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Não precisa ser o Superman nem um bruxo pra montar um PC: eu mesmo fiz isso

Pode não parecer, mas esse amontoado de peças vai virar um PC gamer - Reprodução/RodrigoLara
Pode não parecer, mas esse amontoado de peças vai virar um PC gamer Imagem: Reprodução/RodrigoLara

Rodrigo Lara

Colaboração para o START

02/08/2020 04h00

"Você viu o Henry Cavill montando um PC?". Essa foi uma pergunta que ouvi bastante nos últimos dias, especialmente porque algumas pessoas de convívio mais próximo sabiam que eu estava cogitando montar uma máquina para games, streaming etc.

E, claro, junto com a ideia vinha o temor: será que eu, um cara comum, sem bíceps avantajado estrategicamente à mostra por causa de uma camiseta regata, sem os poderes do Superman ou do Geralt de Rívia e, especialmente, sem qualquer habilidade ou experiência prévia, seria capaz de pegar um amontoado de peças e transformá-la em uma máquina capaz de rodar qualquer coisa além de campo minado?

Depois de praticamente um dia de trabalho, alguns momentos de stress e busca incessante por informações - seja em vídeos na internet, nos manuais dos componentes e com amigos mais experientes -, eu falo: não, você não precisa ser o Henry Cavill para montar um PC, fazer ele funcionar e, claro, ter uma máquina para se divertir com seus games.

Bem, talvez você precise de uma dose de paciência sobre humana em alguns momentos, mas não é nada impossível de ser feito. E as dicas a seguir podem ajudar a evitar muitos dos problemas pelos quais eu passei.

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Antes do seu PC ficar assim, bonitão e funcional, prepare-se para suar um pouco
Imagem: Reprodução/RodrigoLara

Reserve tempo e espaço

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Imagem: Reprodução/Rodrigo Lara

Antes de sequer comprar as peças, uma recomendação: esse site permite que você monte uma configuração virtual. E qual é a utilidade disso? Além de se certificar que não há conflitos entre os componentes escolhidos, ele também mostra qual loja está com o melhor preço para cada peça que irá compor o seu PC.

Uma vez que você já esteja de posse de todos os itens, é hora de colocar a mão na massa.

É uma recomendação óbvia, mas o ideal é que você reserve tempo para a empreitada (o que eu fiz, felizmente) e tenha um bom espaço para isso, como uma mesa de jantar ou bancada limpa. Aqui, para evitar que meus dois gatos comessem algum parafuso, fiz em uma mesa de escritório e, por vezes, tive que me contorcer um pouco, o que certamente deixou o trabalho menos eficiente.

Organização também ajuda. É bom ter um potinho (ou mais de um) para guardar parafusos separadamente, de acordo com a parte que você está montando - acredite, parafusos têm vida própria e adoram cair no chão, o que é especialmente problemático durante a montagem de um PC por se tratar de peças pequenas.

Ah, como não poderia deixar de ser, ter as ferramentas corretas à mão é essencial. O meu PC eu montei, basicamente, usando um kit de chave de fenda com ponteiras distintas e uma parafusadora elétrica e um alicate de corte. Senti falta apenas de uma pinça ou de um alicate pequeno sem corte, para pegar algum parafuso perdido ou, ainda, conectar algum plugue mais inacessível.

Outro ponto importante: não force nenhum componente nem aperte demais nenhum parafuso. Apesar de não serem "de cristal", os componentes de um PC são sensíveis e não exigem muita força para serem fixados.

Trace um plano e siga à risca

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Imagem: Reprodução/Twitter

Fazer um processo de maneira organizada é a melhor forma de evitar stress ou, ainda, cometer algum erro e correr o risco de danificar componentes.

Aqui, não tem muito segredo: se informe. Isso vale tanto para a leitura de manuais - sim, eu sei que tem muita gente que odeia, mas não tem jeito - ou vídeos que ensinam todo o processo.

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O ideal é montar componentes como o processador e as minorias de prender a Placa Mãe no gabinete
Imagem: Reprodução/RodrigoLara

Eu segui uma ordem que facilita todo o processo. Primeiro, voltei minha atenção para a placa-mãe: instalei o processador (muito cuidado com a posição correta, geralmente representada em um dos cantos da peça), a pasta térmica e o cooler do processador e as memórias. Só depois disso eu movi a placa mãe para dentro do gabinete.

