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Tetris Effect: Connected promove rave mental com o clássico jogo de blocos

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Imagem: Divulgação

João Varella

Colaboração para o START

13/12/2020 04h00

Tetris detém um pesado apelido: jogo perfeito. Somam-se a isso recorde de vendas e influência digna das obras mais relevantes da história. Tetris Effect: Connected itera essa importante manifestação cultural com um divã no meio de uma festa rave online.

O novo jogo é carregado de cores, mas nem sempre foi assim. Criado pelo russo Alexey Pajitnov há 36 anos, Tetris ganhou o mundo quando veio grátis com o portátil monocromático Game Boy, em 1989. A simplicidade da proposta —preencher linhas horizontais com peças que caem do alto da tela— somada à força da Nintendo, então hegemônica no mercado, alastrou os blocos em quatro partes pelos quatro cantos do mundo.

O título volta a abençoar o lançamento de um aparelho de videogame. Tetris Effect: Connected acompanhou a chegada do Xbox Series S e X*. Antes de seguir, falemos desse asterisco.

Explicando o *

A transição de geração de consoles da Microsoft foi heterodoxa. Não houve título de lançamento no entendimento tradicional do termo. Halo Infinite, que seria o símbolo da mudança, atrasou com sinais de um desenvolvimento atribulado.

Sem Master Chief, a tarefa de representar a nova geração de Xbox coube a títulos sem o mesmo impacto, como o jogo de mundo aberto com combate aéreo The Falconeer e Tetris Effect: Connected*.

Outro asterisco, pois Tetris Effect foi lançado em 2018 para PlayStation 4 e no ano seguinte para PC. A grande lacuna do jogo era um modo multijogador, que, veja só, foi adicionado em Connected.

Tetris Effect Connected - Divulgação - Divulgação
Tetris Effect Connected
Imagem: Divulgação

A versão é exclusiva, por algum tempo, nas plataformas Microsoft —incluindo aí o Xbox One e PCs Windows. O título está disponível para Game Pass, o serviço que representa o principal argumento do ecossistema Xbox.

Agora chega de asteriscos. Voltemos às peças geométricas.

Na cabeça

Alexey Pajitnov - Tetris - Fernanda Ezabella/UOL - Fernanda Ezabella/UOL
Alexey Pajitnov, criador de Tetris
Imagem: Fernanda Ezabella/UOL

Dos Brick Games, maquininhas vendidas nos camelôs, às gerações de consoles mais avançadas, Tetris está sempre presente de algum jeito. O game já foi esfera (Tetrisphere, 1997), misturou-se com bolhas coloridas (Puyo Puyo Tetris, 2014), entrou na onda battle royale (Tetris 99, 2019). Isso sem contar os inúmeros clones.

É tanto Tetris que ele se instalou na mente das pessoas. Virou conceito de psicologia. A síndrome ou efeito Tetris (Tetris Effect, em inglês), ocorre quando alguém dedica tanto tempo a uma atividade a ponto de manter os pensamentos dentro do padrão mesmo após abandonar dita atividade. Ou seja, ao jogar muito Tetris a pessoa começa a ver peças geométricas por todos os lados, seja lavando a louça ou lendo um livro. O efeito acontece também com outros jogos e atividades.

Os desenvolvedores sabem do envolvimento psicológico gerado pelo ato de organizar peças em Tetris. O game aproveita da mecânica consagrada já há décadas para adicionar camadas sensoriais. Graças a efeitos visuais avançados, fica ainda mais hipnótico, gera flow. Vish, de volta ao divã para explicar o que é isso.

A síndrome ou efeito Tetris (Tetris Effect, em inglês), ocorre quando alguém dedica tanto tempo a uma atividade a ponto de manter os pensamentos dentro do padrão mesmo após abandonar dita atividade

Por onde a gente passa é show

Tetris Effect Connected - Divulgação - Divulgação
Tetris Effect Connected
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Na década de 1970, o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi (pronunciar esse nome deveria destravar uma conquista) descobriu que a habilidade de uma pessoa e a dificuldade de uma tarefa interagem para resultar em diferentes estados emocionais.

O flow (fluxo na tradução literal) surge quando habilidade e dificuldade são equilibradas. Nesse estado as horas passam e o jogador nem se dá conta.

Tetris oferece imensas possibilidades de flow. A velocidade com que as peças caem engaja usuários dos mais diferentes níveis de acuidade.

A partir dessa premissa, testada e aprovada pela justiça do tempo, o diretor Tetsuya Mizuguchi —o mesmo de Rez, Lumines e da pérola Child of Eden, perdida na ludoteca do Kinect— ergueu um pilar. Em volta dele, armou um barracão para uma festa rave.

Lumines Remastered (PS4, XONE, Switch, PC) - Divulgação - Divulgação
Lumines Remastered (PS4, XONE, Switch, PC)
Imagem: Divulgação

Tetris Effect tem uma toada de psicodelia-tecno. É uma Te-trip. O jogo está envolto em cenários que não fariam feio no palco de David Guetta ou Steve Aoki. Universo, fundo do mar, deserto são algumas das paisagens que servirão de base para formas, com boa dose de dinamismo e abstração. É diverso, mas não abandona uma coerência elegante.

