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Wasteland 3 leva mundo pós-apocalíptico para o gelo

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Imagem: Reprodução

Daniel Esdras

Do GameHall

24/03/2020 04h00

Wasteland 3 é um dos jogos que correm por fora em 2020. Um CRPG nos moldes do Fallout clássico, o jogo ganhou um novo patamar após a Inxile, estúdio que está desenvolvendo o título, foi comprada pela Microsoft e recebeu bons aportes financeiros para o seu desenvolvimento.

Tivemos acesso ao beta fechado do jogo e vimos mais sobre a proposta e diferenças em relação ao antecessor, Wasteland 2, lançado em 2014.

Do Arizona para o Colorado

O primeiro Wasteland, assim como o seu irmão mais velho, Fallout, vem de uma época com preocupações diferentes e refletem isso na sua ambientação e narrativa. Naquele período, a guerra fria gerava pânico por conta das constantes ameaças nucleares que ambos os lados faziam para reafirmar o seu poder bélico. Por conta disso, vários dos RPGs ocidentais nos colocaram na pele de sobreviventes em um mundo pós-apocalíptico, onde bombas dizimaram a civilização.

Tanto o primeiro Wasteland, de 1988, quanto o segundo, lançado em 2014, nos colocam na pele dos Rangers, uma espécie de força policial que surgiu para proteger os indefesos do Arizona pós-apocalíptico. Nos dois primeiros jogos a treta é com uma inteligência artificial pré-guerra que ameaça destruir de vez a humanidade. Embora vitoriosos, os Rangers viram a destruição da sua base e perderam muito do seu contingente.

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Wasteland 3 começa exatamente aí. Em busca de sobrevivência e recursos para voltar a ajudar o Arizona, os Rangers selam um contrato com um homem rico do Colorado e precisam trocar o calor infernal do deserto pelo frio congelante do Colorado.

No Beta já deu para perceber como a ambientação do pós-apocalíptico nessas condições funciona muito bem. Adversidades primitivas, como conseguir comida ou se aquecer, são problemas que o restante da civilização ali encontra, mas não só, há todo um tecido social fragmentado que gerou uma série de conflitos entre quem ascendeu até o poder e quem foi deixado vulnerável na base.

O magnata que forneceu o auxílio para os Rangers se chama "Patriarch", o clássico americano patriota de contos, mas que parece esconder muito por trás das suas palavras inflamadas. Com um martelo congelado e uma bandeira dos Estados Unidos amarrada, ele levou a ordem para o Colorado quando ela não existia, usando seu pulso firme para quebrar aqueles que ameaçavam os locais. No entanto, a situação com o tempo desandou.

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Os três filhos do "Patriarch": Liberty, Vitory e Valor se rebelaram contra o pai, querem matá-lo e tomar o poder para si. A briga é inclusive entre eles, cada um foi para um lado do Colorado e se misturou com um tipo diferente de gangue. O objetivo dado aos Rangers é trazê-los de volta sem nenhum arranhão e unificar a família, devolvendo a ordem ao Colorado. Caso conseguirem, recebem suprimentos e financiamento para reestruturar a base no Arizona. Essa é a premissa, mas as coisas aqui no gelo mudam rapidamente e as metáforas que parecem simples e expositivas, logo se tornam algo mais complexo.

Uso pobre de protagonistas

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Toda a narrativa seria melhor aproveitada se os personagens principais fossem menos insignificantes para a história. Você escolhe dois deles a princípio, mas na verdade eles são como um só, já que nas conversas ambas as perícias valem para as opções. Como os dois ainda são o clássico e sem graça protagonista mudo, você acaba não se importando com eles.

Por outro lado, os personagens secundários têm papel importante e reagem a decisões que você toma em campo. Ter um time com diversas perícias e posicionamentos em relação ao mundo pode fazer toda a diferença em eventos futuros. Uma pena os protagonistas ficarem de fora dessa importância.

Visual repaginado

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O jogo anterior da série foi um marco do ressurgimento dos CRPG. Com um orçamento limitado, conseguido via financiamento coletivo, o jogo era competente, tinha vários problemas e especialmente a parte gráfica ficou bem longe do esperado. Wasteland 3 investiu boa parte dos seus recursos nessa última parte.

A estética tenta pegar a veia do visual do início dos anos 2000, especialmente na forma como utilizam texturas opacas e cheia de detalhamento em marrom e vermelho, que contrasta bastante com o azul e branco do gelo.

