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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Immortals: Fenyx Rising é o meme do "copia, mas não faz igual" de Zelda

Um Zelda: Breath of the Wild com "skin" de mitologia grega - Divulgação/Ubisoft
Um Zelda: Breath of the Wild com "skin" de mitologia grega
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Rodrigo Lara

Colaboração para o START

26/12/2020 04h00

"Kibar", ctrl C ctrl V, e o meme do "copia, mas não faz igual". Todos significam que algo foi descaradamente copiado. Pois bem: sem meias-palavras, é exatamente isso que Immortals Fenyx Rising faz em relação a The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

O Zelda lançado para Nintendo Wii U e Switch em 2017 é, sem sombra de dúvidas, um dos jogos mais influentes da década. A questão é que, normalmente, essa inspiração ocorre de forma sutil, só que a Ubisoft Quebec mandou às favas tudo isso ao criar o novo game de ação e aventura.

A sensação de "estou jogando um Zelda na mitologia grega" chegou nos primeiros minutos de jogo e perdurou ao longo das horas que passei me aventurando pelo divertido mundo do game com a minha Fenyx - você pode criar um personagem masculino ou feminino, algo que não é possível em Zelda. Toma essa, Nintendo!

Brincadeiras à parte, penso que se é para copiar, que ao menos faça isso de uma boa fonte de inspiração. E, nesse ponto, Immortals é um baita acerto.

O jogo que eu não sabia que precisava

Immortals Fenix Rising - Reprodução/START - Reprodução/START
Jogo é colorido e tem o tom de um filme da Disney
Imagem: Reprodução/START

O que Immortals não copia de Zelda é a forma como a atmosfera apocalíptica do game impacta no clima do game enquanto o jogador progride.

Nesse ponto, o game da Ubisoft é uma experiência infinitamente mais leve, ainda que o cenário retratado não seja dos mais promissores: uma entidade chamada Tifão está tocando o terror no mundo do game, colocou os deuses do Olimpo em situação de vida ou morte - ok, eles são imortais, mas vocês entenderam o ponto.

Cabe ao herói controlado pelo jogador livrar os deuses dessa situação, dar cabo de Tifão e, claro, deixar o mundo da forma como ele deveria ser.

Immortals Fenyx Rising - Reprodução/START - Reprodução/START
o mapa tem vários pontos de interesse em que é possível explorar
Imagem: Reprodução/START

Apesar do jogador, o tempo todo, ter uma visão de onde Tifão está (de maneira similar ao que ocorre com Ganon em Breath of The Wild), a ameaça se mostra muito mais caricata do que, propriamente, tensa.

Boa parte disso se dá pelos constantes diálogos entre o deus Zeus e o titã Prometeu - aqui se reflete a tradicional disputa entre os dois, com Zeus sendo "pró-divindade" e Prometeu sendo "pró-mortais".

Muitas vezes são conversas leves, que lembram um pouco linhas de filmes da Disney (em especial Hércules, de 1997). Em outras, a piada é escrachada, como quando Prometeu conta a real origem de Afrodite para Zeus - e, por tabela, parece causar uma imagem mental divertidamente traumática no pai dos deuses.

Immortals Fenyx Rising Zeus e Prometeu - Divulgação/Ubisoft - Divulgação/Ubisoft
Zeus e Prometeu são os narradores e responsáveis pelas piadas no game
Imagem: Divulgação/Ubisoft

De maneira geral, esses diálogos narram a aventura de Fenyx pelo game. E, mesmo nos momentos mais complicados, eles não "pesam".

Jogar Immortals é relaxante e interessante para distrair após um ano bastante complicado

Soma-se isso com os cenários coloridos, um sistema de combate simples e um mundo que passa aquela sensação de "se eu enxergo um lugar, eu posso chegar lá" - ao meu ver, uns dos maiores méritos de Breath of the Wild - e temos uma experiência que se mostra surpreendentemente relaxante.

Nem tudo são figos do Olimpo

Se você chegou até aqui, é bem provável que esteja considerando abrir (bem) a carteira e pagar os quase R$ 300 (nos consoles) cobrados pelo jogo. Se for o caso, sugiro que leia os parágrafos a seguir.

Immortals não está imune a falhas e, por vezes, o game parece um tanto raso em seus sistemas. Para explicar o que eu quero dizer, vou retornar a Zelda: enquanto no game da Nintendo você tem aquela sensação de estar explorando camadas de jogabilidade e descobrindo meios diferentes de fazer as mesmas coisas, na criação da Ubisoft tudo é meio que "dado" de cara.

O jogador pode aprimorar equipamentos, construir itens e coisas do tipo, mas há pouca profundidade nisso.

Se por um lado isso mantém o jogador mais focado em curtir a aventura em si - suas armas, por exemplo, não quebram como em Breath of the Wild -, por outro fica a sensação de que há pouca margem de manobra quando se quer jogar o game de forma diferente.

Immortals Fenyx Rising roupas - Divulgação/Ubisoft - Divulgação/Ubisoft
Jogo possui mutias roupas e aparências para as armas, mas algumas precisam ser compradas separadamente
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Talvez o ponto que mais cause estranheza é a presença de microtransações para compra de itens cosméticos, assim como acontece em outros da Ubisoft, como Assassin's Creed e Watch Dogs.

Não que eles de alguma forma sejam necessários para o progresso do jogador, mas parece algo sem sentido em um game vendido a preço cheio (e bota cheio nisso) e para um jogador.

A variedade de inimigos também não é das maiores e, muitas vezes, você ficará um tanto quanto confuso no mapa, especialmente pela quantidade de ícones de missões paralelas.

Saldo positivo

Immortals Fenyx Rising - Divulgação/Ubisoft - Divulgação/Ubisoft
Voar é uma habilidade importante em muitos dos puzzles do game
Imagem: Divulgação/Ubisoft

São problemas pontuais que dizem mais sobre como o jogador vai encarar o game do que, propriamente, pela qualidade da obra em si.

Immortals foi jogado em um PlayStation 5 e, salvo um travamento sem causa definida, não experimentei bugs, falhas técnicas ou coisas assim, algo a ser elogiado dado algumas "cyberocorrências" nos últimos tempos.

Não nego que, provavelmente, parte considerável da minha experiência positiva com a criação da Ubisoft Quebec tenha a ver com o fato de que eu não esperava absolutamente nada do jogo, situação na qual erros são mais passíveis de perdão e acertos acabam se destacando mais.

Mesmo com esse asterisco, é seguro dizer que Immortals Fenyx Rising acumula (bem) mais acertos do que erros. É divertido, leve e cumpre sua função básica de divertir e distrair. Não traz questões filosóficas, um enredo digno de nota ou uma jogabilidade inovadora, mas cumpre aquilo que se propõe a fazer.

Immortals: Fenyx Rising

Sobre o fato de copiar na cara dura vários pontos de Zelda, como disse acima, ao menos a inspiração foi boa. E se "a imitação é a forma mais sincera de elogio", frase essa atribuída a um sem-número de autores, podemos dizer que tudo que a Ubisoft Quebec fez foi criar uma verdadeira carta de amor endereçada à Nintendo.

Immortals Fenyx Rising imagem de capa - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Lançamento: 03/12/2020
Plataforma: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series
Preço sugerido: R$ 279 (consoles) e R$ 167,43 (PC)
Classificação Indicativa: 12 anos (Conteúdo Sexual, Linguagem Imprópria, Violência)
Desenvolvimento: Ubisoft Quebec
Publicação: Ubisoft
Jogue também: The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Assassin's Creed Valhalla

*A cópia do jogo foi enviada ao START pela Ubisoft

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL