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Assédio e preconceito: Valorant recebe onda de denúncias, Riot responde

Comunidade pede por punimentos mais severos a jogadores tóxicos - Divulgação/Riot
Comunidade pede por punimentos mais severos a jogadores tóxicos Imagem: Divulgação/Riot

Amanda Santos

Do START, em São Paulo

28/05/2020 04h00

Antes mesmo do lançamento oficial, Valorant ultrapassou a marca 1,6 milhão de espectadores na Twitch após início do Beta, mas a empolgação da comunidade logo deu lugar a problemas. Tanto no exterior quanto no Brasil, começaram a surgir relatos de toxicidade, racismo e assédio nas partidas do jogo de tiro —quase sempre envolvendo o chat por voz, ferramenta de comunicação entre os jogadores.

O caso de maior repercussão veio de uma desenvolvedora da própria Riot Games. Tea "Greenily" é designer de Teamfight Tactics e foi assediada ao vivo na última sexta-feira (24), durante uma transmissão que fazia na Twitch.

A discussão começou quando a designer postou um exemplo de alguns dos comportamentos inadequados que ela presenciou enquanto jogava Valorant, observando que silenciar o jogador por seus comentários não seria suficiente para impedi-lo de assediar outras pessoas.

Logo depois, a produtora executiva de Valorant, Anna Donlon, respondeu as mensagens no Twitter dizendo que o comportamento do jogador havia sido "nojento e assustador". Além disso, revelou não jogar partidas no modo solo por conta disso.

Donlon também confirmou que os desenvolvedores do jogo estão buscando soluções para tornar o jogo mais saudável e seguro a longo prazo para todos todos os jogadores, seja em time fechado ou solo.

No Brasil não é diferente

Valorant Phoenix - Divulgação/Riot - Divulgação/Riot
Imagem: Divulgação/Riot

No Brasil, onde Valorant desembarcou no começo de maio, a discussão aumentou após a streamer Bruna "einebru" Carvalho também publicar um vídeo em que era alvo de inúmeros xingamentos de um jogador.

Mesmo depois de ela usar a ferramenta "silenciar" (o famoso "mutar"), outro integrante do time começou insultá-la no chat de voz, usando usando o termo "mongoloide" com intenção de prejudicar a transmissão. O uso da expressão foi responsável, também em maio, pela suspensão ou banimento de outros streamers da Twitch.

Em entrevista ao START, a influenciadora contou como já perdeu a conta de quantas vezes presenciou esse episódio: "Jogo League of Legends desde 2013 e já tô inserida nesse meio tóxico há um tempinho já", conta.

Bruna “einebru” Carvalho - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
Isso se repetiu, sempre acontece, inclusive no dia seguinte ao ocorrido, eu falei no chat de voz que meu amigo estava tendo problemas pra conectar no jogo, e outro jogador já riu e falou 'é mulher, é?'
Bruna "einebru" Carvalho

Com as publicações, outras mulheres prestaram apoio e também desabafaram. "Muitas falaram sobre não jogar mais porque não aguentam mais", revela Bruna. "É triste, você se sente inferior em um jogo que você abre para se divertir e acaba recebendo discurso de ódio totalmente gratuito".

O mesmo aconteceu com a streamer Gabriella "gabruxona" Antunes. Segundo ela, o jogador pediu desculpas no fim da partida depois de ouvir de outros jogadores sobre o risco de ser banido.

A streamer Gabi Cattuzzo também falou sobre como responder os insultos pode ser tão ruim quanto ouvir calado, transformando a vítima em vilão.

A caster de League of Legends e comentarista do programa Depois do Nexus, Letícia Motta, também falou para o START sobre como o sistema de denúncias ainda se mostra fraco.

Segundo ela, a falta de apoio do próprio jogo é um agravante que pode até diminuir o número de jogadoras. "Nós, mulheres, já entramos no jogo receosas porque o cenário e o mundo são machistas, e aí fica sempre aquele medo de falar, de usar a nossa voz e tal pra dar call", explica Letícia.

"Um player tóxico incomoda muita gente..."

Valorant Brimstone - Divulgação/ValorantPT - Divulgação/ValorantPT
Dois players tóxicos, incomodam, incomodam..
Imagem: Divulgação/ValorantPT

O protesto não vem apenas do público feminino. Para o jornalista e podcaster, Rique Sampaio, é dever da desenvolvedora responder com soluções a esses problemas.

O diretor de Valorant, Joe Ziegler, convidou a comunidade a ser civilizada. Respondendo a um tweet da influencer Pokimane — que pedia gentileza com mulheres em chats de voz — ele contou como abusos continuam arruinando a experiência de muitos jogadores.

Outros usuários também demonstraram descontentamento com o comportamento inadequado da comunidade.

Resposta da desenvolvedora

Sage Valorant  - Divulgação/Riot - Divulgação/Riot
Imagem: Divulgação/Riot

Em entrevista ao START, a produtora executiva de Valorant, Anna Donlon, garantiu a todos que já estão trabalhando para garantir que abusos sejam resolvidos adequadamente.

Anna Donlon Valorant - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"Em qualquer jogo competitivo, já esperamos que os ânimos subam e as coisas fiquem tensas - não iremos banir alguém apenas porque está emocionado porque perdeu ou ganhou. Mas sei que algumas experiências estão indo além do entusiasmo; alguns se estendem até em assédio. E disso não concordo. Esta é a realidade para o assediado. É desafiador jogar uma partida competitiva porque primeiro você precisa se proteger de 'provocar' assédio, e aí então mutar alguém que está gritando insultos no microfone, ou se mutar sendo a última saída para manter a paz"

Anna Donlon, produtora executiva de VALORANT

Deixe que pings e os personagens falem por você

Valorant Falas - Divulgação/Riot Games - Divulgação/Riot Games
Algo comum em League of Legends é a comunicação através de pings
Imagem: Divulgação/Riot Games

A produtora ainda garantiu a dificuldade deste tipo de problema ser controlado:

"Nós (Riot) sabemos que isto é um problema difícil de rastrear, e demanda tempo, mas eu me sentiria irresponsável aceitando isso como algo normal. É por isso que estamos priorizando desenvolver comunicações 'sem chat de voz', em falas de personagens dando calls (como um aviso de que o inimigo está com a bomba, por exemplo) e um sistema de pings dentro da partida".

Mas este é só o começo, segundo Anna, a Riot continuará priorizando e investindo nestes recursos. "Eu me responsabilizo por liderar um jogo em que qualquer um possa competir com segurança e demonstrar todas as suas habilidas sem medo de ser alvo de gritos ou insultos", afirma Donlon ao START.

Punições vindo por aí

Valorant Jett - Divulgação/Riot - Divulgação/Riot
Imagem: Divulgação/Riot

Recentemente a Riot lançou um comunicado oficial respondendo a diversas perguntas da comunidade. A desenvolvedora pretende lançar um código de conduta e ferramentas de deteção automática de palavras-chave e análise automática de chat.

Veja alguns detalhes abaixo:

  • Análise automática dos chats, que identificará violações óbvias ao código da comunidade.
  • Análise automática de denúncias e a identificação automática de infratores, que receberão punições por seus atos.
  • Restrições de 72 horas ao chat de equipe e de voz por violações de comportamento.

E agora? O que eu faço?

Valorant Final - Divulgação/Riot Games - Divulgação/Riot Games
Imagem: Divulgação/Riot Games

Em relação sobre o que fazer nas situações em que se sofre ou testemunha um comportamento inadequado dentro do jogo, a recomendação da Riot Games para o START é que o caso seja reportado por meio do sistema interno de denúncias do VALORANT.

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