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Da Europa, jogador brasileiro de PUBG brilha em torneios da América Latina

Sparkingg 2 GLL Temporada 4 - Daan Driessen/GLL
Sparkingg 2 GLL Temporada 4 Imagem: Daan Driessen/GLL

Gabriel Oliveira

Colaboração para o START

06/07/2020 04h00

Ping alto tira qualquer pessoa do sério em jogos online, mas não é páreo para Pedro "sparkingg" Ribeiro. Jogando da Europa, o cyber-atleta brasileiro de PUBG, de 18 anos, tem se destacado no cenário competitivo da América Latina, liderando as estatísticas de performance individual dos campeonatos.

Sparkingg conquistou o maior número de eliminações de adversários nas três competições latino-americanas oficiais desta temporada, mesmo jogando com 220 milissegundos de ping.

É uma latência (tempo do processamento de dados na internet) bem acima da experimentada pelos demais competidores, entre 10 e 100. Quanto maior o ping, mais lenta a execução das ações.

Do Brasil para Portugal

Sparkingg 1 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Nascido em Cabo Frio (RJ), sparkingg mudou-se ainda bebê para Portugal, país de origem do pai. Ele retornou ao Brasil quando criança e, em abril do ano passado, passou a morar com a família na cidade portuguesa de Aveiro, em busca de uma melhor qualidade de vida.

A possibilidade de jogar PUBG na Europa também pesou para a mudança, conforme conta sparkingg ao START. Ele iniciou no battle royale já na fase de testes beta, em 2017, e logo se viciou.

Antes do PUBG, sparkingg participou de competições no Battlefield, no Point Blank e no Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO). Ele é aficionado em games desde antes mesmo de aprender a ler e escrever e sempre teve uma veia competitiva pulsante.

"Nessa época estava jogando bem no CS. Joguei tudo para o alto, chutei o balde e decidi jogar PUBG. Parei com o CS e só jogava PUBG o tempo inteiro. Trouxe o meu amigo do CS, o vhz, da FURIA, e estamos jogando sem parar desde 2018", relata sparkingg, contando que eram mais de dez horas diárias de jogo.

Dedicação ao PUBG

Sparkingg 2 - Daan Driessen/GLL - Daan Driessen/GLL
Imagem: Daan Driessen/GLL

Ele estreou em campeonatos de PUBG em abril de 2018 e, em meados daquele ano, decidiu que iria se dedicar ao cenário competitivo.

"Eu tentei jogar bola profissionalmente, mas eu comecei a sentir que não gostava, me sentia meio mal. Jogando PUBG competitivamente, eu sentia que curtia mais do que futebol. Foi quando eu comecei a me dedicar", relembra sparkingg.

Apesar disso, o cyber-atleta ainda era novo demais para participar das competições profissionais. No PUBG, só maiores de idade podem disputar os campeonatos oficiais. Na Europa, liberado para se inscrever em torneios que permitiam menores de idade, a empolgação tomou conta de vez. "Isso me trouxe o hype de novo e comecei a me dedicar muito mais".

Da Europa para a América Latina

Sparkingg 3 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Sparkingg conta que, apesar de morar em Portugal, aceitou o convite para fazer parte de uma equipe da América Latina, a Meta Gaming, porque teria mais oportunidades e poderia ficar perto da comunidade brasileira.

"Na Europa eu não acho que seria chamado instantaneamente por uma equipe do tier 1 [primeira divisão]. Equipes boas e estruturadas têm uma base e não mudam tão cedo. Além disso, no cenário europeu é muito mais difícil crescer, passar pelo classificatório e chegar ao tier 1. Com a Meta, eu vi que poderíamos ter bons resultados na América do Sul. Jogar no meu continente, com brasileiro no time e torcida brasileira, também pesou na minha decisão, porque é legal ter fãs no seu país", comenta o pro-player.

Pela Meta, sparkingg realmente alcançou o sucesso. Com 18 anos completados em maio, o brasileiro pôde participar do circuito competitivo de PUBG e chamou a atenção pelas incríveis performances, mesmo com lag.

Ele conquistou a maior quantidade de abates nas três competições oficiais de PUBG que disputou em 2020. Foram 24 nas finais da PUBG Super Week, 69 na fase de grupos da Copa PUBG Masters e 45 nas finais da Copa PUBG Masters, liderando as estatísticas individuais em todas elas.

A Meta ficou com o vice no primeiro campeonato e com a 1ª colocação nos outros dois. Os eventos são disputados pela internet.

