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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Colorido e fácil, Asha in Monster World acaba vítima da própria nostalgia

Jogo é remake de Wonder Boy, franquia clássica dos anos 80 e 90 - Reprodução/ININ Games
Jogo é remake de Wonder Boy, franquia clássica dos anos 80 e 90 Imagem: Reprodução/ININ Games

Rodrigo Lara

Colaboração para o Start

09/06/2021 04h00

A franquia Wonder Boy é uma das mais longevas da história, com seu primeiro jogo datando de 1986. Em sua primeira fase, além dos arcades, a série fez sucesso em videogames da Sega, como o Master System e o Mega Drive e, no Brasil, serviu como base para a criação de games como Mônica no Castelo do Dragão e Turma da Mônica em: O Resgate.

Wonder Boy passou por um longo hiato: entre 1994 e 2016 não houve qualquer novidade na franquia. Isso mudou com o lançamento de um remake do primeiro jogo, chamado Wonder Boy Returns, lançado para PC, PlayStation 4 e Nintendo Switch.

De lá para cá, foram mais três jogos: Wonder Boy: The Dragon's Trap, remake de Wonder Boy III lançado em 2017; Monster Boy and the Cursed Kingdom, sequência da série que chegou em 2018, e, agora, Wonder Boy: Asha in Monster World, versão refeita de Monster World IV.

Desses jogos, Asha in Monster World pode ser considerado o mais fiel às origens. Isso, claro, agrada o lado nostálgico dos fãs, porém cobra um preço: a sensação que fica é que o game poderia ter ido além.

Asha in Monster World - Reprodução/ININ Games - Reprodução/ININ Games
Imagem: Reprodução/ININ Games

Bonito, mas muito simples

Assim como ocorreu com os games da série lançados recentemente, Wonder Boy: Asha in Monster World cativa de cara pelo visual. Colorido e bem animado, ele acaba passando a sensação de que "o original seria assim se fosse lançado hoje".

Trata-se, em sua essência, de um jogo de plataforma com uma leve pitada de RPG - leve mesmo, menor do que a vista em Monster Boy and the Cursed Kingdom, por exemplo.

Os jogadores controlam Asha, uma guerreira "recém-formada" que acaba parando na cidade de Rapadagna. Lá, descobre que os espíritos guardiões do mundo, cada um representando um elemento, foram aprisionados. A missão, claro, é libertar essas entidades e por fim nas pretensões de quem os prendeu.

Asha in Monster World - Reprodução/ININ Games - Reprodução/ININ Games
Imagem: Reprodução/ININ Games

Para isso, ela contará com um conjunto de escudo e espada e também com um companheiro chamado Pepelogoo, uma espécie de pássaro que pode ser usado na solução de puzzles e também acrescenta elementos de jogabilidade, como o pulo duplo.

Mesmo com essas variações e a possibilidade de usar equipamentos com atributos específicos, a essência da jogabilidade de Wonder Boy: Asha in Monster World é a simplicidade. Cabe ao jogador progredir por fases lineares, enfrentar alguns poucos inimigos e resolver quebra-cabeças.

Ao final das fases, temos chefões que impressionam mais pelo tamanho do que pela dificuldade. Há poucas mecânicas específicas nesses momentos e tudo se resume a decorar padrões e se adaptar.

Asha in Monster World - Reprodução/ININ Games - Reprodução/ININ Games
Imagem: Reprodução/ININ Games

Poderia ir além

Wonder Boy: Asha in Monster World não é um jogo longo e jogadores mais acostumados com o estilo tendem a concluir a aventura em cerca de 5 horas.

O problema maior aqui é a sensação de repetição. Por mais que os cenários e os inimigos mudem, a impressão que se tem é a de estar preso em um ciclo repetitivo por todas as fases. Se isso importava pouco quando o original foi lançado em 1994 para Mega Drive, 27 anos depois, o peso acaba sendo bem diferente.

A percepção vale, inclusive, quando colocamos esse game lado a lado com as iterações da série lançadas recentemente. Tanto Wonder Boy: The Dragon's Trap quanto Monster Boy and the Cursed Kingdom trazem jogabilidade mais profunda, maior variação de situações e, consequentemente, são mais gostosos de jogar.

Uma possível saída aqui seria fazer da novidade um remake "pero no mucho": respeitar as origens e, em paralelo, adicionar conteúdo inédito de forma a trazer mais versatilidade ao jogo. Tudo bem que houve a adição de diálogos dublados (em japonês), um modo fácil e também um sistema de salvamento que permite gravar o progresso a qualquer momento. Mas acabam sendo novidades bem superficiais e deixam um gostinho de que se poderia ter ido além.

Disponível para PlayStation 4 e Nintendo Switch, Wonder Boy: Asha in Monster World tende a agradar jogadores mais nostálgicos ou, ainda, quem procura uma aventura despretensiosa para passar algumas horas. Quem espera algo além disso, no entanto, tende a se frustrar.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL