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Blizzard pede desculpas durante a Blizzcon por punição de jogador

J. Allen Brack, da Blizzard, falou sobre as punições ao jogador Chung "Blitzchung" NgWai - Divulgação
J. Allen Brack, da Blizzard, falou sobre as punições ao jogador Chung "Blitzchung" NgWai Imagem: Divulgação

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

02/11/2019 08h00

Antes dos anúncios de Diablo IV e Overwatch 2, a cerimônia de abertura da Blizzcon 2019, evento anual da Blizzard que acontece neste fim de semana nos EUA, começou com um pedido de desculpas do presidente da empresa, J.Allen Brack: "Nós não cumprimos os altos padrões que estabelecemos", disse.

Ele se referia à polêmica que a Blizzard causou ao suspender o pro-player de "Hearthstone" Chung "Blitzchung" NgWai, em outubro, após ele realizar um protesto durante uma transmissão de um torneio. "Blitzchung" se manifestou em favor da liberdade de Hong Kong em relação à China, e acabou punido pela Blizzard, atitude que foi considerada censura pelos fãs.

"A Blizzard teve a oportunidade de unir o mundo em um momento difícil no cenário competitivo de Hearthstone por volta de um mês atrás", começou Brack em seu discurso na Blizzcon.

Nós fomos afobados em nossa decisão e, para piorar as coisas, demoramos muito para falar com todos vocês
J.Allen Brack, president da Blizzard

O executivo ainda ressaltou que a Blizzard falhou em seu propósito. "Por isso, eu me desculpo e aceito a responsabilidade", declarou. Um dos valores da empresa, inclusive, diz que "Every voice matters" (Toda opinião importa, em tradução livre).

Brack ainda discursou sobre o "poder positivo dos videogames" e a força da comunidade que os fãs da Blizzard representam, exaltando, por exemplo, que aquela edição do evento estava recebendo pessoas de 59 países diferentes. A plateia, formada, em sua maioria, por fãs dos jogos da empresa, aplaudiu. Ele não especificou, porém, se entre esses países estavam Hong Kong ou China.

Nós vamos melhorar daqui a pra frente, mas nossas ações vão importar mais do que qualquer uma dessas palavras
J. Allen Brack, presidente da Blizzard

Enquanto o presidente da Blizzard discursava, segundo reportagem do site Kotaku, protestos aconteciam do lado de fora do Centro de Convenções de Anaheim, sede da Blizzcon. Até o momento, a ação acontecia de forma pacífica, com algumas pessoas pedindo liberdade para o povo de Hong Kong, enquanto outros exigiam da empresa um olhar mais humano e menos "mercenário".

Isso porque a China é, atualmente, um dos maiores mercados de games do mundo e a empresa tem relações próximas com o país, com times chineses de Overwatch competindo na liga oficial do jogo, por exemplo. Além disso, a companhia chinesa Tencent também é dona de uma parte, ainda que mínima, da Blizzard.

Entenda o caso

Pro-player se manifestou em favor da liberdade de Hong Kong durante transmissão - Reprodução
Pro-player se manifestou em favor da liberdade de Hong Kong durante transmissão
Imagem: Reprodução

Após vencer o Asia-Pacific Grandmasters de "Hearthstone", em outubro deste ano, Blitzchung participou da transmissão oficial da competição vestindo uma máscara, similar àquelas usadas por manifestantes em Hong Kong, e disse: "Libertem Honk Kong. Revolução do nosso tempo!".

Hong Kong tem passado por um período conturbado, com conflitos cada vez maiores com o governo chinês, que considera o lugar como parte de seu território.

A Blizzard afirmou que Blitzchung violou uma das regras da competição e retirou a premiação a que ele teria direito, além de suspendê-lo por um ano de competições oficiais de Hearthstone.

Com a repercussão que o caso se tornou, que gerou protestos de próprios funcionários da Blizzard e até mesmo reações de políticos nos EUA, além de ficar com a imagem manchada em parte da comunidade, a Blizzard amenizou a punição ao jogador, que teve a premiação de volta e agora está suspenso por seis meses e não mais um ano.

Antes da Blizzcon, a empresa também divulgou um pronunciamento em seu site oficial, afirmando que as transmissões dos campeonatos de seus jogos devem manter foco nos games e não devem ser "plataforma para visões sociais e políticas divisórias".

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