Estatísticas

Finais da PUBG Super Week
1º sparkingg
24 abates / 15 assistências / 5.424 dano causado

2º Pablex
23 abates

3º Pand4e
20 abates

Copa PUBG Masters: Fase de Grupos
1º sparkingg
69 abates / 36 assistências / 12.771 dano causado

2º Pand4e
65 abates

3º vhz
60 abates

Copa PUBG Masters: Finais
1º sparkingg
45 abates / 19 assistências / 7.280 dano causado

2º GroppoRJ
30 abates

3º SzylzEN
29 abates
Fonte: PUBG

O número de jogos em cada torneio muda, mas a média de abates do brasileiro se manteve alta, na casa de 2 eliminações por partida. Na competição mais recente, o pro-player brasileiro bateu a marca de 2,5 kills por confronto - muito mais do que a média de 1,6 obtida pelo jogador com o segundo melhor desempenho.

"Eu sempre treino muito e me esforço. Nunca fiquei na zona de conforto com o meu jogo. Sempre acho coisa para melhorar e, também, estar em um time bom colabora muito", justifica sparkingg sobre suas ótimas performances.

O elenco da Meta conta ainda com dois brasileiros (sendo um cyber-atleta e o treinador), um argentino e um uruguaio. Todos, veteranos e com experiência internacional, jogando de seus países.

"Nós sempre jogamos pegando informação, visando estarmos bem posicionados, e não colocamos uma responsável por isso. São os quatro juntos. E estou sempre ali nas fights. Quase sempre pego kill. É muito raro eu não matar pelo menos um por partida. Quando ganhamos uma partida, eu mato bastante. Quando ganhamos, é com bastante abate", detalha sparkingg.


Ping alto

Sparkingg 5 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

"O ping alto no PUBG é meio traiçoeiro. Em outros jogos, é quase impossível jogar. No PUBG o jogo parece praticamente a mesma coisa, só que tem muito delay [atraso] nos comandos que você dá para o personagem", contextualiza o jogador.

Os atos de abrir e fechar portas, pegar itens e trocar de armas são prejudicados, mas o principal problema é a trocação de tiro. "Muitos tiros não contam no adversário. Na minha tela eu dei 10, 15 tiros, mas não o mato. Ele é que me mata".

Por isso, sparkingg evita ao máximo as trocações perto dos inimigos e dá preferência aos tiros de longa distância e às jogadas nas quais tem mais chances de levar a melhor.

"Eu não arrisco totalmente porque, por mais que eu seja bom e tenha confiança, eu posso simplesmente acertar os tiros, eles não contarem e eu morrer. Eu não brinco com o azar", diz sparkingg.

Sparkingg 4 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Ele admite que teve mudar de estilo, sendo menos ousado, para se adaptar às limitações da latência. "Eu sempre tentava fazer muitas jogadas. Com ping alto, eu sou mais cuidadoso, evitando tomar dano desnecessário e trocar tiro sem necessidade".

O lag também o prejudica nas fugas, pois, quando sparkingg está sendo alvejado pelos adversários, dificilmente consegue correr e sair vivo.

O ping alto não me atrapalha tanto mais, porque já me acostumei, mas me limita. Ele muda o meu estilo de jogo
Pedro "sparkingg" Ribeiro

E o ping alto tem alguma vantagem? O brasileiro explica que sim: nos tiros à longa distância, a diferença de latência faz com que o adversário seja abatido por ele milésimos de segundos depois de ter dado a cara e se escondido. "Tem pro-player que 'chora'. Posso até ter vantagem, mas são situações menos decisivas no jogo", faz questão de ressaltar o pro-player. Isso porque, por conta da distância, um companheiro de time tem tempo suficiente para ajudar e levantar o jogador abatido.

Do online para o offline

Mesmo acostumado com a latência alta, sparkingg não deixa de ter a vontade de jogar presencialmente. Antes de entrar para a Meta, em abril, o jogador defendeu uma equipe europeia em duas competições offline. Ele também participou da 4ª temporada da GLL, em Estocolmo, na Suécia.

Sparkingg deve ir, em julho ou agosto, morar em Assunção, no Paraguai, na gaming house da Meta. Assim, terá a oportunidade de jogar com ping menor e, portanto, com condições de igualdade aos adversários.

Se eu jogo bem 'lagado', quem dirá não estando 'lagado', jogando de igual para igual, sabendo que não estou na desvantagem
Pedro "sparkingg" Ribeiro

"Com ping bom eu faço mais coisa, em certas situações eu ajo diferente, sou agressivo", projeta sparkingg, ansioso por morar no centro de treinamento da equipe e vivenciar ainda mais a experiência de ser cyber-atleta e certo de que pode ir ainda mais longe no PUBG.

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