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Time de CoD Mobile faz homenagem a jogadora vítima de feminicídio

Call of Duty Mobile - Divulgação/Activision
Call of Duty Mobile Imagem: Divulgação/Activision

Amanda Santos e Brunno Carvalho

Do START, em São Paulo

24/02/2021 19h31

Após a trágica morte da jogadora Indrig "Sol" Oliveira, de 19 anos, na última terça-feira (22), membros do seu time em Call of Duty Mobile, a FBI E-Sports, a homenagearam dentro do game.

"Não teve como conter as lágrimas, eram 100 jogadores entrando dentro do jogo, fizemos uma carreata dentro do jogo com os outros jogadores fazendo uma linha de artilharia apontada para cima em homenagem à Ingrid, a nossa Sol", afirmou Matheus Lucas, um dos membros da FBI E-Sports em entrevista ao UOL.

Sol  - Reprodução/Instagram/GamersElite - Reprodução/Instagram/GamersElite
Imagem retirada do vídeo de homenagem dos amigos de Sol dentro do Call of Duty: Mobile
Imagem: Reprodução/Instagram/GamersElite

A Princesa Leia do Call of Duty

Descrita como uma grande amiga, Matheus também revelou que era uma relação amistosa com a jogadora que fez parte da equipe desde dezembro de 2020.

"Ela falava bastante, se conectava muito com a equipe que estava inserida, onde foi super bem tratada e cuidada. Ela entrou na line feminina primeiramente, porém, decidiu ir para a line dos rapazes onde ela desenvolveu um jogo mais forte. Os rapazes da Line BlackStars sempre a trataram como uma princesa, ou tipo uma princesa Leia. Ela era bem ativa no grupo tendo participado de campeonatos e treinamentos".

Crime premeditado

Imagem aérea Flashlight - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

Sol foi covardemente assassinada por Guilherme "Flashlight" Alves, de 19 anos, jogador de CoD Mobile do time GamersElite. Ainda em pandemia e isolamento social, essa era a primeira vez (após um mês jogando juntos) que os dois estavam se conhecendo pessoalmente.

Pego em flagrante em casa após tirar a vida da jovem a facadas, ele filmou e compartilhou o ato de feminicídio em aplicativo de mensagens.

Após o assassinato, o pro-player compartilhou um livro de 50 páginas em que diz ter premeditado suas ações. O START teve acesso ao livro e é possível encontrar trechos em que o jogador planeja matar cristãos e até saúda o nazismo.

O psicólogo especializado em eSports Claudio Godoi, que trabalha para a Team Liquid no Brasil, comenta o estado psicólogo de Flashlight.

Flashlight  - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

"No comportamento de sorrir e brincar quando é detido, assumindo ter consciência e demonstrado em nenhum momento ter tido empatia com o que aconteceu, isso são alguns sinais de um transtorno de personalidade antissocial, que usávamos numa nomenclatura antiga de pscicopatia", conta Godoi.

Sobre trechos do livro em que o jovem acredita ser superior às outras pessoas ou ter um cargo importante, por exemplo, o psicólogo diz:

"Ele falou ter uma 'missão anti cristã no mundo', dizendo diversas vezes ser 'um soldado e parte de algo maior', isso também é muito indício do que chamamos de um delírio de grandeza, é possível observar que de fato é uma pessoa perturbada, com diversos distúrbios de personalidade e distúrbios psiquiátricos", diz.

Claudio Godoi Team Liquid - Reprodução/Instagram/claudiogodoi - Reprodução/Instagram/claudiogodoi
Imagem: Reprodução/Instagram/claudiogodoi

Para o psicólogo, existe a presença de um possível transtorno de personalidade antissocial e um distúrbio psiquiátrico não balanceado e não regulado: "É uma mistura perigosa, onde ele conta ter orgulho em matar, busca reconhecimento pelo delito", ressalta.

Apesar da TV aberta noticiar Flashlight como "matador do videogame", o médico relata que esta situação não tem a ver com o jogo em si:

"Ela é uma questão de uma pessoa com transtorno de personalidade, dentro de uma faixa etária de alguém que joga COD. Isso poderia ter acontecido numa academia, num aplicativo de relacionamento etc".

Nada novo sob o Sol

Call of Duty Mobile - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O START também conversou com a advogada Layla Rodrigues, especializada no cenário de esports. Para ela, o que aconteceu não foi um caso isolado:

"A verdade é que diariamente estamos lutando contra casos de importunação sexual e de preconceito de gênero. Mas apesar de ganharmos muitas batalhas, estamos perdendo a guerra".

Apesar dos pesares, Layla detalha como a violência - infelizmente - motiva mais mulheres a lutar por seus direitos:

Layla Rodrigues - Reprodução/Instagram/Layla_Boy_Rodrigues - Reprodução/Instagram/Layla_Boy_Rodrigues
Imagem: Reprodução/Instagram/Layla_Boy_Rodrigues

"São meninas que possuem um sonho de serem profissionais, mas que estão sendo destroçadas diariamente por um meio tóxico. Este caso, por mais lamentável e triste que seja, só fez crescer dentro de cada uma de nós, a vontade de seguir em frente e lutar pelo direito das jogadoras dentro do cenário eletrônico".

O caso recebeu destaque com a publicação da equipe Jaguares Esports no Twitter.

"É com imensa tristeza que o Jaguares Esports deseja força aos familiares da jogadora SoL e da equipe FBI E-Sports. Estamos todos em luto. Que você possa descansar em paz e que a justiça seja feita", afirma o comunicado.

Já a equipe de Flashlight, o clã Gamers Elite, publicou um comunicado no Instagram explicando que "não tem nada haver com o acontecimento".

"Na tarde desta segunda-feira, [Guilherme] enviou um vídeo no grupo da organização no WhatsApp no qual supostamente ele acabara de matar uma mulher, filmar e compartilhar o vídeo. Ele também enviou um PDF onde deixa mensagens de ódio contra cristãos e faz um aceno ao terrorismo. Após a liderança do clã ficar ciente do ocorrido, nos organizamos e tomamos medidas necessárias: Informamos as devidas autoridades e pedimos a todos os nossos membros para não compartilhar o vídeo do suposto crime".

Após o tweet da Jaguares Esports, diversas personalidades como streamer e outros pro-players compartilharam mensagens de revolta e pedidos por justiça:

Letícia Motta, streamer e caster de Valorant, já direcionava metade das doações e inscrições em suas lives para instituições de apoio à mulheres em situação de violência em todo o Brasil.

Em nome da comunidade de esports, a caster mobilizou o Twitter em arrecadações, doando 3 mil reais à família da pro-player.

Para quem é mulher, o sentimento não é apenas de luto:

Para a streamer Renata Schozen, é possível prever como a Justiça irá tratar o assunto:

Posicionamento da Activision

Activision - Divulgação/Activision - Divulgação/Activision
Imagem: Divulgação/Activision

O START conversou com a desenvolvedora de Call of Duty: Mobile por alguma declaração sobre o caso ou algum posicionamento quanto à toxicidade na comunidade do jogo. Até o momento desta publicação não tivemos resposta.

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