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Games e esports têm mercados de trabalho em alta; veja histórias de sucesso

O animador 3D Felipe Machado da Silva se interessou por acaso pelo mercado de games e foi contratado por um estúdio de desenvolvimento - Arquivo pessoal
O animador 3D Felipe Machado da Silva se interessou por acaso pelo mercado de games e foi contratado por um estúdio de desenvolvimento Imagem: Arquivo pessoal

Gabriel Oliveira

Colaboração para o START

21/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Levantamento do START junto ao perfil VaggasBR mostra que mais de 2.000 postos de trabalho foram divulgados desde 2018
  • São Paulo é a cidade com mais vagas, seguida por Rio de Janeiro e Florianópolis
  • De acordo com especialistas em Recursos Humanos, o primordial é se especializar na área em que deseja atuar

O ilustrador e programador Daniel Queiroz Porto, de 32 anos, queria mudar de área e entrar para a indústria dos games. Ele se especializou com cursos online e conquistou uma vaga em um estúdio de São Paulo, em meio ao crescimento do mercado de trabalho de jogos e eSports no Brasil.

De 2018 pra cá, houve a abertura de pelo menos 2.396 postos de trabalho nesses segmentos no país, de acordo com levantamento do START baseado em dados do Vaggas BR, perfil no Twitter dedicado à divulgação de vagas nos setores de games e eSports. O número abrange empregos, estágios e serviços de freelance.

Daniel conseguiu mudar de área: fez cursos e foi contratado por um estúdio de games em São Paulo - Arquivo pessoal
Daniel conseguiu mudar de área: fez cursos e foi contratado por um estúdio de games em São Paulo
Imagem: Arquivo pessoal

Formado em Design Gráfico, Daniel fez estágio, trabalhou como ilustrador em uma empresa que produzia conteúdos educativos digitais e depois virou freelancer. Ele começou a se interessar por programação em outubro de 2017 e estudou por conta própria, com cursos disponíveis na internet.

Foi o ponto de virada da carreira para Daniel ser contratado pelo estúdio Javary Games, que produz jogos de celular, em dezembro de 2018.

"Já quando eu fazia Design Gráfico, tinha vontade de trabalhar na área de jogos como ilustrador. No meu primeiro emprego trabalhei com jogos educacionais. Foi fantástico! Eu gosto muito de ilustração, mas sempre tive uma cabeça mais lógica e passei a procurar trabalho como programador. Tem sido bem legal a experiência na Javary", relata o profissional.

Daniel trabalha nos códigos por trás dos jogos, desenvolvendo as interfaces, mas, por conta da formação que possui, não deixa o design de lado. "Eu consigo trazer muita coisa de ilustração para ajudar nas tarefas".

São Paulo é a cidade com maior quantidade de oportunidades (52,5% do total), seguida por Rio de Janeiro, Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).

Vitrine de empregos

Márcio Medeiros Teixeira criou o VaggasBR para reunir oportunidades espalhadas pela internet - Arquivo pessoal
Márcio Medeiros Teixeira criou o VaggasBR para reunir oportunidades espalhadas pela internet
Imagem: Arquivo pessoal

Criado em março de 2018, o perfil Vaggas BR tornou-se uma vitrine das oportunidades de trabalho nos mercados de games e eSports. Os cargos com mais vagas oferecidas nesses três anos são programador, desenvolvedor, designer, artista 2D e 3D, editor de vídeo e social media.

O comunicador e administrador Márcio Medeiros Teixeira, de 31 anos, é quem está por trás da iniciativa. Ele abriu a conta para concentrar as vagas anunciadas por empresas e clubes de eSports, antes espalhadas pela internet.

"A ideia é facilitar a vida das pessoas e o objetivo é tornar o Vaggas o destino de quem quer trabalhar nesses mercados e de quem quer anunciar oportunidades", explica Márcio.

Ele, que é auxiliar administrativo em uma empresa de serviços e materiais cirúrgicos, faz a curadoria das vagas que encontra na web e recebe dos internautas ou recrutadores.

"Minha rotina é buscar em vários sites, como o LinkedIn, mas as pessoas também passaram a me marcar [nas publicações com anúncio de vaga] e determinadas empresas estão me enviando as oportunidades diretamente", conta Márcio, que não recebia nada pelo serviço e só começou a ser remunerado neste ano, ao se tornar parceiro do site Hitmarker, responsável por divulgar trabalhos em games e eSports no mundo todo.

O cofundador da Ignite Criative, Pablo Alves, de 19 anos, já recorreu ao Vaggas BR para contratar freelancers. A empresa dele é de design gráfico voltado para streamers e eSports e precisa de trabalhadores para serviços específicos de vez em quando.

"Eu sempre consegui diversos currículos, de vários perfis e portfólios, mesmo para funções muito específicas", conta Pablo. "O legal de o anúncio ser em uma rede social é a possibilidade de compartilhamento, inclusive por quem não é da área, e de 'nichar' o público, o que torna as contratações muito mais assertivas".

Muitas oportunidades

O animador 3D Felipe Machado da Silva, de 23 anos, se interessou por acaso pelo mercado de games e se apaixonou. Ele fez curso superior de Jogos Digitais, trabalhou em uma empresa indie e está, desde março de 2019, no estúdio Aquiris, em Porto Alegre.

"É uma das maiores empresas de games do Brasil e está sendo uma experiência sensacional. É uma oportunidade de ouro para aprender com pessoas que estão na indústria há mais de dez anos e participar de projetos incríveis", comemora Felipe, que faz o esboço dos ossos dos personagens, em três dimensões, para posterior animação.

