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Bossa Presents: a plataforma de "games inacabados" quer ouvir sua opinião

"Pigeon Simulator" é um dos protótipos do Bossa Presents - Divulgação
"Pigeon Simulator" é um dos protótipos do Bossa Presents Imagem: Divulgação

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

30/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Bossa Presents é uma nova plataforma de games, voltada só para protótipos
  • Jogadores baixam e jogam de graça, depois dão opiniões que podem fazer com o game seja finalizado
  • Todos os protótipos são trabalhos internos da Bossa Studios, criadores de "Surgeon Simulator"
  • START conversou com Henrique Olifiers, brasileiro que é um dos fundadores do estúdio

O estúdio que já transformou você em cirurgião desastrado e em fatia de pão surge com outra ideia inusitada: que tal baixar um "launcher" de games para testar jogos inacabados, e que talvez nunca sejam lançados? É a proposta da Bossa Studios com seu Bossa Presents, que está disponível gratuitamente a partir desta quarta (30).

Diferente de um Steam ou Epic Games Store, que movimentam o mercado de games de PC e disputam a exclusividade de lançamentos, a plataforma do estúdio vai por outro caminho. O objetivo é funcionar como vitrine para os protótipos internos, criados em ritmo intenso no escritório londrino. "Pense no Bossa Presents como um experimento para encontrar nossos melhores games com a ajuda dos jogadores", diz o brasileiro Henrique Olifiers, um dos fundadores da Bossa, em entrevista ao START.

E se você conhece algumas produções do estúdio, como "Surgeon Simulator" e "I Am Bread", sabe que não faltam boas ideias dessa equipe.

A Bossa Presents foi lançada com três games-protótipos, disponíveis de graça a partir desta quarta-feira (30): "Pigeon Simulator", um simulador de pombos para roubar comida e defecar nos inimigos; "I Am Fish", a aventura de um peixinho dourado preso em um aquário a caminho do mar; e "Trash Bandits", um jogo arcade multiplayer em que o objetivo é coletar a maior quantidade de lixo no menor tempo.

"Pigeon Simulator", inclusive, já tinha chamado a atenção quando o criador do jogo, um dos desenvolvedores da Bossa, publicou um simples gif no Twitter, que logo recebeu mais de 20 mil curtidas.

Não só o simulador de pombos, como todos os demais seguem o DNA da Bossa, com visual simples e mecânicas divertidas que surgiram em alguma game jam interna do estúdio. A desenvolvedora inglesa, por sinal, é praticamente uma fábrica de protótipos, com seis ou sete novas ideias saindo do papel todos os meses por lá, segundo conta Henrique Olifiers:

Nós temos mais de 250 protótipos em diversos estados de desenvolvimento, e todo mês criamos mais seis ou sete
Henrique Olifiers, cofundador da Bossa Studios

A Bossa Presents vai servir como essa vitrine virtual para os desenvolvedores do estúdio saberem quais dessas ideias caíram no gosto do público da forma mais prática possível: deixando eles jogarem.

O feedback será coletado em questionários opcionais sobre os games disponível no próprio launcher da plataforma, além de canais no Discord em que será possível conversar diretamente com os criadores.

De acordo com a Bossa, os protótipos mais bem avaliados seguem com o desenvolvimento, e mesmo os que não atraírem interesse continuarão disponíveis na plataforma. Pode ser que os três jogos se tornem games completos, ou nenhum deles.

Novos jogos, sempre gratuitos, também serão adicionados de tempos em tempos à plataforma. Após esses três games iniciais, o estúdio diz que já possui uma lista de 15 novos protótipos pré-selecionados para entrar no Bossa Presents. Não entrarão todos de uma vez, é claro, mas sempre em grupos de três.

"Vamos continuar adicionando novos protótipos constantemente, independente de quais protótipos entram em produção para se tornarem games completos", afirma Olifiers. "Com um armazém de 250 protótipos constantemente crescendo, temos conteúdo para entreter um monte de gente por muito, muito tempo".

Não é um Early Access

"I Am Fish" é sucessor espiritual de "I Am Bread" - Divulgação
"I Am Fish" é sucessor espiritual de "I Am Bread"
Imagem: Divulgação

Com tantos protótipos internos, a Bossa poderia muito bem colocar o "Pigeon Simulator" no Steam e vendê-lo como acesso antecipado (Early Access) na plataforma da Valve, por exemplo. Jogos indies que fizeram sucesso, como "Dead Cells", "Don't Starve" e "Darkest Dungeon" seguiram esse caminho.

Porém, o estúdio decidiu criar uma plataforma própria para seus protótipos por não querer comercializá-los. Afinal, são todos jogos inacabados. "Nossos protótipos precisam de mais espaço para crescer, e nem todos vão se tornar jogos completos, portanto o Early Access não soa como o lugar ideal para eles", afirma o brasileiro.

Ter a liberdade de trabalhar em ideias que os jogadores gostam e ao mesmo tempo abandonar aquelas que não encontraram uma audiência é o principal aspecto do Bossa Presents. Esse formato não funcionaria no Early Access, em que todo jogo almeja ser lançado de fato.
Henrique Olifiers, sobre não colocar os protótipos no Early Access do Steam

Por essa mesma justificativa, a Bossa também afirma que não será possível encontrar games já lançados pelo estúdio, como "Surgeon Simulator", na plataforma. O objetivo é trabalhar somente com protótipos e sempre disponibilizados de forma gratuita.

Brasileiro Henrique Olifiers é um dos fundadores da Bossa Studios, que fica em Londres - Divulgação/Bossa Studios
Brasileiro Henrique Olifiers é um dos fundadores da Bossa Studios, que fica em Londres
Imagem: Divulgação/Bossa Studios
Para Olifiers, a Bossa Presents representa um novo formato para se discutir ideias para jogos com a participação dos jogadores. Não usando o público para participar efetivamente do desenvolvimento, o que seria até antiético, mas tendo uma voz do que querem ou não vindo do estúdio.

"A filosofia de desenvolver games em isolamento, dentro do estúdio, e de repente aparecer com algo pronto naquele momento 'a-há!' ficou velha, temos que evoluir e encontrar novas formas de relacionamento com os jogadores", afirmou o brasileiro.

Vai ser uma jornada interessante, tomara que os gamers gostem da proposta. E se não gostarem, voltamos à estaca zero até encontrar o formato correto de apresentar nossas ideias aos jogadores com o objetivo de descobrir o que eles mais gostam. Simples assim!

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