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Firmeza Fest é uma vitrine da criatividade indie no Brasil

Simulador de Churrasco é um dos jogos expostos no evento - Giovanna Breve/UOL
Simulador de Churrasco é um dos jogos expostos no evento Imagem: Giovanna Breve/UOL

Giovanna Breve e Makson Lima

Colaboração para o START, em São Paulo

22/11/2019 04h00

Uma mostra de games, todos feitos por brasileiros, palestras e conversas entre público e criadores de jogos. Assim foi a primeira edição do Firmeza Fest, realizado no último sábado (16), em São Paulo. O evento, criado por e para desenvolvedores independentes, surgiu com a missão de ocupar um vazio no mercado e incentivar a troca de experiências.

O START bateu um papo com os organizadores e criadores que participaram do Firmeza, e aproveitou para conhecer alguns jogos bacanas que estavam por lá.

Eliana Dib é uma das idealizadoras e organizadoras do Firmeza Fest - Giovanna Breve/UOL
Eliana Dib é uma das idealizadoras e organizadoras do Firmeza Fest
Imagem: Giovanna Breve/UOL

"Jogos tem o seu lado cultural e a gente precisava de um lugar que apoiasse essa causa", conta Eliana Dib, produtora no estúdio brasileiro Rogue Snail ("Relic Hunters Zero"), e uma das organizadoras do Firmeza. Segundo Dib, havia a necessidades de um evento focado em conversas de desenvolvedor para desenvolvedor.

"A gente gosta desse lance mais inclusivo, de todo mundo estar junto", conta a desenvolvedora.

Há eventos soltos em vários pontos do país, mas um focado nisso, estamos fazendo agora
Eliana Dib, produtora na Rogue Snail e uma das organizadoras do Firmeza Fest

Em busca da identidade indie brasileira

Jogos e estúdios indies estão presentes em eventos como o BIG Festival e Brasil Game Show (BGS), mas o foco deles é o público consumidor e o mercado. Como explica André Asai, do estúdio Loud Noises e um dos idealizadores do Firmeza, havia uma demanda no ar.

Segundo ele, o BIG Festival cresceu e se tornou burocrático, sem muito espaço para jogos ainda menores e experimentais: "O Firmeza foi criado para servir como esse meio-termo. Sinto falta de eventos com pegada mais intimista, com jogos tipo o 'Pat Pat Revolution', um jogo de estudantes, zero pensado num contexto comercial".

Você pode fazer carinho no cachorro em Pat Pat Revolution - Giovanna Breve/UOL
Você pode fazer carinho no cachorro em Pat Pat Revolution
Imagem: Giovanna Breve/UOL

E não é à toa que o tema escolhido pelo Firmeza Fest foi "inovação" como forma de apresentar jogos, palestras e "hypertalks", apresentações de até 8 minutos em que convidados falam de projetos, experiências, falhas e fontes de inspiração no seu trabalho com jogos. Não significa que o evento não comporte produções com apelo de mercado, como "Areia" e "Churrasco Simulator", dois jogos que estavam em exposição no Firmeza.

Um Universo de Jogos Digitais

"A gente sente falta de eventos onde game designers possam conhecer game designers, de conhecer mais dos porquês de um jogo, não só o lado bonito do processo, mas também o lado verdadeiro", conta Klos Cunha, diretor de criação e um dos organizadores do Firmeza.

Seu hypertalk, inclusive, traçou uma linha de raciocínio sobre Game Design Liminal, tratando da importância de influências externas na criação do jogo em si.

No Firmeza, Klos se dedicou a realizar uma trilha de palestras dos mais diversos temas, como a de Thais Weller, da JoyMasher e colunista do START, falando sobre game design, e a de Anita Cavaleiro, ilustradora e educadora, sobre game jams e a importância das comunidades.

Maíra Testa apresentou um hypertalk no evento - Giovanna Breve/UOL
Maíra Testa apresentou um hypertalk no evento
Imagem: Giovanna Breve/UOL
Maíra Testa, game designer na Rogue Snail e também uma das organizadoras do Firmeza, falou no evento sobre como é possível entender o processo de desenvolvimento de um jogo quando associado a algo mais próximo da maioria das pessoas, como cozinhar, tema do seu hypertalk.

