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Depois de chegar ao Switch, Relic Hunters quer dominar o mundo

Marcos Venturelli, um dos fundadores do estúdio Rogue Snail, durante o BIG Festival 2019 - André Lucas/UOL
Marcos Venturelli, um dos fundadores do estúdio Rogue Snail, durante o BIG Festival 2019
Imagem: André Lucas/UOL

Makson Lima

Colaboração para o START

17/06/2020 04h00

Relic Hunters é a história de sucesso de uma ideia entre amigos que acabou ficando maior do que eles esperavam: nasceu como projeto em uma "game jam", evoluiu para jogo gratuito e, anos depois, já chegou ao Switch e deve ganhar sua versão turbinada ainda em 2020 para PCs via Steam.

"O que começou apenas como uma brincadeira minha e do Betu [Souza] hoje é a Rogue Snail, um estúdio com 18 pessoas", conta Marcos Venturelli, um dos fundadores da Rogue. Em um papo com o START, ele falou sobre o relacionamento com a comunidade e os planos de "dominar o mundo" com Relic Hunters, expandindo o game para desenho animado e quadrinhos.

Relic Hunters surgiu durante o desenvolvimento de Chroma Squad, outro grande game brasileiro, e está intimamente ligado a game jams. "Eu e o Betu Souza estávamos trabalhando full-time no Chroma Squad, na Behold Studios, e em um final de semana fomos fazer uma game jam. O jogo chamava 'Space Jimmy'. Só que no meio da jam eu fiquei doente, e eu era o único programador, então acabamos abortando!", relembra Venturelli.

Mesmo assim, a ideia acabou evoluindo. "A gente estava se divertindo tanto que decidimos continuar trabalhando no jogo no outro final de semana para terminá-lo, mesmo que a jam já tivesse terminado. Aí no outro final de semana também, e no outro..."

Nosso contato com a comunidade é diário, faz cinco anos. A gente costuma se referir à comunidade como um jardim, precisa cuidar todos os dias
Marcos Venturelli, da Rogue Snail

Relic Hunters Legend - Divulgação - Divulgação
Relic Hunters Legend será um game bastante ambicioso
Imagem: Divulgação

A decisão de lançar o jogo como freeware e open source veio como uma espécie de termômetro de empolgação. "Se o jogo tivesse 100 mil downloads no total, seria um bom indicativo de que a gente poderia fazer um jogo comercial no futuro dentro do mesmo universo", conta Venturelli. Acontece que foram 200 mil downloads no primeiro mês, com comunidade se formando, produzindo fanfics e fanarts, comprovando o real interesse nesse universo quase inexistente lá pelos idos de 2015.

"Nossa comunidade sempre pediu muito duas coisas acima de tudo: multiplayer online e uma versão para Switch", explica Venturelli. A versão para o portátil da Nintendo chegou com Relic Hunters Zero: Remix em maio, ajudando a crescer o número de downloads do jogo —cerca de 1,5 milhão até hoje.

Relic Remix - Divulgação - Divulgação
Relic Hunters Zero Remix é diversão garantida no Nintendo Switch
Imagem: Divulgação

Enquanto a versão de PC é grátis, a de Switch é paga e, por isso mesmo, comporta mais conteúdo. É uma remasterização que faz jus ao investimento, além de evoluir muito o que foi oferecido na versão original. E é incrível como Relic Hunters combina com a portabilidade do console híbrido da Nintendo. No entanto, o multiplayer online continua uma realidade apenas para o novo e bem mais parrudo projeto da Rogue Snail, Relic Hunters Legend. "A versão remix foi uma ideia e parceria com os nossos amigos da Akupara Games, um estúdio de Los Angeles. A gente trabalhou juntos no Kickstarter do Relic Hunters Legend", conclui Venturelli.

Relic Hunters é uma franquia bastante reconhecida. Como é o contato de vocês com os jogadores, a comunidade? O quanto os comentários e opiniões alteraram as atualizações do jogo?

Marcos Venturelli: Nosso contato com a comunidade é diário, faz cinco anos. A gente costuma se referir à comunidade como um jardim, precisa cuidar todos os dias. Somos muito próximos, tem pessoas que estão com a gente desde o lançamento do Relic Hunters Zero original, e tem pessoas que eram muito jovens quando entraram na comunidade e hoje estão indo pra faculdade ou começando os seus primeiros empregos. A nossa comunidade guiou todo o desenvolvimento do jogo, com ideias, mods, feedback, etc. Desenvolvemos o Relic Hunters Zero de forma aberta, e o jogo se modificou bastante ao longo dos anos.

START: E o que diferencia Relic Hunters Zero do vindouro Legend? Eles serão tão diferentes?

Marcos Venturelli: São jogos completamente diferentes. Relic Hunters Zero é um jogo pequeno, pixel art, offline, de escopo limitado, programado basicamente por mim, sozinho. Relic Hunters Legend é uma superprodução em 3D, é um jogo online persistente, é um RPG completo, e tem muito em comum com jogos como Borderlands, Destiny e Warframe, com uma equipe que este ano deve chegar a 30 pessoas.

START: Como foi o projeto para transformar Relic Hunters em uma animação? Há outros planos para levar o jogo até outras mídias? O quadrinho é realmente bom!

Marcos Venturelli: A nossa parceria com o pessoal do Copa Studio —que fez as animações e que tem no currículo séries como Irmão do Jorel e Tromba Trem— começou muito cedo. Antes mesmo de o desenvolvimento do Legend começar, já tínhamos interesse em transformar o Relic Hunters em animação e quadrinhos. Estamos focados na ideia de transformar o Relic Hunters numa marca que vai além dos games, então pode esperar que tem mais animação e mais quadrinhos vindo por aí!

Relic Hunters Zero é um jogo pequeno, pixel art, offline, de escopo limitado, programado basicamente por mim, sozinho. Relic Hunters Legend é uma superprodução em 3D, é um jogo online persistente, é um RPG completo

START: Entre a fluidez da movimentação e combate, os gráficos coloridos, os elementos de RPG e a trilha sonora, qual aspecto de Relic Hunters mais o torna um jogo único?

Marcos Venturelli: Acho que não tem nenhum aspecto único que representa a identidade do Relic Hunters. O jogo em si não tem nada de novo nem de super criativo - a ideia sempre foi fazer algo divertido que a gente gostasse, combinando elementos de vários jogos que eram os favoritos meu e do Betu. O que torno o jogo único na minha opinião é a identidade dele como um todo - o visual, o som e a trilha, o design dos personagens, e a vibe, velocidade e "feel" do gameplay. Não é um jogo inovador nem nunca tentou ser, mas acho que é um jogo que tem alma e identidade próprios.

Estamos focados na ideia de transformar o Relic Hunters numa marca que vai além dos games, então pode esperar que tem mais animação e mais quadrinhos vindo por aí!

START: Como é contar uma história em um jogo tão arcade? E dentre tantos personagens carismáticos, qual o seu preferido?

Marcos Venturelli: O Zero é praticamente só jogo, mesmo. Não acho que ele faz um trabalho muito bom de narrativa de forma geral. No novo jogo, Legend, é que estamos focando muito em storytelling. Mas o jogo novo também tem uma estrutura que é muito menos arcade e bem mais de RPG. Entre todos os personagens minha favorita é a Pinkyy. Eu tenho até uma tatuagem dela!

Relic Pinkyy - Divulgação - Divulgação
Relic Hunters Legend vai ser um RPG completo, com direito a classes, itens, evolução e tudo mais
Imagem: Divulgação

START: Nesses cinco anos do jogo original para a chegada dessa nova versão, quais foram os maiores percalços encontrados no caminho? Muitas ideias foram descartadas ou alteradas?

M Venturelli - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
Marcos Venturelli: Percalços foram mais técnicos. Eu não sou programador, eu sou game designer de formação. À medida que o jogo foi crescendo muito mais do que eu imaginava no início, vários sistemas mal feitos que eu tinha programador começaram a quebrar! Foi o que mais me deu dor de cabeça. Se eu tivesse sabido antes que eu ia trabalhar cinco anos no projeto, teria feito várias coisas diferentes com toda a certeza, haha! Quanto a design, quase nada foi descartado. Fui apenas adicionando novas camadas, é um jogo muito divertido de se trabalhar e fácil de adicionar novas ideias que funcionam bem.

START: A Rogue Snail está com outros projetos planejados? Alguma franquia nova ou até algo em outra mídia?

Marcos Venturelli: Relic Hunters Legend é o nosso superprojeto, e esperamos levar a franquia pro mundo todo com ele! Vamos ter mais desenho animado em parceria com o Copa Studio, e vamos ter mais quadrinhos feitos pelo Raoni Marqs. Tem muita coisa legal vindo aí pra franquia Relic Hunters. A gente ainda não pode divulgar, mas estamos com umas parcerias muito grandes pro jogo novo, e o universo Relic Hunters vai crescer pra um patamar que eu nunca poderia ter sonhado há cinco anos!

Relic Hunters - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

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