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Bob Esponja de PS2 vira clássico cult graças aos speedrunners

Divulgação
Imagem: Divulgação

Matheus Fernandes

Colaboração para o START

12/07/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Jogo de 2003 ficou famoso nas maratonas em que o objetivo é zerar o game em tempo recorde
  • O remake de 2020 é o segundo mais popular no site Speedrun.com, só atrás de Super Mario 64
  • O streamer SHiFT conta que já terminou o jogo "mais de mil vezes"

Em junho deste ano, SpongeBob: Battle for Bikini Bottom, jogo do personagem Bob Esponja do começo dos anos 2000, recebeu um remake, Rehydrated. Em uma indústria dominada por recriações, Rehydrated é a história de um projeto motivado não só pela nostalgia por um mundo mais fácil antes de pandemias e crises econômicas, mas também por um esforço coletivo da comunidade speedrunner de resgatar um videogame esquecido e transformá-lo em clássico cult.

No site speedrun.com, principal base de dados da categoria de gamers dedicada a terminar jogos o mais rápido possível, Rehydrated só perde atualmente para Super Mario 64 na lista de mais populares, enquanto a versão original de Battle for Bikini Bottom está no patamar de clássicos absolutos da modalidade, como Super Mario Bros e Ocarina of Time.

Vive num abacaxi e mora no mar

Clássico do comércio alternativo de PS2, Battle for Bikini Bottom é um platformer focado na coleta de itens, no qual a esponja mais popular da internet segue o roteiro de games populares do período como Banjo e Spyro, explorando o fundo do mar em busca de espátulas douradas enquanto enfrenta uma invasão robótica. Lançado em 2003, o jogo pertence à fase áurea da personagem, que engloba as três primeiras temporadas do desenho mais o filme, período no qual o criador Stephen Hillenburg estava envolvido diretamente. Com a exaustão da franquia, Battle for Bikini sofreu junto, caindo no limbo destinado aos games licenciados dos anos 2000.

Bob 4
Imagem: Reprodução

A retomada da popularidade do jogo se deu em plataformas como Twitch e Youtube, onde speedruns do jogo despertaram atenção suficiente para participar de eventos como a maratona solidária Games Done Quick. Esse sucesso gerou até categorias inusitadas de competição como Shit%, em que o objetivo é levar o personagem ao banheiro em tempo recorde ou fazer uma run pacifista. Com o remake, o game passa por seu momento mainstream nas redes, tanto no speedrun, quanto nos videos de gameplay e, principalmente, nos memes.

Ter um protagonista carismático ou ser inusitado não bastam para um game se tornar um sucesso nos speedruns. Battle for Bikini Bottom conta com uma mistura propícia de controles fluídos e uma dose saudável de glitches, não do tipo que torna um game injogável, mas do que possibilita desconstruir o game peça por peça e realizar ganhos incrementais de tempo a cada nova descoberta, como os pulos para trás na escada de Mario 64, ou a possibilidade de completar os níveis em pixels exatos, evitando a animação da bandeira em Super Mario Bros.

SHiFT - Reprodução/Twitch - Reprodução/Twitch
"Os movimentos básicos do jogo junto com as opções 'glitchadas' permitem quase qualquer coisa", diz o streamer SHiFT
Imagem: Reprodução/Twitch

"Os movimentos básicos do jogo junto com as opções 'glitchadas' permitem quase qualquer coisa. Aumentar a velocidade, levitar, atravessar paredes e pisos. Existem vários métodos para cada uma dessas coisas, de um jeito que você sente que qualquer coisa é possível se acharem um setup para isso. Se você consegue imaginar, a engine é capaz", explica SHiFT. O streamer é um dos principais expoentes da cena speedrunner do jogo, sendo o atual recordista nas três principais categorias do game original e contando com mais de 9 milhões de views em seu canal do Youtube.

EU ASSISTIA BOB ESPONJA QUANDO ERA UMA CRIANÇA, NO COMEÇO DOS ANOS 2000. SUPEREI BOB ESPONJA E DEIXEI BATTLE FOR BIKINI BOTTOM PARA TRÁS EM ALGUM MOMENTO. REDESCOBRI O JOGO AOS 19 ANOS E COMECEI A APRENDER SUAS ESTRATÉGIAS AVANÇADAS
SHiFT, um dos principais streamers de speedrun

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Imagem: Reprodução

É essa busca por pequenas rachaduras na realidade que une os jogadores. Tentar transcorrer um jogo o mais rápido possível pode ser algo solitário —uma espécie de Sísifo, se fosse possível atravessar a pedra na montanha e reduzir o tempo da jornada a cada tentativa— mas o speedrun também é uma forma excelente de estabelecer comunidades, com centenas de membros dedicados a achar novos exploits ou comemorando a cada centésimo de segundo cortado de um recorde.

Ao START, SHiFT conta que já jogou Battle for Bikini Bottom pelo menos 20 mil vezes, completando-o em pelo menos mil dessas oportunidades. Agora, se dedica a um documentário dividido em quatro partes abordando a história de como o speedrunning efetivamente reviveu o jogo.

Sua história com o jogo, assim como a maioria das pessoas que conversei, começou muito antes de sua popularidade renovada ou do remake. "Eu assistia Bob Esponja quando era uma criança, no começo dos anos 2000, assim como muitos outros. Como a maioria das crianças dessa era, superei Bob Esponja e deixei Battle for Bikini Bottom para trás em algum momento. Redescobri o jogo aos 19 anos e comecei a aprender suas estratégias avançadas por fascínio", conta. "A partir daí o resto é história".

O jogador teve papel direto no desenvolvimento de Rehydrated, sendo convidado pela Purple Lamp, estúdio responsável pela nova versão, para certificar de que os níveis tinham o feeling esperado. "A colaboração foi para ajudar a resolver algumas das coisas que a comunidade tinha preocupações e testar o level design geral deles", diz.

Bob - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

No Brasil, o game também começa a reunir entusiastas. "Eu jogo desde os meus 5 anos de idade, e sempre foi meu jogo preferido, quando soube que vinha um remake fiquei louco", conta João Otavio Matras. Apaixonado por Bob Esponja e pela "gameplay fluída" de BfBB, ele viu no lançamento do remake a "oportunidade perfeita" para começar suas runs no Youtube e Twitch.

Sethmannerz15, outro representante local, cdiz que "sempre amou o desenho e jogava os jogos quando era criança". Ele já fazia speedruns há alguns anos, mas caiu em um vídeo de uma run de outro jogo do personagem, SpongeBob Squarepants Movie, "que também estava no tal do 'revival'". As tentativas de BfBB começaram após assistir alguns videos e se interessar na movimentação e nos glitches. "Assisti a vários tutoriais diferentes e subi nos ranks com a ajuda do pessoal que eu conhecia", relata.

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Imagem: Reprodução

Ambos sonham com um envolvimento maior dos gamers brasileiros. "Mesmo sendo um ótimo desenho, as pessoas tendem a não levar jogos assim a sério, por incrível que pareça, o que é uma coisa ruim, BfBB é incrível", diz Seth, que acredita que com mais divulgação "a comunidade BR conheceria o jogo". Já Matras tem um plano para expandir a comunidade por meio de tutoriais no Youtube. "Esse jogo é espetacular, e muitos brasileiros se interessam pela modalidade speedrun", diz.

Outro sonho de Seth é a presença de Bob Esponja no Brazilians Against Time, equivalente nacional ao Games Done Quick: "eu tenho esperança. Adoraria estar lá e representar o jogo". Ao Start, a organização do evento diz que a seleção depende de vários fatores, mas que sempre torcem para os jogadores trazerem as novidades, citando como exemplo a speedrun de Any% de Rehydrated.

Para quem se interessou em fazer runs do jogo, essa categoria é um bom começo para a nova versão. Na primeira vez que terminei o jogo, pelo modo convencional, levei pouco mais de 10 horas. Em uma tentativa pouco otimizada, o tempo caiu para 10 minutos, com a ajuda do glitch que possibilita ir direto para o nível final - para efeitos comparativos, o recorde atual é de 1min44s. A dica é participar da comunidade: o próprio SHiFT tem uma playlist onde compartilha suas técnicas, as runs comentadas começam a bombar no Youtube e servidores no discord reúnem material de estratégia. Quem sabe em um futuro próximo os fãs não motivem o mesmo tratamento a outros jogos da franquia, como o SpongeBob Squarepants Movie.

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