No beta foi possível ter acesso a criação de personagens. A princípio é possível escolher dois com histórias já predefinidas, como irmãos que lutam juntos, ex-militares que viraram Rangers e alguns mais. Mas o legal mesmo é criar tudo do zero, escolhendo o passado, a aparência e todas as perícias e atributos do seu Ranger.

Embora ainda datado, o visual é bem mais agradável que o do título anterior e conta com mais opções na hora da criação também. A crítica fica para a pequena quantidade de faces, que são reaproveitadas com algumas pinturas ou cicatrizes diferentes, e a quantidade limitada de retratos. Não consegui encontrar nenhum parecido com os meus personagens e não há a possibilidade de utilizar apenas uma imagem do modelo 3D, como Divinity Original Sin 2 fez.

Para dar mais imersão na narrativa, os diálogos trazem a câmera para o rosto do personagem que está falando com você. As animações convencem, embora algumas vezes exageradas, e adicionam bastante à experiência. Para completar o pacote, todos os diálogos dessa vez também são dublados. Ficou faltando mesmo só as legendas em português, que ainda não foram confirmadas e não estavam presentes no Beta.

Na ambientação do cenário também é possível ver o maior cuidado com o visual. As áreas são mais detalhadas, há ambientes de dia e de noite, partículas tornam as explosões mais reais e as texturas, especialmente nos locais congelados, são acima da média. Como nada é perfeito, varias animações de combate ainda estão abaixo do esperado, algo que preocupa pelo pouco tempo para o lançamento.

Gameplay cheio de novidades

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Wasteland 3 conta com diversas novidades no gameplay. A primeira e mais notável é o gerenciamento da base dos Rangers no Colorado. Cedida pelo Patriarch sem absolutamente nada, apenas quartos vazios, cabe ao seu time conseguir especialistas e novos recrutas para fornecerem as melhorias que impactam as missões em campo.

Médicos, engenheiros, vendedores e mais já estão presentes para serem recrutados no Beta. Alguns auxiliares fornecidos pelo Patriarch ajudam com os recrutas em campo também. Você pode ter até quatro Rangers e mais dois convidados na sua equipe.

No combate a pegada é a mesma do jogo anterior. Por turnos e tático, nos moldes de X-Com, você executa as ações do seu time, posicionando os membros em boas posições cobertas, atira nos inimigos e então passa a vez. A grande diferença desta vez está na importância da preparação. Posicionar os seus comandados antes e efetuar os primeiros disparos pode ser a diferença entre a vida e a morte. Para aqueles que apostam na diplomacia, há também a possibilidade de levar alguns confrontos na lábia, mas há sempre consequências inesperadas, o que embora divertido, pode também causar problemas para o seu time.

Uma das habilidades mais divertidas do Beta foi a de domar animais. Lobos, gatos e cachorros podem ser acompanhantes do personagem com essa perícia e com alguns pontos na habilidade eles podem até atacar os inimigos. Infelizmente eles também podem ser mortos e não há como ressuscitá-los o que te deixa bem triste após uma granada inimiga.

A novidade mais impactante dos trailers, o veículo, ainda não foi explorada aqui. Nem a navegação pelo mapa mundi. No fim da demo a impressão é que ainda vimos muito pouco e o jogo tem capacidade para surpreender mais.

Adiamento à vista?

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A Inxile avisou que se tratava de um Beta com vários bugs para serem resolvidos, mas a quantidade impressiona. Há bugs em todos os cantos e de todas as formas. Personagens deixam de atacar e o turno simplesmente passa, travadas obrigam a fechar o jogo, itens somem, batalhas não iniciam e muito, mas muito mais.

O tempo para maio permite que haja muitas correções, mas parece pouco pela quantidade de problemas, especialmente com outros refinamentos para serem feitos no caminho. Some isso ao problema global do coronavírus e podemos estar diante de um candidato sério a adiamento.

A performance também está bem abaixo do esperado e o jogo consome bastante mesmo de um PC parrudo. A Inxile disse que também já está ciente disso e promete ajustes para o lançamento.

Com várias novidades e uma clara evolução do jogo anterior, Wasteland 3 promete ser mais um bom CRPG no mercado, mesmo não revolucionando o gênero. Em um ano carregado de lançamentos pesados, vai precisar de muita força para brilhar fora do seu nicho, mas poderá contar com o Game Pass para uma maior difusão. Agora resta aguardar pelos ajustes e mergulhar com os Rangers no Colorado.

Wasteland 3

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