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Xenoblade Chronicles Definitive Edition encontra a redenção no Switch

Xenoblade Chronicles Definitive Edition é remake do game lançado para Wii há dez anos - Divulgação/Nintendo
Xenoblade Chronicles Definitive Edition é remake do game lançado para Wii há dez anos
Imagem: Divulgação/Nintendo

Tiago Alcantara

Colaboração para o START

05/06/2020 04h00

Reza a lenda que foi por causa do finado presidente da Nintendo, Satoru Iwata, que Xenoblade Chronicles tem esse nome. Ele queria que o jogo de Wii homenageasse o legado do criador Tetsuya Takahashi, figura por trás dos clássicos Xenogears e Xenosaga, e também lembrava os fãs sobre o que esperar do título: uma narrativa forte, carregada de ficção científica, personagens marcantes e toques de filosofia.

Funcionou: o game fez sucesso no Japão e se tornou cult no ocidente. O remake Xenoblade Chronicles: Definitive Edition, que chega agora ao Nintendo Switch, dá para a franquia a chance de atingir um público maior neste canto do mundo e coloca a prova seu status como RPG que todo admirador do gênero precisa conhecer.

Monado: a espada justiceira

Xenoblade Chronicles conta a história de duas civilizações que nasceram de dois titãs: Bionis e Mechonis. Desde incontáveis eras essas duas entidades travaram uma longa batalha, que terminou com ambos derrotados.

Como os nomes sugerem, Bionis é o lar dos seres mais parecidos com a vida que conhecemos e Mechonis é o continente habitado por organismos tecnológicos e que são apresentados como os vilões do game.

O protagonista é Shulk, que ganha pose de Monado, uma espada lendária que não tem a visão além do alcance, mas tem algo melhor: o poder de prever o futuro.

Xenoblade espada Monado - Divulgação/Nintendo - Divulgação/Nintendo
A espada Monado tem poderes que são usados tanto na história quanto no gameplay do jogo
Imagem: Divulgação/Nintendo

Essa característica é fundamental para o sistema de batalha do RPG. Para resumir em uma frase curta: o combate em Xenoblade Chronicles é caótico.

Tanto Shulk quando os membros do seu time atacam de forma automática, restando a você o controle de golpes especiais que são chamados de Arts. Como não poderia deixar de ser em um game do tipo, cada golpe é anunciado com muita gritaria e toda pompa digna de animes. As tais arts podem ter efeitos diferentes de acordo com a posição do seu personagem, o tipo de inimigo e também com a sincronia entre você e seus colegas.

Pode demorar alguns minutos para sacar que está acontecendo com toda a ação rolando ao estilo "tudo junto e misturado" no game. Na edição para o Switch, os desenvolvedores implementaram algumas melhorias na interface para facilitar a vida dos jogadores.

Xenoblade batalha - Divulgação/Nintendo - Divulgação/Nintendo
Batalhas no jogo podem ser bem caóticas
Imagem: Divulgação/Nintendo

Um exemplo são indicativos para mostrar que você tem a chance de usar esse ou aquele golpe que dá mais benefícios, por exemplo.

Com as visões do futuro, você ainda tem a chance evitar que um dos membros da sua party seja derrotado ou reverter um golpe do adversário. Nesse sentido, as mudanças de interface de usuário ajudam e muito aos jogadores da versão de 2020.

Além de sacar mais rápido como funcionam as batalhas, fica mais simples criar ataques em cadeia, que unem as especialidades de cada membro do seu time. Esses combos são essenciais contra inimigos mais poderosos e na hora de encarar os chefões.

A combinação de sistema de combate, trilha sonoras e enredo tornam o remake atraente mesmo depois de uma década do lançamento original

O game também incentiva que você faça variações no seu time de guerreiros tanto para saber mais sobre suas histórias e aumentar a afinidade entre os personagens quanto para tentar abordagens diferentes no campo de batalha.

Paisagens de uma "proto Hyrule"

Passadas cerca de duas horas de jogo você já tem em mãos praticamente tudo o que precisa saber das principais mecânicas de Xenoblade Chronicles: Definitive Edition.

E é nesse momento que mais fui surpreendido, ao me dar conta do quão vasto é o mundo criado pela Monolith Soft e quão assombrosa é sua direção de arte. Não foi à toa que o estúdio ajudou no desenvolvimento de The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

Xenoblade Chronicles Definitive Edition - Reprodução - Reprodução
Cenários e direção de arte estão entre os pontos fortes do jogo
Imagem: Reprodução

Há muitas semelhanças do que veríamos em Hyrule nos ambientes de Bionis. Por vezes, fiz pequenas pausas nas andanças - que não são poucas no game - para admirar cada cenário dos continentes criados pela Monolith.

Esse é um quesito bastante importante porque não há como dissociar o game dos cartões postais criados pelo time de designers do estúdio japonês. Cada parte de Bionis tem sua atmosfera particular e os cenários são praticamente personagens na construção narrativa do jogo.

Em tempos de isolamento social, olhar no horizonte para uma bela paisagem de cachoeiras gigantescas, para uma floresta de árvores luminescentes ou até para os pequenos detalhes de uma atribulada cidade dentro de uma árvore milenar podem ser verdadeiros espaços de contemplação. Sim, dá vontade de sair compartilhando vários desses pequenos momentos de alívio.

Xenoblade Chronicles cenário - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Se os gráficos são elogiáveis quando você está jogando na TV, é preciso comentar que a coisa não é tão bonita quando você está usando o Switch em modo portátil.

Em alguns momentos a resolução do game cai bastante, especialmente em situações com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo - algo que já havia ocorria em Xenoblade Chronicles 2, de 2017.

No caso de Xenoblade Chronicles:Definitive Edition, o remake parece ter filtros melhores ou em dosagem menos agressiva, dando uma impressão melhor, mesmo no modo portátil quando em comparação com Xenoblade 2.

Na TV, os gráficos fazem um ótimo trabalho e surpreendem com base na engine criada no Wii U, apesar de suas limitações. No modo portátil, o game tem alguns trechos com quedas de resolução

Dois fatos pesam contra os desenvolvedores: os gráficos com menor qualidade podem prejudicar a experiência de quem possui o Switch Lite, console exclusivamente portátil, e ports quase milagrosos, como The Witcher 3: Wild Hunt e Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition que acabam ofuscando Xenoblade na comparação gráfica - em especial no modo portátil.

Crônica de um RPG recriado

Há alguns itens que podem irritar os jogadores em Xenoblade Chronicles: Definitive Edition. Dentre eles, a barulheira de gritos de batalha que se repetem à exaustão durante as horas de gameplay. Já nas primeiras horas, mudei a dublagem do inglês para o japonês e, mais algumas horas a seguir, reduzi o volume desse tipo de conversa. Sério, fica bem complicado gostar do melhor amigo do Shulk, o guerreiro Reyn, depois de jogar algumas horas com ele gritando na sua orelha.

Se o mapa de Xenoblade incentiva a exploração e sempre tem alguma surpresa a revelar, vale dizer, em 2020, algumas side quests do velho esquema de "leva e traz" já não soam tão atraentes assim. Ainda mais se você se ater apenas ao ponto indicado no mapa pelo menu de quest log.

Xenoblade Chronicles Menu - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Pior ainda é a gestão de itens que faz com você mantenha uma lista gigantesca de cacarecos que podem ou não ser importantes para o desenrolar das histórias paralelas do game. Mudar os itens de equipamento (e cosméticos) também não é a coisa mais fácil do mundo e poderia ser um pouco mais rápido.

São pequenos inconvenientes que fazem parte do imaginário dos fãs desse estilo de jogo, mas que podem afastar o jogador mais casual, por exemplo.

Provavelmente, pensando nisso, os desenvolvedores oferecem uma ajuda para facilitar a vida durante as batalhas se o jogador não estiver apanhando demais dos inimigos em Xenoblade. Menos mal.

Futuros Conectados

Outra adição à versão de Switch do jogo é o epílogo Future Connected que se passa um ano após o final da história original. O novo capítulo leva Shulk para um cenário inexplorado no mapa inicial e promete cerca de 20 horas de jogatina extra para quem ainda tiver sede de Xenoblade.

O novo capítulo pode ser acessado de maneira independente já na tela inicial do remake, mas é recomendado que você jogue o game original, caso queira evitar qualquer revelação do enredo. Além de revelar como ficam alguns dos personagens do game, o tal epílogo pode ou não (melhor evitar a polêmica) fazer uma conexão maior com o segundo jogo da série.

De qualquer forma, é louvável que os criadores do game deixem esse conteúdo extra acessível no remake, sem fazer com que os fãs precisem pagar por um DLC ou algo do tipo. Ainda mais em tempos de preços pouco convidativos quem acompanha os lançamentos da Nintendo no país.

Redenção no Switch

Depois de algumas dezenas de horas, posso dizer com toda confiança que estamos falando do melhor título da série, que já viu uma espécie de spin-off ser lançada para o Wii U e teve Xenoblade Chronicles 2 lançado no Nintendo Switch no primeiro ano do console.

Mas, ok, isso pode não dizer nada para quem não conhece a franquia. Vamos aos fatos: Xenoblade Chronicles oferece várias horas de exploração, um sistema de combate bastante satisfatório, cenários e trilhas de cair o queixo, personagens que desenvolvem seus arcos conforme você amplia sua afinidade com eles e um enredo cheio de reviravoltas.

Do enredo ao combate, passando pelas sidequests, organização de itens e membros da sua party, Xenoblade Chronicles: Definitive Edition é um RPGzão em todos os sentidos. E isso está longe de ser ruim - apesar de fazer com que o jogo fique restrito aos fãs do estilo.

Xenoblade Chronicles

Xenoblade Chronicles capa - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução
Lançamento: 29/05/2020
Plataforma: Nintendo Switch*
Preço sugerido: R$ 250,79
Classificação indicativa: 12 anos (violência)
Desenvolvimento: Monolith Soft
Publicação: Nintendo
Jogue também: Xenoblade Chonicles 2, Dragon Quest XI

*Versão de avaliação cedida pela Nintendo.

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