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Velozes e Furiosos: Encruzilhada diverte, mas não conquista

Velozes e Furiosos tem perseguições absurdas, corridas aleatórias, heroísmo de sobra e muita acrobacia veicular - Divulgação/Bandai Namco
Velozes e Furiosos tem perseguições absurdas, corridas aleatórias, heroísmo de sobra e muita acrobacia veicular
Imagem: Divulgação/Bandai Namco

Jefferson Kayo

Colaboração para o START

22/08/2020 04h00

Tido como um dos lançamentos menos aguardados de 2020, Velozes e Furiosos: Encruzilhada chega de mansinho, sorrateiro e sem alarde na mídia, o que é estranho principalmente se considerarmos de qual franquia estamos falando.

Seu anúncio oficial aconteceu durante o The Game Awards de 2019, e foi o último dos trailers "World Premiere" do evento. Fast & Furious: Crossroads (seu título em inglês) tentou impactar a audiência do evento colocando Vin Diesel e Michelle Rodriguez no palco para chamarem seu próprio jogo. E de fato eles chamaram atenção, pena que de uma maneira completamente diferente da que esperavam.

O game foi desenvolvido pela Slightly Mad Studios, o que por si só já seria um grande feito. Os responsáveis por Project Cars e Need for Speed Shift são praticamente veteranos no mercado de jogos automobilísticos. Junto deles, o estúdio Tigon, especializado no desenvolvimento de jogos com Vin Diesel (Riddick, Wheelman), cujo próprio ator é um dos donos.

Velozes e Furiosos Crossroads - Reprodução/JeffKayo - Reprodução/JeffKayo
Imagem: Reprodução/JeffKayo

Uma equipe especializada em fazer jogos de corrida, enquanto a outra é especializada em Vin Diesel. Como isso daria errado? Provavelmente o único erro da Bandai Namco foi lançar o game em 2020. Deviam tê-lo lançado dez anos antes, pelo menos.

Apesar da desconfiança, a minha vontade de experimentar o game era quase palpável. "O jogo não pode ser tão ruim, são só gráficos, vamos olhar mais de perto o gameplay, quem sabe nos surpreendemos", pensei. Uma coisa é certa: não estava preparado para o que seriam minhas próximas horas de jogatina. Spoiler: não foi exatamente o que eu achei que seria.

Parece um filme

Velozes e Furiosos Crossroads - Reprodução/JeffKayo - Reprodução/JeffKayo
Imagem: Reprodução/JeffKayo

O roteiro original de "Velozes e Furiosos: Encruzilhada", coloca o game como a última história cronológica da franquia. O plano inicial era lançá-lo junto do filme novo, mas devido à pandemia isso não aconteceu - o filme foi adiado para 2021. O game se passa imediatamente depois do que vimos em Velozes e Furiosos 8, com Dominc Toretto (Diesel) e Letty Ortiz (Rodriguez) como agentes secretos comandados por Mr. Nobody (Kurt Russell, que não aparece no jogo, mas é citado), para acabar com a organização criminosa Tadakhul (que veja só, significa "encruzilhada" em outro idioma).

Os jogadores que forem atrás do game em busca do total protagonismo de Vin Diesel, vão cair do cavalo. Um dos maiores acertos do game foi dar o papel principal às duas novatas na saga: Vienna e Cam, interpretadas por Sonequa Martin-Green (Star Trek Discovery e The Walking Dead) e Asia Kate Dillon (John Wick 3 e Orange is the New Black), respectivamente.

Ao lado de Letty, as garotas roubam os holofotes e invertem completamente os papéis de donzelas em perigo (donzela esta, interpretada por Tyrese Gibson, o Roman da franquia original).

Velozes e Furiosos Crossroads - Reprodução/JeffKayo - Reprodução/JeffKayo
Imagem: Reprodução/JeffKayo

Além das celebridades já citadas, o grande vilão do jogo ficou nas mãos de Peter Stormare (John Wick 2, Deuses Americanos). Como puderam investir tanto no elenco do jogo e não apostarem em sequências de FMV para as cutscenes? Sério, ideia de ouro essa que infelizmente não rolou.

