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Fofos e mortais: Biomutant é um excelente RPG de ação; confira review

Biomutant - Divulgação
Biomutant Imagem: Divulgação

Por Rodrigo Lara

Colaboração para Start

26/05/2021 04h00

A não ser que você seja uma pessoa um tanto insensível, é muito difícil que não passe por bons minutos de indecisão na tela de criação de personagem de Biomutant. A fofura dos personagens e do mundo do RPG de ação, porém, são apenas cartões de visita deste lançamento - uma aventura profunda, com muitas nuances para os jogadores explorarem.

Elogiar o resultado final da obra do estúdio sueco Experiment 101 é até um alívio, já que o game caiu no famoso "inferno de desenvolvimento", situação que já derrubou muitos jogos (um exemplo recente foi o aguardado e, posteriormente, criticado Cyberpunk 2077). A produção do RPG começou no distante ano de 2015 e, claro, passou por turbulências, especialmente no processo de equilibrar o uso de suas mecânicas de tiro, combate corpo-a-corpo e uso de habilidades.

Felizmente, esses problemas não se refletem no produto final, ao menos em sua maior parte. Nem tudo é perfeito e Biomutant tem, sim, alguns pontos que poderiam ser melhores; mas a experiência como um todo, é agradável.

Biomutant - Divulgação/THQ Nordic - Divulgação/THQ Nordic
Imagem: Divulgação/THQ Nordic

Mundo sob risco

Biomutant se passa em um mundo pós-apocalíptico, situação provocada após uma empresa causar uma espécie de hecatombe tóxica. Agora, esse planeta é habitado por criaturas que lembram animais como coelhos, ratos e ursos - mas todos eles trazem características humanoides.

A base desse ecossistema é uma "árvore da vida". Mas cada uma de suas cinco raízes, espalhadas pelo mapa, está sendo ameaçada por um monstro. Bom, então é só o jogador ficar forte, ir até cada um desses locais, chutar o traseiro dessas criaturas e fim, certo?

Mais ou menos. Biomutant aborda temas muito mais sérios do que sua fofura visual dá a entender - entre eles, claro, a importância de se preservar o meio ambiente. Mas sua abordagem reflete muito bem as posições conflitantes que existem na nossa própria realidade: três tribos no jogo pretendem derrotar os monstros e salvar o mundo; outras três parecem estar pouco se importando para esse perigo iminente - os negacionistas, digamos.

Biomutant - Divulgação/THQ Nordic - Divulgação/THQ Nordic
Imagem: Divulgação/THQ Nordic

Cabe ao jogador decidir com qual tribo se aliar e também qual postura terá diante das passagens da história. Ao realizar boas ações, ele pode se aproximar mais da luz; se adotar uma postura mais egoísta (como deixar de ajudar pessoas em necessidade), ele se envolverá cada vez mais com a escuridão. Tudo isso afeta a jogabilidade e a progressão da trama. É possível, por exemplo, se aliar a uma tribo e dizimar as restantes; ou seguir um caminho mais diplomático.

Kung-fu, tiros e pelos

O sistema de criação de personagem permite escolher muitas nuances, o que é um tanto intimidador logo de cara - especialmente se considerarmos o quanto isso afeta a jogabilidade. Sabe aquela sensação de que uma escolha "errada" no comecinho pode custar caro quando você tiver com diversas horas de jogo? É isso.

Além de escolher raça e aparência, é preciso definir uma série de detalhes que envolvem atributos físicos e aptidões para habilidades. É possível criar um bichinho "porradeiro" e mais voltado à força bruta ou, ainda, um que depende mais das armas de fogo e das habilidades. E essa escolha não é autoexcludente, no estilo "ou um, ou outro", o que tende a agradar jogadores que preferem personagens mais versáteis.

Independentemente das suas escolhas, a dinâmica dos combates é apoiada em três pilares: os golpes físicos no estilo kung-fu, (representado pelo estilo "wung-fu"); tiros de armas de fogo, úteis para atacar à distância; e habilidades provenientes de suas mutações, uma espécie de "magia".

Conforme se avança, é possível personalizar a aparência e as habilidades do personagem, mediante evolução por níveis. E também dá para criar armas utilizando componentes distintos. Acaba sendo uma variação interessante e abre possibilidades para jogadores de estilos distintos se habituarem ao game.

Durante a exploração do mundo, o jogador vai encontrar artefatos que remetem à civilização que, provavelmente, sucumbiu aos eventos apocalípticos - claramente nós, os humanos. Eles servem tanto como colecionáveis quanto como peças para personalizar armaduras e armas.

Biomutant - Divulgação/THQ Nordic - Divulgação/THQ Nordic
Imagem: Divulgação/THQ Nordic

Leve repetição

Alguns encontros com inimigos revelam uma repetição bastante incômoda. Eles replicam o padrão de adversários menores, acompanhados por oponentes maiores e mais fortes. Felizmente, essa dinâmica se quebra nas invasões de acampamentos de rivais e nas batalhas contra chefões, que são desafiadoras e podem incluir mecânicas específicas.

O jogo também perde ritmo nos flashbacks da infância do protagonista. Essas sequências um tanto arrastadas, porém, não afetam a diversão.

Em termos técnicos, Biomutant se sai bem. A versão jogada para esse review foi a de PC e, salvo alguns pequenos bugs, tudo correu bem e com boa qualidade visual, especialmente nos detalhes dos personagens - a pelagem é digna de nota.

Biomutant - Divulgação/THQ Nordic - Divulgação/THQ Nordic
Imagem: Divulgação/THQ Nordic

Apesar de contar com cenários bonitos, eles acabam parecendo um tanto vazios. Há, claro, de se levar em conta que estamos em um mundo pós-apocalíptico e, portanto, menos povoado. Ainda assim, seria agradável ter contato com mais vida enquanto exploramos o ambiente.

Por fim, a jogabilidade em si é bastante leve e simples. Os controles funcionam bem e há poucas variações de comandos (como combos ), o que deixa a experiência mais acessível. No fim, Biomutant supera as expectativas e é um jogo divertido, profundo e capaz de proporcionar horas de diversão, com uma curva de aprendizado e dificuldade bastante tranquila.

Inicialmente disponível a partir de 25 de maio para PC, PlayStation 4 e Xbox One, o game também tem versões previstas para os consoles de nova geração, mas ainda não há data de lançamento definida.

*Cópia de avaliação fornecida pela THQ Nordic