Aqui, é interessante prestar atenção em uma coisa: dependendo do tamanho da sua placa mãe, ela será presa ao gabinete de forma diferente. Quando você descobrir qual é o tipo dela, basta posicionar os parafusos corretamente e a instalação é simples.

Antes de prender a placa, no entanto, é interessante observar o gabinete e ver se ele tem espaços dedicados à passagem de fios. Se você usá-los de maneira a evitar que fios fiquem dependurados, a aparência das "entranhas" do PC tende a ficar limpa e atrativa.

Uma vez que gabinete e placas estiverem presos, você pode encaixar a placa de vídeo. Não há muito segredo aqui, mas ela exige que se remova uma parte da cobertura da traseira do gabinete (para alocar as saídas HDMI, display port etc).

Feito isso, plugue outras placas, caso as tenha, e parta para a instalação do HD. Gabinetes, normalmente, têm gavetas para os HDs e espaço para que SSDs sejam presos. Não há muito segredo aqui. Também é interessante plugar outros cabos, como os que comandam os botões liga e desliga e reset do gabinete - novamente, há uma série de tutoriais disponíveis na internet que mostram onde cada um desses cabinhos vai - e prender os coolers no gabinete, caso seu projeto inclua esses componentes.

Quebra-cabeça de cabos

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Com a Placa Mãe presa ao gabinete, o seu PC começa a ficar com uma cara de quase pronto
Imagem: Reprodução/RodrigoLara

Uma das partes mais desafiadoras para novatos é a instalação da fonte. Não que prender a peça no gabinete seja difícil, mas a quantidade de cabos que sai dela pode intimidar em uma primeira olhada.

A primeira coisa que eu recomendo que você faça é separar possíveis emaranhados e deixar cada um dos cabos totalmente solto. Isso pode variar um pouco de acordo com a construção do seu PC, mas você usará pelo menos quatro desses cabos: um com 24 conectores, que será ligado na placa-mãe, um de oito conectores PCI que será conectado à placa de vídeo, outro de oito conectores que também será ligado à placa-mãe e um com uma saída compridinha em formato de "L", que irá alimentar HDs e SSDs.

Caso tenha mais cabos além desses, você pode escolher um cantinho do gabinete para deixá-los "guardados". Você pode usar presilhas plásticas para prendê-los e evitar que eles fiquem à mostra.

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Gabinetes mais atuais têm buracos e passagens para você evitar emaranhados e deixar o visual do seu PC mais organizado
Imagem: Reprodução/RodrigoLara

Na hora de prender os cabos da fonte nas placas, fique atento aos lados dos conectores: à exceção dos que vão nos HDs, os demais têm plugues no formato de "casinha". Basta observar esse formato nas entradas das placas e você não deverá ter qualquer problema.

Não tenha medo de errar

Com processador, memórias e placa de vídeo encaixados na placa mãe, HDs e fonte conectados, é hora de testar. Se você não fez nada errado, o PC deverá ligar normalmente e te jogar para uma tela de configuração da BIOS. A partir daí, basta você ter um pendrive com o sistema operacional escolhido e dar prosseguimento à instalação.

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Depois de montado, essa é a imagem que você quer ver na tela do seu PC. Agora, é só instalar o sistema operacionar e ir para o abraço
Imagem: Reprodução/RodrigoLara

Caso isso não ocorra, porém, é provável que algo não foi montado corretamente. Aí, não tem jeito: o melhor a se fazer é analisar os seus passos para poder encontrar a falha. Por experiência própria, eu falo que o segredo é não ter medo de errar: quando montei o meu PC, eu tive que refazer várias etapas e, desde que ele está pronto e funcionando, eu já desmontei várias partes deles para corrigir pequenas falhas ou aprimorar alguns detalhes - como fios mal posicionados, por exemplo.

E, no processo, já cortei dedo em rebarbas, xinguei muito (fora do Twitter), me irritei, dei risada e cá estou com meu PC do jeito que eu queria. E, o melhor: joguei fora aquela ideia de que esse processo era um bicho de sete cabeças impossível de ser derrotado por um cara comum como eu.

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