O filme tem todos os exageros que um Velozes e Furiosos precisa: missões furtivas em porta-aviões ancorados, perseguições com tiroteios em rodovias, hovercrafts gigantes, tanques e até uma corrida contra um foguete, apoiando ainda mais as teorias de que um próximo filme colocaria Toretto na lua. Nisso ninguém pode reclamar.

Vamos correr!

Velozes e Furiosos Crossroads - Reprodução/JeffKayo - Reprodução/JeffKayo
Imagem: Reprodução/JeffKayo

Se você acompanhou toda a saga cinematográfica da família rachadora, vai se sentir em casa. Tudo que apareceu nos filmes está representado de alguma maneira no jogo. Inclusive, sempre que podem, os personagens lembram momentos clássicos da saga durante algumas perseguições ou lutas contra chefes.

Sequências de cutscenes longas, seguidas de um gameplay que aposta no estilo Driver de ser. Ação 100% dentro do carro, com perseguições, combates em equipe e até algumas corridas esporádicas. A mecânica principal de controle faz o jogador ter acesso de um a quatro personagens ao mesmo tempo, com as trocas entre os membros da equipe acontecendo em tempo real, quando assim é necessário.

E durante a jogatina, é fácil ficar furioso, difícil mesmo é saber se estamos velozes de verdade. Acontece que o game não mostra o HUD tradicional dos jogos de corrida, com um velocímetro no canto da tela e coisas do tipo.

Velozes e Furiosos Crossroads - Reprodução/JeffKayo - Reprodução/JeffKayo
Imagem: Reprodução/JeffKayo

Mesmo sem sabermos exatamente a que velocidade estamos, o jogo entrega uma certa sensação de velocidade. Não há troca de câmeras, e infelizmente, pouco importa o desafio da corrida. Sempre que pode, a IA faz de tudo para que o jogador alcance seus adversários na corrida, um artifício clássico de jogos "arcade". A plástica de vencer por um fio é muito mais importante que a veracidade da situação.

Outra coisa muito bizarra, ainda pensando na franquia Velozes e Furiosos, é que não é possível, em nenhum momento da campanha, escolher um carro para jogar. É sempre o jogo que fornece o equipamento necessário para missão. As escolhas são, em sua maioria, referenciadas nos filmes, mas temos algumas novidades também, como no caso dos carros híbridos ou totalmente elétricos.

E não há enganação quanto os gráficos do jogo. Pela primeira vez na história dos videogames, um trailer de lançamento expressa exatamente o que ele é na entrega do produto final. Aquilo que você no trailer, você tem no jogo, sem surpresas, felizmente (?).

Modo online

Velozes e Furiosos Crossroads - Divulgação/BandaiNamco - Divulgação/BandaiNamco
Imagem: Divulgação/BandaiNamco

Para minha surpresa, há um extenso conteúdo online focado em disputas entre jogadores, com sistema de progressão de níveis, destravamento de habilidades, classes e veículos extras. Chamado de Operações Especiais, o modo online é um grande racha de nove jogadores em três times: heróis precisam cumprir o objetivo, vilões precisam impedir e policiais têm que detonar geral.

Cada um dos jogadores é extremamente importante para o time, pois eles são divididos em classes específicas. É necessário que o time jogue junto, pois cada um possui uma habilidade essencial para a missão.

É difícil se alinhar com o resto do time no começo, e ainda mais difícil encontrar jogadores suficientes para completar uma sessão online, mas se existe algo que daria certo nesse jogo, é o modo online.

Velozes e Furiosos: Encruzilhada parece muito com um filme tradicional da franquia. Tem perseguições absurdas, corridas aleatórias, heroísmo sobrando e muita acrobacia veicular. Mas aí toda essa questão "retrô" de ser, com visual e jogabilidade tão datados que fica difícil defender alguma coisa. Foi uma experiência, sem dúvida, mas com certeza não vale o investimento atual. Quem sabe numa promoção?

Velozes e Furiosos: Encruzilhada

Velozes e Furiosos Crossroads - Divulgação/BandaiNamco - Divulgação/BandaiNamco
Imagem: Divulgação/BandaiNamco

Lançamento: 07/08/2020
Plataforma: PS4, PC (Steam), Xbox One
Preço Sugerido: R$ 249,90
Classificação: 14 anos
Desenvolvimento: Slightly Mad
Publicadora: Bandai Namco
Jogue também: Driver San franciso

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