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Dandy Ace é o roguelike brasileiro para quem já cansou de Hades

André Alcântara e Matheus Fernandes

Colaborações para o START

28/04/2021 04h00

Para alguns o gênero Roguelike pode ser visto já como saturado, com tantos games - a maioria indies - com essas características de repetição. Porém, muitos talvez estejam entrando agora no estilo, principalmente depois do sucesso de Hades.

Com o recém-lançado Dandy Ace, desenvolvido pelo estúdio brasileiro Mad Mimic, nada melhor do que ter essas duas visões, de alguém já tarimbado e um novato no gênero, para saber se a experiência do game consegue agradar todos os públicos.

Matheus é um grande fã de roguelikes e passou a maior parte da última década em jogos como Binding of Isaac, Faster than Light e Dungeons of Dredmor.

André acha que Hades é a primeira entrada tolerável na história do gênero. Nos próximos parágrafos eles tentam encontrar pontos em comum sobre Dandy Ace.

ANDRÉ: Apesar de ter começado Dandy Ace com dois pés atrás pelo meu histórico ruim com roguelikes, a mecânica das cartas, central ao jogo, foi o que mais me convidou a dar um voto de confiança a ele.

O game permite que o jogador equipe quatro cartas principais, que podem ser associadas a outras para criar diversas combinações de efeitos. Cada carta possui um tempo de recarga específico, o que adiciona uma leve camada de gerenciamento e estratégia ao combate.

Além disso, é possível sentir também que isso incentiva o jogador a utilizar todas as opções de ataque que tem em mãos, não se restringindo a uma carta ou outra.

Dandy Ace jogo brasileiro - Divulgação/Mad Mimic - Divulgação/Mad Mimic
Dandy Ace possui um sistema de cartas que podem ser usadas para mobilidade ou ataque
Imagem: Divulgação/Mad Mimic

MATHEUS: O sistema das cartas, ataque condizente para um mágico como Dandy Ace, é onde o jogo mais se diferencia de suas inspirações. São três tipos: as azuis garantem mobilidade, as amarelas oferecem controle de multidões e rosas são responsáveis pela base do dano do jogador. É possível combinar essas cartas da forma que quiser nos quatro slots oferecidos.

Essa liberdade em escolher como abordar o combate é um ponto forte do jogo, ainda que a sensação nas primeiras horas era de estar limitado a pouquíssimas cartas.

ANDRÉ: Você citou o fato de haver poucas cartas no início do jogo. Esse foi um grande problema na minha experiência.

Durante as horas iniciais, as partidas de Dandy Ace não se diferenciam tanto umas das outras, porque há uma frequência muito grande das mesmas cartas. Para um roguelike, isso é um grande problema, já que pode ser um empecilho ao jogador querer iniciar novas rodadas.

A partir daí surge outro problema: Dandy Ace é meio lento. É necessário um certo investimento de tempo para desbloquear cartas, bônus e acessórios para tornar os combates mais dinâmicos e senti-los mais fluidos. Até aí eu me senti no piloto automático, com confrontos maçantes e que pareciam mais difíceis e longos do que deveriam ser.

MATHEUS: Confesso que não foi um jogo que me prendeu na primeira run, mas concordo que em algum momento os níveis parecem muito longos e com pouca variedade interna - os mesmos inimigos nascem de forma mais ou menos constante durante todo o level, às vezes em quantidades excessivas.

Também tive alguns problemas com os dashes, boa parte das minhas mortes foi por ficar preso em algum elemento do cenário intransponível por essas habilidades. Espero para o futuro alguns minibosses, e talvez algum incentivo ao "speedrunning".

ANDRÉ: Chamou a atenção o fato de Dandy Ace ser não só dublado em português como contar com vozes de criadores de conteúdo populares, como BRKsEdu, Patife, Gabi Catuzzo, entre outros.

YouTuber BRKsEdu - Bruno Izidro/UOL - Bruno Izidro/UOL
Youtuber BRKsEDU dublou dois chefes do jogo
Imagem: Bruno Izidro/UOL

No geral, a dublagem, feita por pessoas de fora da área, não é das melhores, mas não chega a ser incômoda. Além disso, é fácil notar a variação na qualidade de gravação do áudio dos dubladores. Embora possa quebrar um pouco o clima, não atrapalha a experiência com a narrativa e os diálogos, que pesam — muito — a mão em referências e piadas.