Ele, que aproveitou o boom de oportunidades de emprego no Brasil, vê que o mercado de trabalho em jogos está em expansão. "Há várias empresas que começaram a embalar e a contratar muita gente".

Empregos fixos ainda são a maioria das posições divulgadas pelo VaggasBR

A Wildlife Studios é um exemplo disso. No início de 2018, o estúdio brasileiro contava com 180 colaboradores. Hoje, são mais de 600 no Brasil, na Irlanda, na Argentina e nos Estados Unidos. E há mais de 50 postos em aberto em diversas áreas: criação, business, engenharia, recursos humanos, entre outras.

Para o Global Head de Talent Acquisition da Wildlife, Gonzalo Mones, o progresso é consequência do aproveitamento das oportunidades de mercado e da expansão internacional da empresa.

A Wildlife Studios foi de 180 colaboradores, em 2018, para mais de 600 no Brasil, na Irlanda, na Argentina e nos Estados Unidos - Divulgação
A Wildlife Studios foi de 180 colaboradores, em 2018, para mais de 600 no Brasil, na Irlanda, na Argentina e nos Estados Unidos
Imagem: Divulgação

"Temos, desde o primeiro dia, uma equipe comprometida, criativa e veloz. Nosso pessoal é nossa maior força e nós trabalhamos duro para tornar a Wildlife o lugar ideal para as pessoas fazerem o melhor trabalho de suas vidas. Com isso em mente, eu acredito que a companhia cresceu por conta do excelente trabalho do nosso pessoal", comenta Gonzalo.

Ele aponta que o crescimento da indústria de games tem sido impulsionado pela popularização dos jogos de celular. Isso ocorre por três motivos: a massificação do uso de smartphone; a gratuidade da maioria dos jogos; e a casualidade deles, já que é possível jogar enquanto se está no ônibus, por exemplo.

O representante da Wildlife destaca que ainda há espaço para ampliação da indústria de jogos e, consequentemente, dos postos de trabalho. É, hoje, um mercado de US$ 148,8 bilhões (correspondentes a cerca de R$ 740 bilhões) e que deve alcançar US$ 196 bilhões (R$ 980 bilhões) em 2022, segundo a consultoria Newzoo.

Por isso, oportunidade é o que não falta. Para aproveitá-las é preciso estar capacitado. De acordo com especialistas em Recursos Humanos, o primordial é se especializar na área em que deseja atuar. Há vagas para carreiras variadas.

Além das habilidades técnicas, outros atributos importantes desejados pelo mercado são ambição, comprometimento, flexibilidade, rapidez, interesse e trabalho em equipe. Ter inglês avançado também é muito importante no mundo interconectado de hoje em dia.

CARGOS COM MAIS VAGAS

  • Desenvolvedor (de jogo, de aplicativos, Front-End, Back-End, Unity, Full Stack, entre outros)
  • Programador (de jogo, Front-End, Back-End, Unity, entre outros)
  • Artista (2D e 3D)
  • Editor de Vídeo
  • Social Media
  • Designer
  • Designer de Jogo

Redes sociais em alta

"Não é só postar", alerta o social media Victor Volpe, da RED Canids Kalunga - Arquivo pessoal
"Não é só postar", alerta o social media Victor Volpe, da RED Canids Kalunga
Imagem: Arquivo pessoal

No ramo dos eSports, social media é a posição com mais vagas abertas desde 2018 no Brasil. Gerenciar as redes sociais é uma atividade muito valorizada neste mercado e que requer planejamento, estudo e criatividade.

"Não é só postar", alerta o social media Victor Volpe, de 22 anos, contratado do clube de eSports RED Canids Kalunga desde agosto de 2019. "É preciso estudar e ler muito sobre mídia sociais".

O profissional tem curso universitário de Rádio e TV, mas ressalta que parte do conhecimento que obtém é por conta da prática do dia a dia. "Na aula eu nunca iria aprender a como interagir com a comunidade de eSports. Tem que entender o que o público quer e qual é a persona da empresa. E isso você só assimila na hora".

O constante aprimoramento é importante porque, mesmo dentro dos eSports, há uma segmentação: os públicos de Free Fire, League of Legends e Counter-Strike: Global Offensive possuem perfis, comportamentos e idades distintos, conforme exemplifica o social media da RED Canids.

Victor administra todas as contas do clube em redes sociais, planeja as ações, faz as publicações e interage com os torcedores. Ele se diz realizado com a posição que ocupa, mas almeja se especializar ainda mais.

Quando entrei para a RED Canids, fiquei muito feliz. Eu sempre quis estar neste meio e, a partir do momento que isso virou realidade, tornou-se um marco para mim. Hoje eu sou realizado, mas quero ir ainda mais longe
Victor Volpe, social media da RED Canids Kalunga

Banco de talentos

Uma das principais organizações de esportes eletrônicos do Brasil, a FURIA Esports está aumentando o seu quadro de colaboradores e abriu cadastramento para compor um banco de profissionais. Entre as 19 opções de inscrição estão analista de dados, gerente de parcerias, designer, videomaker e diretor de conteúdo e criação.

O cofundador do clube Jaime Pádua explicou em publicação no Twitter, em abril, que parte dos cargos era para contratação imediata e outra parcela seria para oportunidades futuras.

É uma demonstração de que o mercado está em expansão e tem tudo para crescer ainda mais daqui para a frente.

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