Se Tetris Effect: Connected fosse um quadro, seria um raro caso de fundo tão importante quanto a figura. A prioridade é o imagético em detrimento até do jogo em si — às vezes as cores das peças se misturam, chegam a atrapalhar.

Tetris Effect Connected - Divulgação - Divulgação
Tetris Effect Connected
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Tão importante quanto o visual é a música. As faixas transitam por subgêneros da EDM (Electronic Dance Music), do ritmo marcado do electro ao relaxante chill-hop — de vez em quando parece Enya espacial.

Sim, o mesmo jogo consegue abraçar diversos estados de espírito, do relaxante ao frenético sem parecer forçado. A simplicidade de Tetris pode esconder que o jogo pode ser encarado no modo "vai onde der" ou com estratégias intrincadas. Além disso, efeitos sonoros como a limpeza de linhas ou o giro das peças são inseridos naturalmente na festa.

O excesso de estímulos às vezes pode empapuçar as sinapses. Tal qual uma rave forte.

O jogo está envolto em cenários que não fariam feio no palco de David Guetta ou Steve Aoki. Universo, fundo do mar, deserto são algumas das paisagens que servirão de base para formas, com boa dose de dinamismo e abstração

Conexão na zona

Tetris Effect Connected - Divulgação - Divulgação
Tetris Effect Connected
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Em termos de gameplay, Tetris Effect traz o que já pode ser entendido como convenções dos mais recentes jogos da marca. Uma dessas evoluções é o comando hold, que permite guardar uma peça para ser usada depois.

A principal novidade é o Zone Effect, uma barra que se enche conforme o jogador elimina linhas e que pode ser usada para parar o tempo. Assim, dá para limpar mais de dez linhas numa jogada só, um marco para as regras tão demarcadas do Tetris. Alcançar Perfectris, eliminação de 18 linhas de uma vez, é um jogo dentro do jogo.

Zone Effect é a essência do acréscimo mais interessante de Connected, as Zone Battles. São lutas um contra um, online ou local, em que as linhas destruídas são inseridas no fosso do adversário. Por causa da nova mecânica, há agora também mais um raciocínio de risco e recompensa. Vale a pena arriscar acumular barra para fazer um grande ataque? O jeito é prestar atenção também nos movimentos do adversário.

Decididas em até três rounds que duram de um a cinco minutos, esse modo reforça a vocação casual de Tetris. Atende muito bem a proverbial partidinha para a pausa do almoço (que podem ser duas, quem sabe).

Tetris Effect Connected - Divulgação - Divulgação
Tetris Effect Connected
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Pena que não haja variações de cenários e músicas para incrementar ainda mais a experiência.

Há também outros dois modos PvP, que viram competição para ver quem faz mais pontos. Sem novidades, remetem às versões antigas de Tetris. Um deles simula o ambiente e as regras da versão do Game Boy.

Já o modo Connected, que está no título da nova versão, oferece um modo cooperativo delirante. Três jogadores tentam derrotar chefes controlados pelo computador e representados por constelações. Para atacar os inimigos, as matrizes dos jogadores se unificam. Os movimentos precisam ser coordenados para formar linhas e mandar blocos para a tela do inimigo.

E isso é só o começo da pira. Aqui o conceito de Tetris extrapola, pois os inimigos atacam com explosões de blocos, bloqueio de funções, entre outras estranhices.

Esse modo não atraiu. Encontrar partidas demora e quando são achadas há o risco de um jogador abandonar no meio, prejudicando a partida. Não há punição para esse comportamento.

Antes só

Tetris Effect Connected - Divulgação - Divulgação
Tetris Effect Connected
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O game também permite jogatinas solitárias. O modo Journey, equivalente à campanha, faz com que o jogador passe pelos mais de 30 cenários com mecânicas Tetris familiares. Fora mudanças bruscas de velocidade, não há grandes surpresas e nem precisa.

Após superar todas as áreas, fica habilitado um modo de navegação pelos cenários sem o jogo, puro regozijo visual, e auditivo.

Quer mais? Dentro do modo Effects há fases que pedem tarefas específicas, um desafio para pensar o jogo de outra forma. Tem missões de limpar toda a tela, de fazer o máximo de pontos em alguns minutos, por aí vai. Cada uma recomendada a um estado de espírito.

Seja do modo que for, Tetris Effect: Connected é um belo pretexto para revisitar um clássico, mesmo que seja com um divã no meio da rave.

Lançamento: 10/11/2020
Plataformas: Windows, Xbox One, Xbox Series S e X
Preço Sugerido: R$ 147,45
Classificação Indicativa: Livre
Desenvolvimento: Monstars Inc. e Resonair
Publicação: Enhance, Inc.
Jogue também: Tetris 99, Lumines, Bejeweled 3