"A gente consegue criar experiências mais legais se você leva em conta todo seu repertório fora de jogos. Para desenvolvedor, é muito importante não ficar só em referência de jogo. Eu tento traçar esses paralelos para mim e para os outros - esse é o meu jeito de ensinar".

Tamirys Seno, coordenadora de Social Midia da Riot Games, afirma a necessidade de apresentar seu jogo ao público - Giovanna Breve/UOL
Tamirys Seno, coordenadora de Social Midia da Riot Games, afirma a necessidade de apresentar seu jogo ao público
Imagem: Giovanna Breve/UOL

O hypertalk de Tamirys Seno, coordenadora de Social Media na Riot Games, foi na mesma linha. A jornalista apresentou algumas dicas de como aproximar o público de seu jogo e estreitar esse relacionamento.

Pensando em estúdios de jogos que consumo, por exemplo, muitas vezes eles têm cerca de quatro pessoas no time e os esforços estão todos em produzir o jogo em si, nunca em divulgação, marketing, redes sociais
Tamirys Seno, coordenadora de Social Media na Riot Games

Engajamento é essencial para despertar interesse, tornar o game indie conhecido, independentemente do tipo de jogo. "Como converso com as pessoas, como sei que estão mesmo gostando dele? Faço um fórum, Discord, faço updates, o que faço com o feedback?", diz Tamirys.

Do lado esquerdo, Tiani Pixel junto com Fernanda Dias, são as criadoras de “Unsighted” - Giovanna Breve/UOL
Do lado esquerdo, Tiani Pixel junto com Fernanda Dias, são as criadoras de “Unsighted”
Imagem: Giovanna Breve/UOL
As game designers Tiani Pixel e Fernanda Dias, do bastante aguardado "Unsighted", falaram sobre o processo de criação do jogo e também compartilham da opinião de que um evento como o Firmeza é fundamental para unir a comunidade de criadores.

"Quanto mais eventos assim, melhor. É sempre uma boa oportunidade para fazer networking, saber o que está acontecendo na cena", afirma Fernanda, responsável pela trilha e efeitos sonoros no jogo.

"Além de ser uma ótima oportunidade, para quem está começando, conseguir expor seu jogo" completa Tiani, que encabeça a produção de "Unsighted" desde o início. "É um evento feito por game devs e isso torna a comunicação mais fácil".

Jogos de todos os tipos e para todos os públicos

Além das palestras e hypertalks, havia uma área do Firmeza totalmente dedicada aos jogos e seus criadores. "Um evento como esse é bem positivo para a comunidade, porque muitos dos jogos que estão aqui, não tem muito espaço, muita visibilidade", disse Léo Motta, da Mad Mimic, cujo jogo, "Dandy Ace", nasceu da ideia de juntar "Dead Cells" e "Transistor".

Tive a chance de conhecer muita gente que só conhecia na internet. Acho que o mais importante é manter o contato fora da internet mesmo
Vikintor, desenvolvedor de "Tamashii"

Victor "Vikintor" Follador, desenvolvedor de "Tamashii", jogo de plataforma e quebra-cabeça repleto de simbolismos, confessa que o Firmeza foi o primeiro evento onde pôde apresentar sua criação, "Tamashii 2" (o primeiro foi lançado em março deste ano): "E ainda tive a chance de conhecer muita gente que só conhecia na internet. Acho que o mais importante é manter o contato fora da internet mesmo", disse. "Sentia falta de poder expor meu jogo de forma mais ativa.

Público do Firmeza podia conferir os jogos em exposição - Giovanna Breve/UOL
Público do Firmeza podia conferir os jogos em exposição
Imagem: Giovanna Breve/UOL

"Outros eventos não são assim tão abertos, como BIG ou SPIN, que são mais burocráticos", comentou Gabriel Zanini, que estava lá com seu jogo, "Evertried", focado em combate tático isométrico, com diversas abordagens distintas.

Areia, uma produção mineira e com lançamento previsto para o começo do ano que vem, também estava lá. Seu desenvolvedor, Marcelo Spiezzi, compartilhou: "Um evento como esse nos apresenta a criações que não tínhamos ideia que estavam sendo produzidas. E para quem é profissional de criação, isso é muito bom porque te dá ideias novas, vida nova ao seu jogo".

A organização espera que o Firmeza Fest continue em 2020, e eles já planejam uma próxima edição. "O retorno da galera que participou, no geral, tem sido bem positivo", finaliza Maíra Testa.

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