PUBLICIDADE

Topo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Nem toda a beleza de The Pathless salva o jogo da repetição

The Pathless é criação do estúdio Giant Squid, o mesmo de Abzu - Divulgação
The Pathless é criação do estúdio Giant Squid, o mesmo de Abzu
Imagem: Divulgação

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

04/12/2020 04h00

The Pathless é um jogo que causa uma baita impressão no início: correr por um campo aberto, atirando flechas em talismãs flutuantes no cenário para ir cada vez mais rápido, saltar e fazer malabarismos no ar é a combinação de visual e mecânicas que o faz ser bem divertido.

Pena que o game, um dos títulos de lançamento do PS5, também falha em ser previsível demais em sua estrutura de jogo, repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes. E repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes.

A jornada sem caminho

Há uma razão para The Pathless ser artisticamente tão impressionante. O jogo é da Giant Squid, criadora de Abzu, que não à toa é conhecido como "O Journey no fundo do mar". Isso porque o estúdio foi formado pelo ex-diretor de arte do clássico indie de PS3.

Com alguém de arte no comando é de se esperar que os jogos tenham um cuidado extra nesse aspecto. Foi assim com Abzu e continua ainda forte em The Pathless.

A direção de arte faz de todos os cantos do cenário de The Pathless um motivo a mais para usar e abusar do botão de tirar screenshot do PlayStation: Florestas, campos, ruínas, cachoeiras, rios... Tudo é um absurdo de bonito.

The Pathless

Bater o olho nos cenários de The Pathless é lembrar logo de Shadow of The Colossus. Não há como negar a inspiração no clássico de PS2, principalmente pelo ar desolador da paisagem com ruínas que contam por si só de que ali já foi um lugar com civilização.

Também é interessante a forma como navegamos pelo mundo, de forma rápida quando no chão ou planando no ar, ressalta ainda mais a beleza desses cenários.

The Pathless jogo indie PS5 - Reprodução/START - Reprodução/START
Imagem: Reprodução/START

Só que parece que quase todos os pontos de criatividade da equipe foram gastos com a arte e faltou na hora de fazer atividades no resto do jogo, já que The Pathless falha por ser previsível demais em sua estrutura de jogo, repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes.

E repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes.

A repetição repetida

The Pathless - Premissa do Jogo

Start

Após passar das duas primeiras áreas de The Pathless, eu estava bem animado por esse provavelmente ser um dos melhores indies do ano.

Explorar o mapa do jogo, além da presenciar cenários cada vez mais bonitos, era também encontrar ruínas com pequenos puzzles que me davam insígnias, que serviam para liberar grandes torres.

Essas atividades culminaram em uma das melhores luta de chefe que joguei nos últimos tempos, usando muito bem as mecânicas próprias do jogo e com todo o clima certo de batalha épica.

Como dizem na internet: "Chef's Kiss"

The Pathless - Luta contra Chefe

Start

Pena que, depois disso, muito da empolgação começou a se perder pelo game se tornar previsível demais em sua estrutura de jogo, repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes.

Na áreas seguintes, o jogo repetia a mesma receita:

Resolver puzzles para coletar insígnias, liberar as três torres no mapa e enfrentar o chefe. Segue para a próxima região.

O pior é que cada uma dessas etapas seguia padrões bem específicos e parecidos.

Os puzzles, por exemplo, sempre envolviam tochas de fogo, espelhos, símbolos na sequência certa ou a combinação deles. Mesmo que alguns fossem até legais, o mesmo conceito de quebra-cabeça se repetiu em toda nova área, o que perdeu um pouco a graça.

Além disso, poucos eram realmente criativos ou desafiadores.

Esse é o grande problema em The Pathless: quando se chega em mais uma área, e você percebe que precisa fazer de novo os mesmos tipos de atividades que acabou de fazer nas três áreas anteriores, aí não fica mais tão divertido assim. Cansa.

O jogo seguia a mesma receita: resolver puzzles para coletar insígnias, liberar as três torres no mapa e enfrentar o chefe. Segue para a próxima região.

E quando mais uma luta de chefe era um repeteco da batalha anterior, com algumas poucas mudanças, mas mantendo a lógica idêntica, a sensação que tive no primeiro já era saudade retrô.

Por isso que tive que terminar The Pathless jogando em pequenas doses, com alguns dias entre uma jogatina e outra. Só assim para não sentir tanto o cansaço da repetição.

The Pathless cenário - Reprodução/START - Reprodução/START
Pontos em vermelho são locais com atividades não realizadas na região
Imagem: Reprodução/START

Pelo menos a beleza do jogo continuava impecável durante toda a experiência.

Uma pena mesmo é o jogo ser previsível demais em sua estrutura de jogo, repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes. E repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes.

A mesma coisa. De novo.

É até curioso como The Patheless é cheio de altos e baixos.

Ele tem ideias muito boas, como transformar o meme de fazer carinho em animais nos jogos em mecânica importante e que conversa também com a narrativa, porque ajuda a criar uma relação da protagonista com a companheira águia.

The Pathless carinho na águia - Reprodução/START - Reprodução/START
Fazer carinho na águia é uma mecânica importante em The Pathless
Imagem: Reprodução/START

Por outro lado, a estrutura que segue o mesmo padrão por todo o jogo, sem espaço para variedade e surpresas, só enfraquece uma experiência que poderia ser bem mais rica. Nem mesmo jogar no PS5 melhora tanto assim o game.

Na nova geração, The Pathless tem a opção de melhor qualidade gráfica ou de desempenho, o que é ótimo para um jogo com o visual assim e tem a velocidade como mecânica base.

Resolver puzzles para coletar insígnias, liberar as três torres no mapa e enfrentar o chefe. Segue para a próxima região.

A decepção fica mais por não usarem tão bem a novidade dos gatilhos responsivos do PS5, já que a principal forma de interação é com arco e flecha. No máximo, há vibrações diferentes aqui e ali no controle, o tal do feedback háptico, mas não é nada muito impressionante.

The Pathless jogo indie ps5 águia e protagonista - Reprodução/START - Reprodução/START
A águia e a Caçadora são as protagonistas do jogo
Imagem: Reprodução/START

No fim, infelizmente, por mais bonito e com algumas boas ideias, são os aspectos ruins que marcaram mais jogar The Pathless. A repetição. Fazer a mesma coisa. De novo. E de novo.

A falha de The Pathless é ser previsível demais em sua estrutura de jogo, repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes. E repetindo o mesmo padrão de desafios, puzzles e até batalhas de chefes.

Lançamento: 12/11/2020
Plataforma: PS4, PS5, PC (Epic Games Store) e Mobile (Apple Arcade)
Preço sugerido: R$ 199,50 (Consoles) e R$ 75,99 (PC)
Classificação indicativa: Livre (Violência)
Desenvolvimento: Giant Squid
Publicação: Annapurna Interactive
Jogue também: Abzu, Journey, Shadow of the Colossus

*A cópia do jogo foi enviada pela Annapurna ao START. A unidade de PS5 usada para testar o jogo foi enviada pela Sony ao START

SIGA O START NAS REDES SOCIAIS

Twitter: https://twitter.com/start_uol
Instagram: https://www.instagram.com/start_uol/
Facebook: https://www.facebook.com/startuol/
TikTok: https://www.tiktok.com/@start_uol/
Twitch: https://www.twitch.tv/start_uol

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL