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Você é o predador em Maneater, um bizarro e divertido "GTA de tubarão"

É hora de colocar em prática tudo o que você aprendeu nos documentários de vida selvagem - Divulgação
É hora de colocar em prática tudo o que você aprendeu nos documentários de vida selvagem
Imagem: Divulgação

Makson Lima

Colaboração para o START

04/06/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Assuma o papel de um tubarão assassino para dominar mares, praias e o que mais estiver no caminho
  • Aventura segue o ritmo de um reality show de vida animal, com apresentadores e hashtags
  • Destroçar animais (e humanos!) é divertidoe causa estranhamento: uma experiência recomendada se você tiver estômago

No cinema, o subgênero do "ataque animal" é dos mais prolíferos do terror. De monstros-de-gila gigantes a crocodilos, gente sendo trucidada por bichos é história velha, e pode-se dizer o mesmo na literatura, afinal, o clássico de Steven Spielberg, Tubarão, vem de um livro, assim como Cujo, do mestre Stephen King.

Por outro lado, ataque animal em videogame é algo um tanto raro. Já tivemos um jogo inspirado em Tubarão, Jaws Unleashed (2006), que nos colocou na pele do predador mais voraz dos mares. Desta vez, a Tripwire Interactive, da bem-sucedida franquia Killing Floor, sai do raso e mergulha de cabeça no mundo aberto de tubarão com Maneater (PC, PS4, XONE), uma espécie de "shARkPG", ou, pra simplificar, um "GTA de tubarão".

Tubarão versus Sharknado

Maneater barco - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Ou a coisa é muitíssimo levada a sério, ou a galhofa é assumida de cara, sem espaço para meio-termo. Maneater se apresenta como um misto de reality show e documentário de vida selvagem, com personagens interagindo com a audiência, hashtags e até um interlocutor cheio de informações tão valiosas quanto jocosas sobre a vida selvagem.

É muitíssimo violento, mas de forma tão cartunesca quanto Tutubarão, o desenho animado. Nuances melodramáticas tomam forma da metade para o final, mas com o mesmo impacto da animação da Hanna-Barbera. O foco, porém, é comer tudo que surge pela frente, afinal, "cabeças chatas são a lixeira do fundo do mar".

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Scaly Pete quer vingar a morte do pai, o que significa caçar o megalodonte responsável. Ele até fala português brasileiro, com sotaque do interior e tudo (a localização está bem boa, com fauna e flora da vida marinha devidamente traduzidos). No melhor estilo Super Metroid, começamos na pele do bicho maior, violentamente caçado e, cujo rebento, é devidamente marcado e atirado de volta ao mar. Pete vai esperar pacientemente a sua volta, o seu crescimento, e você vai comer, comer e comer para digladiar por vingança, esse prato que se come frio e que se come cru.

Nossa tubarão fêmea começa jovem, inexperiente e com poucos dentes na arcada dentária. Saber se posicionar na cadeia alimentar faz parte da progressão acelerada do jogo, assim como nadar do pântano até os canais, do raso para o alto-mar, de caverna em caverna. É o conceito de mundo aberto empregado de forma pertinente aos domínios de Maneater, com todos os seus maneirismos e características desgastadas.

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Peixe grande come peixe pequeno

O jogo evolui de forma bem direta em um relativamente vasto mundo subaquático para ser explorado. Poucas vezes você entrará numa "rua sem saída" ou precisará rever suas estratégias assassinas. Comigo, foi apenas numa batalha contra a maldita Orca: precisei tentar outra abordagem, equipei algo mais ágil e "elétrico". Funcionou.

Comer, ou encontrar baús de proteínas e mutagênicos significa ter XP específico para evoluir. Atrelado a isso, os predadores alfa de cada região, como a Orca, surgem eventualmente para brigar pelo domínio da área. Ao destroçá-los, você ganha novas partes para "tunar" seu tubarão, como barbatanas, cauda, mandíbula e até a sua própria superfície cartilaginosa. É uma embalagem espalhafatosa para um conteúdo bastante usual, ordinário.

Maneater Bob - Reprodução - Reprodução
Vive num abacaxi e mora no mar?
Imagem: Reprodução

Como estamos falando de um jogo moderno de mundo aberto, uma cartilha precisa ser devidamente seguida. A reunião de Bruce e companhia em Procurando Nemo me veio à mente por um instante. Marcos históricos (ou seriam pontos turísticos?), placas de localização, os já citados baús e caças específicas: tudo isso compõe o percentual de completude total, que pode levar algumas dezenas de horas para ser devidamente atingido.

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Vida de tubarão cansa

Maneater fundo - Reprodução - Reprodução
Às vezes é bom dar um tempo na ação e apenas contemplar a calmaria do fundo do mar
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A maior proeza em Maneater é fazer você se sentir na pele de um tubarão. Controlar o peixe é divertido, estraçalhar suas presas, idem. A liberdade em nadar para todas as direções, crescer com o bicho, descobrir novas áreas e todo o sentimento de "falso documentário" proporcionado pelos comentários do interlocutor sarcástico tornam Maneater especial.

Os gráficos colaboram: os ecossistemas são cheios de vida e saltam aos olhos nas viradas de dia para noite. Foi quando cheguei bem próximo das profundezas do oceano pela primeira vez, que um medo primordial e até infantil me tomou de súbito. Tem algo terapêutico em dar uma freada na matança para simplesmente nadar a esmo. É posicionar a barbatana dorsal para fora d'água e acelerar rumo ao pôr do sol no horizonte...

Poesia de lobo do mar solitário à parte, beira o inaceitável a falta de dedicação em relação à diversidade dos afazeres dentro dessas léguas submarinas tão luxuosas. Maneater vai do ponto A ao ponto B, metros em decréscimo, e não oferece nada além do "coma a quantidade x de seja lá o que for". Bagres, focas, cavalas ou seres humanos. Tocar o terror numa praia particular de gente rica traz uma paz paradoxal ao coração tubarão, mas só até a enésima vez. É a total banalização de seu próprio conceito, e isso pode ser tão divertido quanto tediosamente mundano a médio prazo. Penso na Ubisoft, com sua capacidade de banalizar o mais especial dos atos, tipo caçar mamutes ao lado de seu tigre de dentes de sabre.

Stats - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Deliciar-se com banhistas significa trazer caçadores em embarcações cada vez mais bem equipadas, e com figuras excêntricas no controle. O sistema de combate, das chicotadas com o rabo a mordiscadas e abocanhadas, saltos ornamentais e desmembramentos consequentes, torna-se caótico rapidamente, isso quando a ousadia toma conta do tubarão.

É aquela gota de sangue no mar em linha direta com suas fossas nasais, ainda que a quilômetros de distância. Chega a ser hilário, e Maneater pode conquistar corações cartilaginosos exatamente nesses momentos. Fui fisgado do início ao fim, mas é errado de minha parte esperar por mais profundidade, mesmo que do fundo do mar? Piada sem graça à parte, quando o propósito de seu protagonista é comer e comer como se não houvesse amanhã, talvez sim.

Maneater

Maneater - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
Lançamento: 22/05/2020
Plataforma: PC (via Epic Games Store), PS4 e Xbox One
Preço sugerido: R$ 147,45
Classificação indicativa: 18 anos (Violência Extrema, Conteúdo Sexual, Drogas Ilícitas)
Desenvolvimento: Tripwire Interactive LLC
Publicação: Deep Silver
Jogue também: Jaws Unleashed, Grand Theft Auto V, Assassin's Creed Odyssey

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