MATHEUS: As piadas e memes são um toque interessante que dá uma personalidade extra - ri genuinamente com as menções de Lele no modo Twitch sobre seu chat te odiar.

ANDRÉ: Eu que odiei o chat! Enfim. É curioso que alguns problemas de Dandy Ace, como o ritmo inicial lento e a falta de variedade e de dinâmica das primeiras horas, são de certa forma sanados pelo modo Twitch.

Esse recurso integra o game à plataforma de transmissões e permite que espectadores intervenham de diversas formas na partida via chat, seja infernizando a vida de quem joga ou a tornando mais fácil. O público pode, por exemplo, distribuir itens de cura e cartas ou invocar um punhado de inimigos em momentos inesperados.

Jogo brasileiro Dandy Ace - Reprodução/START - Reprodução/START
Blocos rosa, verde e roxo do lado esquedo são ações influenciadas pelo chat da Twitch
Imagem: Reprodução/START

Adicionando mais uma camada de aleatoriedade, essa modalidade torna a experiência muito mais dinâmica e imprevisível, já que é impossível prever o que os espectadores vão fazer no próximo instante.

Ao mesmo tempo que isso me incentivou a querer iniciar novas rodadas ao morrer, a quem vai servir? Apesar de as transmissões serem populares hoje, pelos mais variados motivos, não é todo mundo que possui condições de realizá-las. Espero que a Mad Mimic aprenda, com o Modo Twitch, de que o Modo Normal precisa de alguns ajustes fundamentais.

MATHEUS: O modo Twitch é algo que vai ser cada vez mais obrigatório nos jogos, e a abordagem de Dandy Ace é bem diferente nisso, deixando os espectadores não só influenciarem as decisões, mas assumirem diretamente o papel do Lele, invocando inimigos, buracos negros e cupcakes envenenados contra o jogador - Dead Cells também tem opções semelhantes. Essa forma de griefing incentivado pra mim foi até mais interessante do que jogar sozinho, e em streams maiores adiciona uma camada a mais, mas entendo que não são todos que vão poder aproveitar dessa forma.

Dandy Ace

ANDRÉ: Apesar de problemas no ritmo e na estrutura das fases e sensação de falta de variedade de cartas e itens que permeia as primeiras horas, Dandy Ace é um jogo bom até. Depois que o combate engata com o desbloqueio de novas cartas e itens e há um senso de progressão maior, confrontar inimigos combinando ataques e utilizando dashes que nos tornam mais ágeis torna a experiência como um todo muito prazerosa e divertida. Mas isso custa tempo, e pode sair caro para o jogo.

MATHEUS: Dandy Ace não traz conceitos inovadores, mas ganha pontos por seu polimento e pela aposta na integração com a cultura streamer - nas mecânicas e na dublagem.

Para quem está começando no gênero, faz mais sentido ir direto nas inspirações como Enter the Gungeon e Binding of Isaac, mas para quem sempre está atrás de um roguelike novo para morrer repetidamente, Dandy Ace oferece um desafio interessante.

Da mesma forma que Hades e Dead Cells, as principais inspirações do jogo, passaram por anos de early access até chegarem onde estão hoje, Dandy Ace tem o caminho aberto para se tornar um grande jogo, mas para isso ainda precisa de alguns toques de mágica.

Dandy Ace  capa do jogo - Divulgação/MadMimic - Divulgação/MadMimic
Imagem: Divulgação/MadMimic

Lançamento: 25/03/2021
Plataforma: PC e Mac via Steam (Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch em breve)
Preço sugerido: R$ 29.99
Classificação Indicativa: 10 anos (Violência fantasiosa)
Desenvolvimento: Mad Mimic
Publicação: Neowiz
Jogue Também: Hades, Dead Cells, Skul

*As cópias do jogo foram enviadas pela assessoria da Mad Mimic ao START

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