheira, inventora e ativista trans. Trabalhou no desenvolvimento do VLSI, tecnologia de microeletrônica que integra uma grande quantidade de transistores em um chip de silício e foi eleita para a Academia Nacional de Engenharia dos Estados Unidos por sua descoberta.

Margaret Hamilton

Margaret Hamilton - Wikimedia Commons - Wikimedia Commons
Imagem: Wikimedia Commons

Margaret Heafield Hamilton é cientista da computação, engenheira de software e empresária. Como diretora da divisão de software no laboratório de instrumentação do MIT, participou do desenvolvimento do programa de voo utilizado no projeto Apollo 11, primeira missão à Lua com tripulantes. Foi premiada pelo seu trabalho em 2016 com a Medalha Presidencial da Liberdade, entregue por Barack Obama, o então presidente dos Estados Unidos.

Katie Bouman

Katie Bouman - Bernard Mendez/ Daily Bruin - Bernard Mendez/ Daily Bruin
Imagem: Bernard Mendez/ Daily Bruin

Katherine Louise Bouman é professora assistente de ciência da computação no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Com apenas 31 anos, a engenheira foi responsável por criar o algoritmo que possibilitou a reprodução da primeira imagem de um buraco negro. Katie foi reconhecida por seu trabalho pelo MIT, que em sua conta oficial na rede social Twitter comparou a cientista a Margaret Hamilton.

* Colaborou Rhayssa Souza, jornalista e redatora de conteúdo da InfoPreta

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL